Retiro: A FÉ e os SENTIDOS do NOVO EVANGELIZADOR

INTRODUÇÃO:

“Tende em vós o mesmo sentir de Jesus” (Fil 2,5)

Graça a pedir: Entrar, sem demora, no “retiro”, pela “Porta da Fé”

A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma.

Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22).

Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor.

Retiro é:
Uma experiência forte de Deus, suscitada pela escuta da Sua Palavra, compreendida e acolhida na própria experiência pessoal, sob a acção do Espírito Santo que, num clima de silêncio e de oração, com a mediação dum guia espiritual, oferece a capacidade de discernimento que leva à purificação do coração, à conversão de vida, à sequela de Cristo, para a realização da própria missão na Igreja e no mundo”. 
a)         Escuta e silêncio
“Eu vou ouvir o que vai dizer-me o Senhor Deus” (Sl 84,8). Ou seja:
- Eu vou ouvir: acolher no coração, meter em prática…
- O que vai dizer: uma palavra dirigida ao coração…
- Em mim: não apenas para mim, mas em mim…
b)         Repouso e regeneração
“E ele lhes disse: ‘Retiremo-nos num lugar deserto e descansai um pouco’. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem sequer tinham tempo para comer”"(Mc 6:31).
Repousar para adquirir energias novas!
c)         Oração e discernimento
”Quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era”. (Tiago 1,22-24)

Retiro: exercício de oração
- A oração é como um encontro - relação pessoal
- Pode haver experiência de aridez e da ausência de Deus. Então, bater à porta!
- Condições: o silêncio e a solidão
- Método: Lectio Divina

Textos para a oração pessoal:
Salmo 84(83): "Como é bom habitar na vossa casa…"

Como são amáveis as tuas moradas,
ó SENHOR do universo!
A minha alma suspira e tem saudades
dos átrios do SENHOR;
o meu coração e a minha carne
cantam de alegria ao Deus vivo!

Até os pássaros encontram abrigo
e as andorinhas um ninho, para os seus filhos,
junto dos teus altares, SENHOR do universo,
meu rei e meu Deus.
Felizes os que habitam na tua casa
e te louvam sem cessar.
Felizes os que em ti encontram a sua força,
e os que desejam peregrinar até ao monte Sião.
Ao atravessarem o Vale do Pranto
farão dele um oásis,
que as primeiras chuvas cobrirão de dádivas.
Eles avançam com entusiasmo crescente,
até se apresentarem em Sião diante de Deus.

SENHOR, Deus do universo, escuta a minha oração,
presta-me ouvidos, ó Deus de Jacob.
Ó Deus, olha para o nosso escudo,
põe os olhos no rosto do teu ungido.

Um dia em teus átrios vale por mil;
antes quero ficar no limiar da casa do meu Deus,
do que habitar nas tendas dos maus.
Porque o SENHOR é sol e é escudo;
Ele concede a graça e a glória;
o SENHOR não recusa os seus favores
aos que vivem com rectidão.

Ó SENHOR do universo,
feliz o homem que em ti confia!

- Reflexões de Thomas Merton: Silêncio, solidão, oração:

Esperando a Palavra de Deus em silêncio
Contemplação é, essencialmente, escutar em silêncio, uma expectativa… Em outras palavras, o verdadeiro contemplativo não é aquele que prepara sua mente para uma determinada mensagem que deseja ou espera ouvir mas sim, aquele que permanece vazio porque sabe que não pode esperar ou antever a palavra que irá transformar sua escuridão em luz. Não pode mesmo prever um tipo especial de transformação. Não requer luz ao invés de escuridão. Ele espera a Palavra de Deus em silêncio e quando obtém a ‘resposta’, não é tanto pelo irromper do mundo em seu silêncio. É pelo seu próprio silêncio repentina e inexplicavelmente revelando-se a si mesmo como uma palavra de grande força, plena da voz de Deus.” (Contemplative Prayer, de Thomas Merton)

O frenesi do activista
Existe, hoje em dia, uma forma penetrante de não-violência à qual o idealista que luta pela paz por métodos não-violentos sucumbe com grande facilidade: o activismo e o excesso de trabalho. A correria e a pressão exercida pelo ritmo da vida moderna são uma forma, talvez a forma mais comum de sua violência radical. Deixar-se levar pela multidão de preocupações em conflito, entregar-se a múltiplas exigências, engajar-se em demasiados projectos, querer ajudar a todos em tudo, é sucumbir à violência. Mais que isso, é cooperar com a violência. O frenesi do activista neutraliza seu trabalho pela paz. Destrói sua capacidade interior de paz. Destrói a possibilidade que tem seu trabalho de dar fruto, porque aniquila a raiz da sabedoria interior que torna o trabalho frutuoso."

Um outro mundo num "eu" mais que profundo
Para encontrar o “mundo” real, não basta apenas medir e observar o que está fora de si: é preciso descobrir nosso próprio solo interior. Pois é ali que o mundo está, antes de mais nada: em meu eu mais profundo. (Contemplation in a World of Action, de Thomas Merton)

Nossa palavra interior
Nosso pensamento não deveria ser simplesmente uma resposta ao que alguém acaba de dizer. Ou ao que outra pessoa pode ter dito. Nossa palavra interior deve ser mais do que um eco das palavras de outro. Não há sentido em ser uma lua em relação ao sol de outro, e ainda menos em ser luas uns dos outros e, assim, escuridão uns para os outros, pois nenhum de nós é um verdadeiro sol.” (Conjectures of a Guilty Bystander, de Thomas Merton)

A humildade é silenciosa
A humildade busca o silêncio, não na inactividade, mas na actividade ordenada, na actividade própria à nossa pobreza e incapacidade diante de Deus. A humildade se põe em oração e encontra o silêncio através de palavras. Mas, como nos é natural passar das palavras ao silêncio e do silêncio às palavras, a humildade é silenciosa em todas as coisas. Até quando fala, a humildade ouve. As palavras da humildade são tão simples, tão mansas e tão pobres que encontram sem esforço o caminho para o silêncio de Deus.” (Thoughts in Solitude, de Thomas Merton)

A nudez da realidade
A vida solitária, silenciosa, dissipa a cortina de fumaça das palavras que o homem insere entre sua mente e as coisas. Na solidão, permanecemos frente a frente com o ser nu das coisas. No entanto, descobrimos que a nudez da realidade, que temíamos, não é motivo de terror nem de vergonha. Está envolta na amável comunhão do silêncio, e esse silêncio está relacionado com o amor.” (Thoughts in Solitude, de Thomas Merton)

A ilusão do barulho
Os que amam o ruído que fazem, são impacientes com o resto. Desafiam constantemente o silêncio das florestas, das montanhas e do mar. Passeiam com suas máquinas, através da floresta silenciosa, em todas as direcções, cheios de medo de que um mundo calmo os acuse de vazios. A pressa da sua velocidade, sob pretexto de um fim, simula ignorar a tranquilidade da natureza. O avião ruidoso, por sua trajectória, por seu estrondo, por sua força aparente, parece por um momento negar a realidade das nuvens e do céu. Vai-se o avião, e fica o silêncio do céu. Afasta-se ele, e a tranquilidade das nuvens permanece. O silêncio do mundo é que é real. O nosso barulho, os nossos negócios, os nossos planos e todas as nossas fátuas explicações sobre o nosso barulho, negócios e planos, tudo isso é ilusão.

A paz consigo mesmo
Em primeiro lugar, todo homem procura a paz consigo mesmo. É preciso, pois não achamos naturalmente descanso em nós mesmos. Antes de poder comunicar-nos com os outros e com Deus, temos de aprender a comunicar-nos connosco. Quem não está em paz consigo, necessariamente projecta sua luta interior nas pessoas com quem vive e contamina seu ambiente com conflito. Nem quando se esforça consegue fazer o bem, pois não sabe fazer o bem a si mesmo. Nos momentos de mais idealismo, pode decidir fazer outros felizes: assim, os oprimirá com sua própria infelicidade. Procura encontrar-se a si mesmo no trabalho de fazer os outros felizes. Por conseguinte, lança-se a esse trabalho. Mas só tira daí o que aí coloca: sua confusão, sua desintegração, sua própria infelicidade.” 

Comentários

  1. Não consegui ver o vídeo. Não daria para enviar a música em outro formato? Obrigado.

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