Povos europeus deixaram-se adormecer

O líder da Federação Pro-Europa Christiana, Paul Herzog von Oldenburg, lamentou, em declarações à Rádio Renascença, que os povos da Europa se tenham deixado adormecer e não percebem que é necessário lutar pelos valores cristãos para preservar os valores essenciais da Europa.

A Federação Pro-Europa Christiana, com sede em Bruxelas, reúne dez associações, de outros tantos países europeus, incluindo a portuguesa Acção Família, e funciona como um lobby católico para tentar influenciar as políticas e as directivas que emanam das instituições europeias.

A organização mantém-se particularmente atenta a medidas anti-cristãs que são propostas ou aprovadas. E não são poucas, garante von Oldenburg: “Os tratados europeus dizem que as políticas de família são da competência dos Estados, mas, pela porta dos fundos, tentam introduzir políticas que, supostamente, nada têm a ver com a família, mas que infl uenciam. Por exemplo, o casamento homossexual é reconhecido em Espanha, mas não na Polónia. Então, tentam introduzir medidas, relacionadas com direito do trabalho, por exemplo, em que dizem que os Estados devem reconhecer o estatuto daquela família que, na verdade, não é uma família, porque é reconhecida apenas em Espanha”.

Mas quem são “eles”? O líder da Federação Pro-Europa Christiana garante que, pelo menos, 80% dos eurodeputados pensam desta forma. “As instituições europeias são parciais neste aspecto. Por exemplo, tentam que a ajuda ao desenvolvimento para países africanos seja dependente de políticas deste género. Se o país tem uma política contra o casamento homossexual, então, tenta-se cortar o apoio. Estamos a falar da comissão e de 80% dos eurodeputados”, diz von Oldenburg. Mas o principal problema, na perspectiva da Federação Pro-Europa Christiana, são os povos que se deixaram adormecer e não percebem que é necessário lutar para preservar os valores essenciais da Europa.

“As sociedades não percebem que têm de defender estes princípios que Bento XVI apelidou de ‘não negociáveis’. O direito à vida, desde a concepção até à morte natural, o casamento, como sendo entre um homem e uma mulher, e o direito dos pais educarem os seus filhos de acordo com as suas crenças religiosas. As sociedades esquecem-se disto e o resultado é que as políticas continuam sem qualquer resistência”, explica.

Pessismismo
Recentemente, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem tomou duas decisões que agradaram às igrejas cristãs. Por um lado, a sentença que considerou legítima a presença de crucifi xos nas salas de aula em Itália, e, por outro ,a proibição de patentear tecnologias que envolvam a destruição de embriões humanos.

O presidente da Federação Pro-Europa Christiana aplaude as medidas, mas não é por isso que vê o futuro com optimismo: “A tendência é pessimista. Assistimos a um ressurgimento, sobretudo entre alguns jovens, por isso há esperança. Há uma geração, pessoas entre os 20-25 anos, que começam a ver que há algo profundamente errado. Mas é um grupo pequeno. Mas ficamos com a ideia de que a sociedade está polarizada e a maioria vai na direcção errada”.

Para von Oldenburg, é necessária uma alteração radical de mentalidades. “Precisamos de remover estas ideias modernas de hedonismo, modernismo. Precisamos de uma mudança de alma na sociedade e não sei se isso é possível em poucos anos. Nossa Senhora de Fátima disse que se o mundo não se convertesse haveria um grande castigo, e o mundo ainda não se converteu. Temo que seja necessário acontecer algo do género para as pessoas acordarem”, conclui.

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