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25 ABRIL 2012 | ESCRITO POR TIAGO FREITAS | REFLEXÃO TEOLÓGICA
Na semana passada, a UCP apresentou o resumo do relatório sobre as “identidades religiosas em Portugal”. Foi, sem dúvida, um grande avanço em comparação aos anteriores censos. O estudo não se esgotou em perguntas de tipo quantitativo, mas procurou introduzir outras de tipo qualitativo, fornecendo, deste modo, dados interessantes para a reflexão teológico-pastoral. A reacção a este inquérito chegou pelo porta-voz da CEP e, na minha opinião, revela alguns equívocos:
1. Quantidade vs qualidade. Segundo o Pe. Morujão, a transformação sociocultural e a diminuição do uniformismo pode levar a um aumento da qualidade. É uma tese recorrente nos últimos tempos, mas em nada de acordo com o espírito do Evangelho. Por detrás dos números estão pessoas, e todas as pessoas interessam à Igreja de Cristo. Por isso, não nos deveria apaziguar a diminuição dos cristãos, nem nos parecer “irrelevante”, como foi afirmado. Pelo contrário. Interessam-nos muitos – todos – e com qualidade (cf. Mc 16, 15; Lc 15, 4-7).
2. Prioridades. Perante a diminuição dos cristãos, foram apontadas duas prioridades. Ir ao encontro dos jovens e levar os valores do Evangelho ao mundo. Creio que não se pode confundir prioridades com a natureza da Igreja. Evangelizar não é prioritário. Pertence à sua natureza (cf. AG 2). Em tudo aquilo que faz, ela leva os valores do Evangelho. E já em 2010 foi apontado como “urgente e inadiável levantar-se e partir em missão” (CEP, Para um rosto missionário da Igreja em Portugal). No que se refere aos jovens, há quanto tempo não se ouve a frase “os jovens são o futuro da Igreja”?. Creio que quando as prioridades são muitas, o risco é que elas deixem de existir. Ou então existem como livro de boas intenções.
Um dado preocupante, e que não teve a devida atenção, refere-se aos 33,3% dos crentes que entendem ser possível “a fé sem prática religiosa”. É um outro modo para falar da “fé pessoal” ou, se quisermos, de um believing without belonging. O sociólogo M. Introvigne, perante este fenómeno, formulou a seguinte questão: em que acreditam aqueles que não pertencem a uma instituição? Por um lado, em crenças de tipo tradicional mas, por outro, em coisas novas. Frequentemente essas coisas novas estão ligadas ao esoterismo e outros fenómenos da New Age. É este o perigo. Quando o crer e o pertencer estão desconexos, promovem-se práticas mágicas e uma espiritualidade de tipo difuso.
O tempo que estamos a viver é extremamente desafiante e o nosso olhar deve ser de esperança. A história da Igreja mostra-nos como os tempos de crise podem transformar-se numa via de purificação. Basta para isso confiar em Deus, respeitar o Homem, rezar e fazer a nossa parte bem feita.
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