As últimas nomeações na Cúria têm premiado pessoas de outras nacionalidades. No futuro, também, quase todos os novos cardeais não serão italianos. Em relação ao secretário de Estado, o tempo para a sucessão de Bertone parece que se alongará.
A reportagem é de Sandro Magister, publicada no
sítio Chiesa, 23-07-2012. A tradução é do Cepat.
Foi uma rodada de nomeações na Cúria Romana, que Bento XVI realizou no transcurso das
últimas semanas, sob a bandeira de uma maior internacionalização.
Por um lado,
a nomeação do alemão Ludwig Gerhard Müller
para o lugar do estadunidense William J. Levada, na condução
da Congregação para a Doutrina da Fé,
e a do italiano Vicenzo Paglia para o lugar de seu
compatriota Ennio Antonielli, na presidência do Pontifício
Conselho para a Família, não modificou o equilíbrio entre as
nacionalidades dos chefes de dicastérios da Cúria.
Porém, de
outro, em três casos, funcionários eclesiásticos italianos forma substituídos
por outros não italianos em importantes cargos da Cúria.
O arcebispo africano Protase Rugambwa foi chamado
da Tanzânia para ocupar o lugar do lombardo Pierluigi Vacchelli,
como secretário adjunto do “Propaganda Fide”.
O polaco
Krzysztof J. Nykiel substituiu o bispo italiano franciscano
conventual Gianfranco Girotti, como regente da Penitenciária
Apostólica.
O padre espanhol e grande especialista no tema do Islã, Miguel
Angel Ayuso Guixot, substituiu o arcebispo toscano e ex-núncio, Pierluigi
Celata, como secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo
Inter-religioso.
Isso sem contar que o arcebispo francês dominicano, Jean-Louis
Bruguès, deixou o cargo de secretário da Congregação da
Educação Católica, para substituir ao cardeal salesiano italiano Raffaele
Farina, como arquivista e bibliotecário da Santa Igreja Romana
(cargo que de qualquer maneira, e em sentido estrito, não faz parte da Cúria
Romana).
Em consequência disso, após estas mudanças, nos cargos mais elevados
da Cúria Romana, propriamente dito (Secretaria de
Estado, Congregações, Tribunais, Pontifícios
Conselhos e três departamentos), os italianos mantém uma sólida
maioria. Eles são 13 dos 28, o que significa 46%, considerando que no começo do
pontificado, em 2005, eles eram 7 dos 27, uma porcentagem de 25,9%.
No entanto, se forem consideradas as figuras número dois
(secretários e afins), a porcentagem dos italianos caem significativamente.
Agora, eles são 21 dos 58, o que significa 36%, sendo que em 2005 eram 42 dos
58, uma porcentagem de 41,8%. E eles também têm baixado quando se observam as
figuras gerenciais menores (subsecretários e afins): são hoje 36 dos 88, uma
porcentagem de 40%, sendo que em 2005 eram 42 dos 83, o que significava 50,6%.
Nos organogramas vaticanos ainda faltam designar os cargos de
secretário da Congregação para a Educação Católica (parece que
estava em primeira posição uma candidatura estadunidense, mas o cardeal
prefeito Zenon Grocholewski prefere um latino-americano de sua
confiança) e de subsecretário do Pontifício Conselho para a Promoção da
Unidade dos Cristãos (vacante, desde 2010, com o falecimento de dom Eleuterio
Fortino, onde possivelmente teria uma candidatura italiana). Sem
contar o cargo de regente da Casa Pontifícia, em que o atual
titular, o bispo Paolo De Nicolò, completou 75 anos, em
janeiro, e o candidato a sucedê-lo seria o eficiente padre rogacionista Leonardo
Sapienza.
De qualquer forma, para além destas vagas que ainda é preciso
preencher, agora parece que o organograma da Cúria Romana está
substancialmente estabilizado por um par de anos. Isto devido ao fato de que os
próximos a alcançar a idade de aposentadoria, aos 75 anos de idade, em 2013,
serão os cardeais Angelo Amato (Causas dos Santos),
Manuel Monteiro de Castro (Penitenciária Apostólica),
Antonio Maria Vegliò (Pastoral dos Imigrantes e
Itinerantes) e Francesco Coccopalmerio (Textos
Legislativos) e, em 2014, o cardeal Grocholewski.
Contudo, para cada uma das funções se pode prever, como de costume, ao menos um
ano de prorrogação.
Fica a incógnita sobre o secretário de Estado. O
cardeal Tarcisio Bertone completará 78 anos no dia 2 de
dezembro, e o bilhete de confirmação que o Papa lhe fez
chegar, de Castel Gandolfo, leva a pensar que não é preciso esperar uma
substituição em curto prazo. Entre outras coisas, é preciso ter presente que Bento
XVI manteve em seu cargo o anterior secretário de Estado,
o cardeal Angelo Sodano, até os 78 anos e 10
meses de idade. E no caso de que não queira despedir Bertone antes
do mesmo prazo em que procedeu com Sodano, então o atual
“primeiro-ministro” poderia permanecer em seu posto ao menos até outubro do
próximo ano.
Este alongamento é ainda mais plausível devido ao fato que ainda
permanece difícil encontrar a figura do eclesiástico que o Papa –
por estima, conhecimento, e por habitualidade de relações pessoais – poderia
chamar junto a si para o lugar de Bertone. O corolário disto
também seria que o próximo Consistório aconteceria com Bertone
na Secretaria de Estado, como ocorreu nos três Consistórios
anteriores, de novembro de 2007, de novembro de 2010 e de fevereiro de 2012,
sendo o de março de 2006 ainda contava com a presença de Sodano.
No próximo dia 26 de julho, o cardeal estadunidense James F.
Stafford completará 80 anos de idade e o número de purpurados, com
direito a voto num conclave, voltará a ser 120. Entretanto, no transcurso de
2012, quando outros seis cardeais chegarão aos 80 anos de idade, os eleitores
cairão para 114 e no transcurso de 2013, com outros dez novos octogenários, o Sacro
Colégio se reduzirá para 104 votantes. Assim, já no final deste ano e
mais ainda no próximo, esses poderiam ser os números para um novo Consistório,
o quinto do pontificado. Nele, Bento XVI poderá distribuir
novas púrpuras. Umas dez caso ocorra em novembro deste ano, uma vintena se
acontecer no mesmo mês, mas em 2013. De qualquer modo, com toda probabilidade,
será um Consistório mais internacional que os anteriores.
Com efeito, em fins de 2012, se for aplicada a regra não escrita que
designa a púrpura apenas para onde não tenha outro cardeal com direito a voto,
poderão ser premiadas as sedes tradicionalmente cardinalícias de Bogotá (Jesús
Rubén Salazar Gómez), Rio de Janeiro (o cisterciense Orani João Tempesta), Seul (Andrew
Yeom Soo-Jung), Manila (Luis Antonio Tagle) e/ou Cebu
(José Serofia Palmer), Westminster (Vicent Nichols),
Toledo (Braulio Rodríguez Plaza), Quebec (Gerald
Cyprien Lacroix, do Instituto Secular Pio X), Veneza
(Francesco Moraglia).
E, em fins de 2013, também poderão receber a púrpura: Turim (Cesare
Nosiglia), São Salvador da Bahia (o dehoniano Murilo Sebastião Ramos Krieger),
Santiago do Chile (o salesiano Ricardo Ezzati Andrello),
Malinas-Bruxelas (André-Joseph Leonard), Kiev-Halyc da Ucrânia
(Sviatoslav Schevchuk).
Na Cúria Romana, seguramente obteriam a púrpura o
alemão Müller e o dominicano francês Bruguès.
Enquanto mais confusa será a escolha, se ocorrer, daqueles que se tornarão
cardeais entre os presidentes dos Pontifícios Conselhos,
cargos que em si mesmos não preveem a púrpura. Na corrida estão os italianos Paglia
e Rino Fisichella, este último na Promoção
para a Nova Evangelização. Contudo, mais velhos do que eles, e ainda
em atividade, estão o italiano Claudio Maria Celli (das Comunicações
Sociais) e o polaco Zygmunt Zimowski (da
Pastoral da Saúde).

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