Crise
O que fazer para vencer a adversidades?
Numa altura em que os portugueses são inundados por notícias negativas, é importante saber reagir. A Renascença foi saber qual a melhor atitude a tomar para contornar as adversidades.
Trabalhar muito e com paixão, empurrado por quem mais lhe diz e num espírito positivo são as ferramentas essenciais, de acordo com os especialistas ouvidos pela Renascença.
» Marta Grosso
A austeridade instalou-se na nossa vida. O salário não cresce – pelo contrário – e as comodidades adquiridas ao longo de anos deixaram de ser garantidas. Nem no emprego nos sentimos seguros. Muitos já o perderam. Neste contexto de incerteza, que atitude tomar? A Renascença falou com dois especialistas.
Trabalhar muito
“É preciso trabalhar muito”, diz Miguel Gonçalves, um empresário de Braga que ficou conhecido do público quando participou no programa da RTP “Prós e Contras”. Aí, defendeu que as pessoas têm que mostrar o que valem e “bater punho” para singrar no mercado de trabalho.
“Tens duas opções: ou estás em casa sentado a chorar ou estás de pé, na rua, a vender lenços. Faz parte compreender que este momento de dificuldade é também um momento de oportunidade e de crescimento”, afirma Miguel Gonçalves à Renascença.
Os momentos de crise representam oportunidades. Tudo depende da atitude: “O que dizes a ti próprio acaba por acontecer. Se encaras a realidade como um poço de drama, é isso que acaba por acontecer. Se, por oposição, acreditares que há oportunidades, elas começam mesmo a aparecer”, defende, sublinhando que “depende de cada um criar as oportunidades, porque elas existem”.
Trabalhar com paixão
“As pessoas têm de gostar daquilo que fazem. Têm que desenvolver esse conceito de paixão. Se gostas do que fazes, fazes mais; se fazes mais, fazes melhor; eventualmente, se fazes melhor, és mais bem pago por isso”, argumenta o empresário, aconselhando: “Se por qualquer motivo, ainda não conseguiste criar uma oportunidade na área, no negócio, no mercado onde queres trabalhar, trabalha das nove às três ou às quatro numa área que te permita pagar contas e a partir daí, até ao final do dia, trabalha no sonho, na paixão”.
The nature of the game
“Entrar e sair do mercado de trabalho é hoje uma constante. Faz parte”, sublinha Miguel Gonçalves. “It´s the nature of the game”, pelo que há que ser um bom profissional – o tempo não está para amadores.
“Este não é o momento particularmente oportuno para gente que anda a ver e apenas a apalpar e a sentir o mercado. É preciso trabalhar mesmo, mesmo muito”, diz o empresário, sublinhando que as empresas “só despedem alguém se a pessoa de facto não for produtiva”.
“Quando estamos a falar de uma pessoa que gera valor, que gera riqueza, um empresário à partida não tem nenhum interesse em despedi-la. Só se não tiver outra alternativa”, acrescenta.
Dieta emocional: filtrar a informação
Nos momentos mais complicados e perante “a constante pressão da comunicação social relativamente a posturas de desânimo, deixamos de ser capazes de estar disponíveis para o mais relevante”, afirma a psicóloga Helena Marujo, que aconselha, por isso, a filtrar a informação que nos chega e a geri-la de maneira a que não seja destrutiva.
Manter a esperança, sublinha a especialista em psicologia positiva, é fundamental para se seguir em frente, não obstante as dificuldades. É ela que nos mobiliza “para soluções, saídas, novas práticas de vida”.
“Quando estamos a viver emoções positivas, o que todos os estudos nos mostram é que temos muito mais capacidade para encontrar soluções e elas são mais diversas. A quantidade de alternativas de resposta aumenta e a sua qualidade e criatividade também”, indica à Renascença a especialista.
Voltar ao básico
Helena Marujo acredita que a crise económica que estamos a viver “nos convida a uma outra forma de estar na vida”, repensando “os valores em que nos envolvemos em termos individuais e colectivos” e que nos levaram a descuidar as relações interpessoais e de maior proximidade com a natureza. “Voltar a identificar aquilo que consideramos que é realmente vital para nós, que nos dá vida, que nos dá luz, que nos dá vontade de sair da cama de manhã, mesmo numa situação de desemprego; de continuar à procura, ver alternativas, ver onde estão as nossas forças pessoais”, aponta.
Investir nas relações sociais é, pois, essencial. “Quando perguntamos às pessoas, nos estudos nacionais e internacionais, o que lhes dá vitalidade e força encontramos sempre respostas que têm a ver com a relação com pessoas importantes da sua vida – seja a família, amigos, os colegas de trabalho, boas relações com os chefes”, sustenta Helena Marujo.
Grato pelo que se tem
“Outro elemento muito importante, que também é uma estratégia de protecção e de acção, é sermos capazes de reconhecer e sentirmo-nos gratos pelas coisas que temos, apesar de tudo, e não vivermos só em função daquilo que queríamos ter e não temos ou que podemos eventualmente perder”, finaliza a psicóloga.
“Quando estamos a sentir-nos bem – seja porque fomos capazes de elogiar alguém ou alguém nos elogiou, porque aprendemos alguma coisa nova ou porque apreciámos um dia de sol – quando estamos a viver emoções positivas, temos muito mais capacidade para encontrar soluções”, sublinha.


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