Uma das coisas a que já me habituei, como católico, foi a ser discriminado. Hoje, ser católico é estar do lado errado da bancada, junto da equipa perdedora. Ser moderno é ser ateu, de Esquerda, totalmente liberal (em todos os sentidos do termo), amoral e amigo dos animais.
Primeiro vem a condescendência: como é possível que alguém se deixe enganar pela religião? Indivíduos cultos e inteligentes não veneram santos, nem adoram deuses. Deixam-se estimular pela Razão. Este super-homem racional, pretensamente asséptico no tocante ao ódio e à paixão é o primeiro a atirar as pedras. Dificilmente parará para pensar antes de disparar.
Depois vem o alvo Igreja. Ateus, agnósticos ou simplesmente ignorantes sabem tudo sobre a Igreja, mesmo sem serem crentes ou praticantes. Sabem tudo sobre o munus dos sacerdotes e os fins das suas acções, alcançam mais longe no tocante a liturgia e teologia. Se vêem ouro gritam logo: luxo! Se vêem padres gritam logo: pedofilia! Para eles britava-se as pedras das igrejas, derretia-se o ouro das alfaias e vendiam-se as obras de arte. O tecto da capela Sistina recortado para decorar museus ou habitações particulares ou a Pietá de Miguel Ângelo convertida em estátua de jardim. Com o produto da venda alimentava-se a fome no mundo inteiro, por um dia. E no dia seguinte, sem comida, nem arte, voltavam à carga. Porque o objectivo desta gente não é que a Igreja mude, tão-somente que desapareça.
Hoje ninguém quer saber sobre o significado no dourado nos cálices, da simbologia do veludo ou das cores nas vestes papais ou ainda da importância criadora do cristianismo na História do mundo. Que interessam as igrejas recheadas de santos e altares em talha? Os frescos ou os mosaicos? As pinturas ou as partituras de Mozart e Bach, dedicadas a Deus, a Cristo, à Virgem e aos Santos? Tudo isso é luxo que devia eliminar-se para bem da paz e para saciar a fome. Afinal, num mundo sem lembranças da religião, não existiria nem violência, nem ódio, nem necessidades. Está perante os nossos olhos a resposta: numa Europa secularizada não caminhamos para a serenidade. Bem pelo contrário.
Sou o primeiro a querer que a Igreja mude, sabendo que sendo obra de Homens será, como todas as obras de Homens: imperfeita. Aspirar às coisas divinas é querer ser melhor. E como não sou proselitista, não pretendo, como católico, impingir uma Verdade de que comungo. Mas não posso deixar de ficar chocado quando, estribando-se o ateísmo na Razão, os seus sectários sejam tudo menos racionais agindo pela força na falta de argumentos.

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