«A família é a primeira e insubstituível educadora para a paz, porque na sadia vida familiar se experimentam os componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função da autoridade expressa dos pais, o serviço amoroso dos membros mais frágeis por serem pequenos, doentes ou anciãos, a ajuda mútua nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, para perdoá-lo», escreveu o Papa Bento XVI na mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2008.
Todos estes, como outros componentes da paz, são também características fundamentais da mulher: o acolhimento do outro, a ajuda recíproca e a disponibilidade ao sacrifício, o amor desinteressado, a sensibilidade, a atenção. São virtudes ínsitas da feminilidade, o que nos permite dizer que a mulher é chamada a ser testemunha, mensageira, educadora e mestra da paz.
A mulher tem uma vocação particular na promoção da paz em família e em todo âmbito da vida social, económica e política de nível local, nacional e internacional. Ela é mediadora de paz antes de tudo na própria família, para sê-lo depois na sociedade toda, da qual a família constitui a célula primeira.
A igreja, por isso, encaminha um convite particular à mulher para ser educadora de paz, com todo o seu ser e seu agir, nas relações entre as pessoas e as gerações, na cultura, na vida social e política das nações e, de modo particular, nas situações de guerra e de conflito. Tal convite se apóia na consideração de que Deus confia a ela de modo especial o homem, o ser humano (cf. João Paulo II, Mulieris Dignitatem).
Para desenvolver melhor esta missão, a mulher precisa primeiro cultivar a paz interior, que é fruto do sentir-se e saber-se amada por Deus e do querer corresponder ao seu amor. Na história, encontramos muitos exemplos de mulheres que souberam enfrentar muitas situações de dificuldade, discriminação, abuso, violência e guerra, graças a esta consciência.
Um âmbito em que a paz pode ser promovida pela mulher, como já dito, é o da família: toda mãe exerce um papel de primária importância na educação dos filhos, por fazer nascer neles aquela segurança e confiança que são necessárias para o correto desenvolvimento da identidade pessoal.
Isto permitirá, por conseguinte, que eles se relacionem de maneira positiva com os outros. Se a relação com o marido também é caracterizada pelo afeto, pela atenção, estima e respeito recíproco, os filhos aprendem, ao vivo, esses valores que promovem e caracterizam a paz. Tal relação incide na psicologia dos filhos e condiciona os relacionamentos que eles tecerão durante a existência. E disto a mulher deve ser bem ciente: o seu ser como educadora da paz e testemunha de paz no núcleo familiar tem impactos nada indiferentes sobre a sociedade inteira.
Irmã M. Caterina Gatti, em Agência Zenit


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