Católicos têm «obrigação» de apoiar os pobres e quem vive
sozinho, «para que todos se sintam amados e úteis e não peso ou estorvo», diz
bispo responsável pelo laicado
Lisboa, 22 mai 2012 (Ecclesia) D.R.– A Igreja Católica quer
combater a “visão redutora do matrimónio” e levar as famílias cristãs a
testemunhar as suas convicções “com alegria e firmeza convincentes”, declarou o
bispo responsável pelas organizações de leigos em Portugal.
Os católicos devem “apresentar com renovado vigor a verdade
sobre o matrimónio e a família e a sua importância para a estabilidade e
humanização da sociedade”, sublinhou D. Antonino Dias em entrevista publicada
na edição de hoje do Semanário Agência ECCLESIA.
O presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família está
convencido de que esta estratégia vai contribuir para fortalecer os agregados
familiares e dar “razões de esperança” aos que “atravessam situações muito
difíceis e dolorosas”.
O também bispo de Portalegre-Castelo Branco é um dos
integrantes da comitiva portuguesa ao 7.º Encontro Mundial das Famílias, que
decorre de 30 de maio a 3 de junho na cidade italiana de Milão e que conta com
a participação do Papa Bento XVI nos últimos três dias.
dedicada ao tema “A Família: o trabalho e a festa”, constitui um desafio aos
“decisores políticos e económicos” e a “todos quantos cuidam do bem comum”,
para que “sintam o dever de proteger e defender a instituição familiar e de lhe
favorecer, por direito, condições de vida digna e com qualidade”, apontou D.
Antonino Dias.
Depois de salientar que “não se pode repensar a Igreja em
Portugal” sem reavaliar a sua estratégia para a família, o responsável lembrou
a “obrigação” que assiste aos católicos de “prestar atenção aos outros,
sobretudo os que vivem sozinhos e os pobres e necessitados, para que todos se
sintam amados e úteis e não peso ou estorvo”.
Além desta entrevista por correio eletrónico, o tema central
do Semanário, dedicado à Família, inclui o depoimento de um solteiro e uma
divorciada que decidiram casar civilmente, ao mesmo tempo que ela apresentou às
instâncias judiciais da Igreja um pedido de nulidade relativo ao sacramento do
Matrimónio antes celebrado.
“Vivemos momentos de ansiedade à espera de notícias do
Tribunal, de dúvidas sobre a continuidade do processo, de alguma revolta por
não ser mais rápido e até de vontade de desistir”, escrevem Luís e Paula, que
foram aconselhados a colaborar na paróquia “de forma discreta” e a comungar
noutra comunidade, entre outras sugestões.
Jorge Cotovio, por seu lado, descreve a insistência que há
18 anos leva a Diocese de Coimbra a organizar a Festa das Famílias, de onde
irradiam diversas atividades de apoio aos agregados familiares e que constitui
uma oportunidade para congregar pessoas e instituições afastadas da Igreja.
“Algumas destas pessoas até podem não frequentar
assiduamente o templo, mas será um ótimo ensejo para se irem sentindo
envolvidas por este Deus que as ama sobremaneira”, refere o diretor da Pastoral
Familiar da diocese coimbrã.
O dossier compreende também um artigo sobre as consequências
do desemprego, redigido por Paulo Aido: “Todos nós conhecemos alguém
encurralado, sem soluções, rasteirado por uma crise que o apanhou desprevenido
e que agora olha à sua volta e não vê ninguém, olha-se ao espelho e nem se
reconhece”.
“O que fizermos – ou não fizermos – nestes dias de
tempestade dirá muito mais sobre o sentido da nossa fé do que podemos
imaginar”, conclui o jornalista.
RJM


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