A reportagem é de Maria
Teresa Pontara Pederiva e está publicada no sítio Vatican
Insider, 17-10-2012.
A tradução é do Cepat.
Nestes anos foram muitas as dioceses dos Estados Unidos que acompanharam os seus pastores através do longo calvário da doença. Às vezes, no entorno do bispo doente, além de orações, cristaliza-se com maior intensidade o conceito de Igreja-Povo de Deus.
Mas na diocese de Chicago
está acontecendo algo mais. Enquanto o arcebispo, o cardeal Francis George, encontra-se
lutando, desde o verão, contra um câncer, alguns grupos de leigos se
organizaram para discutir a sucessão e formular alguns pedidos ao Vaticano, que
tem a última palavra.
George, de
75 anos, religioso dos Oblatos de Maria Imaculada (o primeiro
nomeado bispo de sua cidade natal, depois de suas experiências em Yalima e
Portland), foi até 2010 presidente da Conferência dos Bispos dos
Estados Unidos (além de membro de algumas Congregações
Pontifícias) e enviou sua renúncia ao Papa em janeiro deste ano.
É aqui que entram em jogo os
leigos, que não pretendem ser simples espectadores e temem que a decisão se
oriente para algum pastor que não siga a linha do atual ou para algum pastor
que “aposte exclusivamente na ortodoxia”, prejudicando muitas outras coisas. Um
dos mais ativos parece ser Paul Culhane, da Paróquia de St.
James, professor emérito de Ciências Políticas na Northern Illinois
University, que criou um blog para refletir e expor as qualidades que
o novo pastor deveria ter.
É uma iniciativa que não tem
precedentes, segundo declarou há alguns dias ao Chicago Tribune,
mas que não vai contra o Código de Direito Canônico. O cânon
212, parágrafo 2 diz: “Os fiéis têm o direito de manifestar aos Pastores da
Igreja suas necessidades, principalmente espirituais, e os próprios anseios”. E
no parágrafo 3 que: “De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de
que gozam, têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos Pastores
sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a
integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os Pastores, e levando
em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua
opinião também aos outros fiéis”.
“Quem melhor que eu, que vivo
aqui há 43 anos, ou outros mais antigos, pode conhecer melhor as exigências de
nossas comunidades?”, comentou Mary Jean Cardwell. Contudo, a
arquidiocese parece não ter autorizado as paróquias a apoiarem a iniciativa em
nível de boletins paroquiais: “A ideia de animar as pessoas para que expressem
a própria opinião ao Núncio que representa o Papa é boa, mas não há nenhum
motivo pelo qual os católicos se devam reunir em um grupo estruturado”, disse o
porta-voz diocesano, Colleen Dolan.
Por isso, os mentores desta
iniciativa estão se organizando na rede: apostam na história da Igreja dos
primeiros séculos e na prática da eleição dos bispos com a esperança de
estender o máximo possível a base das consultas, posto que normalmente antes
que o bispo peça a renúncia, o Núncio pede a alguns fiéis “seletos” algumas
propostas para a substituição. Animar a expressão das vozes locais seria uma forma
(escreveu ao Chicago Tribune) de levar em consideração
as exigências das comunidades, que muitas vezes ficam em um segundo plano em
relação às decisões mais importantes.

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