O fórum de diálogo "Crer hoje", convocado pela Conferência dos Bispos da Alemanha, decorreu em Hanoover, na Alemanha.
Depois do encontro inicial do processo de diálogo no ano passado em Mannheim, 300 participantes reuniram-se nos dias 14 e 15 de setembro para discutir o problema de uma diaconia vivida dentro da Igreja. O fórum de diálogo teve como tema: "A civilização do amor: A nossa responsabilidade em uma sociedade livre".
A reportagem é do sítio da Conferência dos Bispos da Alemanha, 15-09-2012.
Tradução de Moisés Sbardelotto.
O presidente da Conferência Episcopal Alemã, o arcebispo Robert Zollitsch, definiu o encontro em Hanover como a continuação positiva do encontro inicial em Mannheim. "Sou grato por ter podido me encontrar pela segunda vez em um fórum de diálogo, para reconhecer os 'sinais dos tempos', os problemas que a Igreja no seu caminho para o futuro deve enfrentar", disse Zollitsch.
"Devemos trabalhar por uma contínua mudança de perspectiva para a Igreja. Esse é o significado do tema do ano, 'diaconia': trata-se de buscar a melhor forma para expressar hoje o amor ao próximo e não uma ostentação narcisista da Igreja. Não deveríamos, talvez, tentar superar os medos e descobrir confiantemente as forças do nosso agir?"
O arcebispo Zollitsch ressaltou que, a partir de Mannheim, foi abordada uma grande variedade de temas: "Dentro da Conferência Episcopal, tratamos a questão dos divorciados em segunda união, do direito do trabalho na Igreja e sobretudo o do papel da mulher na Igreja. A Assembleia Geral da próxima primavera irá promover um dia específico de estudo sobre esse último tema".
Zollitsch também lembrou o documento publicado há alguns meses por um grupo de trabalho da conferência comum da Conferência dos Bispos da Alemanha e do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZDK). Nesse documento, fala-se da colaboração de carismas e serviços no povo de Deus.
Durante a coletiva de imprensa, o cardeal Reinhard Marx, membro do grupo de liderança episcopal para o processo de diálogo da Conferência dos Bispos da Alemanha, afirmou que a ação de diaconia da Igreja local deve ser reforçada. "As diversas dimensões da sustentabilidade devem ser reconhecidas e levadas em consideração". A globalização coloca a Igreja perante novos problemas e desafios. "A Igreja deve se dar conta de quem são os pobres hoje e estar junto a eles". Também é preciso melhorar as capacidades de comunicação da Igreja: "Como somos percebidos hoje como Igreja, que língua falamos?", perguntou o cardeal Marx.
O presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães, Alois Glück, apreciou a cultura do diálogo aberto, dizendo que a Igreja Católica deixou claro em Hannover que ela – apesar dos problemas e das tensões internas – não gira exclusivamente sobre si mesma. Do diálogo de Hanover, chega o sinal de que a Igreja não se encontra em uma posição de recuo contra a sociedade, mas que, com os seus posicionamentos e o seu compromisso, ela quer agir positivamente também no futuro.
"Depois do início em Mannheim, que criou confiança, e a concretização em Hanover, o diálogo desenvolve uma dinâmica própria claramente positiva. É realmente um fato único até agora que os bispos aceitem um compromisso justamente de abordar agora concretamente determinados problemas. Mas o desenvolvimento posterior do diálogo em busca de novos caminhos para o futuro da Igreja não é só a tarefa dos bispos, mas também dos leigos", disse Glück.
A vice-presidente da Associação das Mulheres Católicas Alemãs (KDFB, Katholischer Deutscher Frauenbund), Birgit Mock, disse: "Hannover se conecta a Mannheim na atmosfera aberta, o que não é tão óbvio. Como associação, nos interessam os temas atualmente postos sob a atenção, mas acima de tudo a Igreja como um todo, capaz de criar o futuro". A Associação das Mulheres irá levar a sua contribuição ao próximo encontro do processo de diálogo, disse Mock.
Com relação ao compromisso caritativo da Igreja, a diretora da Cáritas de Lübeck, Yvon Hürten, afirmou que foi dado um passo importante para que a diaconia se torne consciente nas pessoas. "Esse diálogo continua, e nós sentimos que ele é desejado. Em muitos pontos em Hanover, as demandas da Cáritas foram abordadas, e assim também grupos marginalizados da sociedade foram postos no centro das atenções".
O arcebispo Zollitsh sublinhou diante dos participantes de Hanover que, na Igreja, há coisas boas e boas ideias, muito mais do que muitas vezes se pensa e se é consciente. Trata-se de "viver de fé, de agir de fé. Assim, a Igreja incide dentro da sociedade e pode dar respostas às necessidades das pessoas. Em Hanover, conseguiu-se falar de imagens futuras, de como poderá ser praticada uma diaconia convincente: trabalhamos para construir uma Igreja que aceite a diversidade da vida de hoje, uma Igreja próximas das pessoas, uma Igreja ativa na sociedade", disse o arcebispo Zollitsch.
Participaram do encontro de Hanover 33 bispos, representantes de ordens e de congregações, membros de comunidades, representantes de associações, professores e representantes do Comitê Central dos Católicos Alemães.
As conferências, os participantes e mais informações sobre o fórum de diálogo de Hanover podem ser encontrados em: Dossier Gesprächsprozess "Im Glauben Heute" (em alemão).

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