«Num mundo anémico de oração e de adoração, o sacerdote é,
em primeiro lugar, o homem da oração, da adoração, do culto, da celebração dos
gestos e palavras de Deus, sobretudo de Jesus Cristo», assim traçou um perfil
do sacerdote do século XXI o cardeal Mauro Piacenza, que preside o organismo do
Vaticano dedicado ao Clero.
Também devem ser «sinais seguros de referência e de
esperança para quem procura a plenitude, o sentido, a felicidade.»
«Num mundo imerso em mensagens consumistas, pansexuais,
atacado pelo erro, apresentado nos aspetos mais sedutores, o sacerdote deve
falar de Deus e das realidades eternas, e, para fazê-lo com credibilidade, deve
ser apaixonadamente crente, assim como também limpo», refere o prefeito da
Congregação para o Clero.
«O sacerdote deve dar a impressão de estar com as pessoas,
mas não como as pessoas. Isto é, tem obrigação de falar uma língua diferente
dos outros:
- num mundo de violência e egoísmo, o sacerdote deve ser o
homem da caridade.
- desde a sua singular experiência do amor de Deus, ele
vai onde muitos vivem a solidão, a incomunicabilidade, a violência, para lhes
anunciar misericórdia, reconciliação e esperança.
- perito em escutar a Palavra de Deus, rezá-la e comentá-la,
faz-se voz de quem não tem voz: os pequenos, os pobres, os velhos, oprimidos,
marginalizados.
- chamado por Deus para que se consagre a Ele totalmente, não
pertence a si mesmo, mas sim aos outros; com quem partilha as alegrias e as
dores, sem distinção de idade, categoria social, procedência política, prática
religiosa.
- não é um homem solitário, mas há de ser o “patriarca” da
comunidade, no sentido de que tem de ser o que congrega, anima, guia as pessoas
com a maior atenção religiosa e com o escrupuloso respeito da sua dignidade
humana, do seu trabalho e dos seus direitos.
- um sacerdote deve ser ao mesmo tempo pequeno e grande,
nobre de espírito como um soberano, simples e natural como um plebeu.
- tem de ser “um herói no domínio de si, soberano sobre os
seus desejos, e servidor dos pequenos e fracos. Ele não se humilha diante dos
poderosos, mas inclina-se perante os pobres e pequenos, como discípulo de seu
Senhor e cabeça da sua grei.
- A Igreja é capaz de resistir a todos os ataques (ideológicos,
políticos, culturais), mas ficará frágil se os sacerdotes esquecem a Palavra de
Jesus, se não são fermento transformador, se não conservam o coração límpido,
forte, livre, misericordioso, manso, generoso, fiel e santo.
Fonte: Agência Zenit

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