PARA UM FELIZ 2012

Quase a começar um ano novo




Revolucionário, diria eu, seria sim sermos capazes de olhar para cada dia como se fosse o último e o primeiro de cada ano, em que cada balanço tem a urgência do inadiável, cada imperfeição o imperativo da correcção. Notável seria sermos capazes de nos superarmos como se cada dia fosse um dia especial.”

Maria do Rosário Carneiro | Investigadora do ISCSP

É um pouco estranho este hábito que temos nesta altura do ano de acharmos que porque o ano acaba e o ano começa, em termos de calendário, temos de fazer balanços, delinear projectos, como se por um passe de magia se acabasse um ciclo e começasse tudo de novo. No entanto, a verdade é que esta ilusão que todos de certa maneira sentimos, é de alguma forma refrescante, indutora de lufadas de esperança, inspiradora de sonhos.
Também é verdade que sabermos preservar sentimentos e atitudes para momentos especiais, como são estas datas que vivemos nesta altura do ano, nos obriga de alguma forma a encontrar reservas de afecto, de alegria, de empenho em construir qualquer coisa uns com os outros.
Parece que temos que nos superar e nos conseguimos, de facto, superar. No presente que quisemos oferecer, mas que também soubemos aceitar, na surpresa que planeámos, mas que também conseguimos acolher, no sorriso que tentámos a todo o custo manter, e nas lágrimas que também não pudemos evitar, na irritação a muito custo contida e na descontracção conseguida, na lembrança de outros quase sempre esquecidos. Milagre? Ou simplesmente vontade de construir e de fazer, de fazer melhor para que tudo corra bem, para que todos estejam bem.
Estranho, diria eu, é termos tanta capacidade para ser usada de forma tão concentrada e exclusiva uma só vez por ano. Estranho é sermos tão competentes de uma só vez e ficarmos como que esgotados, exauridos, incapazes para todo o resto do tempo que nos resta em todo o ano. E que é quase todo o ano!
Revolucionário, diria eu, seria sim sermos capazes de olhar para cada dia como se fosse o último e o primeiro de cada ano, em que cada balanço tem a urgência do inadiável, cada imperfeição o imperativo da correcção. Notável seria sermos capazes de nos superarmos como se cada dia fosse um dia especial.
Desafiante então, será encontrarmos para este ano novo quase a começar a capacidade continuada de construir qualquer coisa com os outros e para os outros.

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