O Papa admite que a introdução de reformas na Igreja não é uma matéria simples, respondendo, assim, a apelos de alguns sacerdotes que pedem reformas, como a ordenação de mulheres.
Bento XVI defendeu, durante a Missa Crismal (6 de abril de 2012), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, que a Igreja não tem mandato para proceder a essa alteração.
“Recentemente, num país europeu, um grupo de sacerdotes publicou um apelo à desobediência, referindo ao mesmo tempo também exemplos concretos de como exprimir esta desobediência, que deveria ignorar até mesmo decisões definitivas do Magistério, como, por exemplo, na questão relativa à Ordenação das mulheres, a propósito da qual o beato Papa João Paulo II declarou de maneira irrevogável que a Igreja não recebeu, da parte do Senhor, qualquer autorização para o fazer”, disse o Papa, questionando, de imediato: “Será a desobediência um caminho para renovar a Igreja?”.
O Papa apontou o exemplo do próprio Cristo para responder ao abaixo-assinado, iniciativa de um grupo de padres austríacos: “Ele concretizou o seu mandato através da sua própria obediência e humildade até à Cruz, tornando assim credível a sua missão. Não se faça a minha vontade, mas a tua; esta é a palavra que revela o Filho, a sua humildade e conjuntamente a sua divindade, e nos indica a estrada”.
Sacerdotes não podem ser funcionários
Na celebração, o Papa lembrou também aos sacerdotes que não podem ser funcionários com horário de trabalho, tendo sublinhado o seu papel na salvação dos homens em corpo e alma: “As pessoas não devem jamais ter a sensação de que o nosso horário de trabalho cumprimo-lo conscienciosamente, mas antes e depois pertencemo-nos apenas a nós mesmos”.
Bento XVI sustentou que “um sacerdote nunca se pertence a si mesmo. As pessoas devem notar o nosso zelo, através do qual testemunhamos de modo credível o Evangelho de Jesus Cristo”.
Analfabetismo religioso preocupa
O analfabetismo religioso é uma preocupação real e está a crescer na sociedade, disse, ainda, Bento XVI, defendendo que a palavra de Deus deve ser cada vez mais ouvida.
“No encontro dos Cardeais, por ocasião do recente Consistório, diversos pastores, baseando-se na sua experiência, falaram dum analfabetismo religioso que cresce no meio desta nossa sociedade tão inteligente”, alertou, sublinhando que “os elementos fundamentais da fé, que no passado toda e qualquer criança sabia, são cada vez menos conhecidos”. “Para se poder viver e amar a nossa fé, para se poder amar a Deus e, consequentemente, tornar-se capaz de O ouvir correctamente, devemos saber aquilo que Deus nos disse; a nossa razão e o nosso coração devem ser tocados pela sua palavra”, alertou Bento XVI.
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