Publicamos aqui o texto da Iniciativa das Paróquias Suíças (Pfarrei-Initiative Schweiz), escrito por agentes de pastoral suíços. O texto foi publicado no sítio da iniciativa (www.pfarrei-initiative.ch), em 17-09-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto:
A situação eclesial atual se caracteriza por comportamentos que muitas vezes levam a quebrar as regras. Nós, agentes de pastoral, queremos expressar claramente qual é a boa prática hoje, para que se reconheça onde exceções e desobediência se tornaram a regra.
O nosso objetivo é dizer claramente o que fazemos para refletir de modo autocrítico sobre as nossas próprias ações, "interpretá-lo à luz do evangelho" e assim reforçar a convicção solidária entre os agentes de pastoral.
Queremos continuar na nossa práxis e rezamos para que a renovação da Igreja continue. Para um resultado positivo, são indispensáveis a oração e a ação crível: porque a nossa vida como Igreja é fundada sobre o exemplo de Jesus de Nazaré, o Senhor crucificado e ressuscitado, que viveu em solidariedade sem restrições com as pessoas ao seu redor, para realizar neles a graça e mostrar a cada um a sua perspectiva de salvação. Por isso, ele também morreu e ressuscitou por nós. Em um projeto de vida orientado pelo seguimento de Jesus Cristo, por isso, vale a palavra do apóstolo: mulheres e homens devem "obedecer antes a Deus do que aos homens" (Atos 5, 29).
Em nosso esforço de identificar o que é natural para nós e o que nos leva à desobediência, sentimo-nos em comunhão com a Pfarrer-Initiative austríaca (Iniciativa dos Párocos austríaca) e com iniciativas semelhantes na Igreja Católica em todo o mundo.
O que é claro para nós:
1. Acreditamos que o próprio Deus opera a salvação na Igreja e nos sacramentos. Não devemos distinguir entre os "dignos" e os "indignos". Compartilhamos, portanto, com todos os batizados que se sentem convidados para a festa do ressuscitado e que por isso vem receber a Comunhão, o "pão da vida" (Jo 6, 48).
2. Compartilhamos com as irmãs e os irmãos de outras Igrejas cristãs a ceia que Jesus nos ofereceu, celebramo-la com eles e participamos também da celebração da ceia nas suas tradições.
3. Pedimos para os casais em segunda união uma bênção para a sua relação e abordamos com atenção e prudência o problema da culpa, da reconciliação e do novo início. Compartilhamos com eles o pão da vida.
4. Consideramos as pessoas em suas diversas orientações sexuais como nossas irmãs e nossos irmãos e nos comprometemos para que façam parte da nossa Igreja com todos os direitos e deveres.
5. Na celebração da Eucaristia e da Palavra, a Palavra de Deus também é apresentada na pregação (homilia) por mulheres e homens batizados e crismados, formados teologicamente.
6. Aos doentes, expressamos encorajamento e celebramos com eles e com suas famílias, se o desejarem, a unção revigorante.
7. De vários modos, propomos às pessoas um caminho em uma vida reconciliada. Estamos convencidos de que o essencial do perdão ocorra no diálogo de reconciliação, na mudança pessoal e na disponibilidade para a reconciliação.
8. Os diáconos e os outros agentes de pastoral recitam junto com o padre partes da Oração Eucarística de intercessão e assim evidenciam a conexão entre os vários encargos e serviços dos quais são responsáveis na Igreja.
9. Como normalmente o testemunho de solidariedade cristã necessita de um encontro direto, esforçamo-nos para que nas nossas paróquias permaneça um espaço para a pastoral, uma sala de pastoral, uma sala de aconselhamento e unidade de agentes de pastoral que ali trabalhe em apoio da comunidade.
10. Cada paróquia celebra a cada domingo, o "Dia do Senhor", com as pessoas e com os agentes de pastoral locais. Além disso, cada paróquia tem uma pessoa específica de referência para a liderança da comunidade.
Por isso, comprometemo-nos para garantir que mulheres e homens qualificados, independentemente do seu status de vida, sejam consagrados para ministérios de responsabilidade na Igreja.
17 de setembro de 2012.
------------------------------------- -------------------------------------
Comunicado dos bispos sobre a Pfarrei-Initiative: convite ao diálogo
Publicamos aqui a carta dos bispos suíços sobre a recente Pfarrei-Initiative (Iniciativa das Paróquias), no rastro da Pfarrer-Initiative.
O texto foi publicado no sítio da Conferência dos Bispos da Suíça (www.ivescovi.ch), 20-09-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto:
Os bispos de St. Gallen, Chur e Basileia tomaram conhecimento da Pfarrei-Initiative (Iniciativa das Paróquias). Eles se perguntam por que os responsáveis pelo cuidado das almas não buscaram o diálogo, mas se apresentaram à opinião pública com um texto. As chamadas "evidências" não são formas viáveis para um planejamento responsável da pastoral. O cuidado das almas responsável ocorre sempre em colaboração e unidade com os bispos e com a Igreja universal. Por esse motivo, os bispos de St. Gallen, Chur e Basileia convidam os iniciadores da Pfarrei-Initiative a uma conversa esclarecedora.
+Markus Büchel, bispo de St. Gallen
+Vitus Huonder, bispo de Chur
+Felix Gmür, bispo da Basileia
------------------------------------------ --------------------------------------
Suíça: grande impacto da Pfarrei-Initiative
Trezentos e quarenta sacerdotes e assistentes de pastoral assinaram a chamada "Pfarrei-Initiative" (Iniciativa das Paróquias), lançada no dia 10 de setembro passado. Em muitas paróquias católicas, afirmam os promotores da iniciativa, a práxis cotidiana não responde mais às diretrizes oficiais da Igreja.
A nota é da revista Voce Evangelica, da Conferência das Igrejas Evangélicas da Suíça, 24-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Os signatários da iniciativa reiteram que não fizeram nada mais do que tornar público o que nas suas paróquias é práxis "natural" e "experimentada" mas que, no entanto, leva à desobediência: todos os batizados podem participar da Eucaristia (mesmo os outras confissões) , os divorciados em segunda união podem participar da Comunhão, e os leigos com formação teológica podem pregar durante a celebração eucarística.
Depois do lançamento da iniciativa, a diocese de Chur lembrou aos seus pastores de almas o "vínculo da unidade" da Igreja Católica. Os bispos de St. Gallen (Markus Büchel), de Chur (Vitus Huonder) e da Basileia (Felix Gmür) externaram o seu estupor pela falta de busca de diálogo por parte dos pastores e das pastoras de almas, que, ao invés, se voltaram diretamente ao público.
Ao longo de novembro, está previsto um encontro dos representantes da Iniciativa das Paróquias com os bispos.



Comentários
Enviar um comentário