retiro online - 2.º dia - A FÉ E OS SENTIDOS DO NOVO EVANGELIZADOR. “Tende em vós o mesmo sentir de Jesus”
Tema do Retiro: A FÉ E OS
SENTIDOS DO NOVO EVANGELIZADOR. “Tende em vós o mesmo sentir de Jesus” (Fil
2,5)
SENTIDOS E DESEJOS: O que
queres que Eu faça por ti?
Porta da Fé, n.º 2: Há «necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com
evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com
Cristo. (…) “A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem
pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida,
da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude»[1].
Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as
consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé,
considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal
pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado.[2]
Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário,
amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela
inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade
devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.»
Objectivo: Tomar consciência dos
desejos que condicionam positiva ou negativamente o meu sentir com Cristo…
Graça a
pedir: A
purificação dos meus desejos para purificar e renovar os meus sentidos de
discípulo(a) e evangelizador(a)…
Passos da
meditação:
Tomar
consciência de “onde estou”, “quem sou”, “o que quero”…
Ter
desejos é uma dimensão específica dos humanos… Nenhum outro ser criado os
possui. De
que modo olho para este privilégio? Foi pelo desejo, pelo qual temos sede de
plenitude, que Deus concedeu ao homem e à mulher um(a) auxiliar semelhante, que
pudesse olhar olhos nos olhos, falar boca a boca, sentir mãos nas mãos,
calcorrear pés com pés, ouvir no interior (os dois ouvidos convergem para o cérebro,
não têm um canal de ligação entre ambos, etc…
Jesus é um homem que deseja intensamente:
"Eu vim trazer o fogo sobre a terra, e quisera
que já estivesse aceso! Há um baptismo que devo receber e como me sinto
angustiado até que não seja cumprido!" (Lc 12,49-50). Jo 4,34; Lc 22:15.
Um desejo que não busca o mais fácil, uma fuga do
sofrimento, gratificante mas que é fruto do amor e gera novos desejos mais
profundos.
Um desejo que leva à espera e vigilância (cf. Mt
25,1-13; Salmo 130,6).
Uma parte significativa
do ministério de Jesus consiste em despertar desejos dormentes ou ignorados, no corrigir aqueles
mesquinhos e estimular o desejo…Ver o caso da mulher samaritana (Jo 4).
E eu…“Que quero
ser?” “O que é que desejo?”, “Que
espero?”, “O que é que peço?” A
resposta pode ser dada apenas no diálogo pessoal com o Senhor…
Ler Act 3: 1*Pedro e João
subiam ao templo, para a oração das três horas da tarde. 2*Era para ali levado
um homem, coxo desde o ventre materno, que todos os dias colocavam à porta do
templo, chamada Formosa, para pedir esmola àqueles que entravam. 3Ao ver Pedro
e João entrarem no templo, pediu-lhes esmola. 4Pedro, juntamente com João,
olhando-o fixamente, disse-lhe: «Olha para nós.» 5O coxo tinha os olhos nos
dois, esperando receber alguma coisa deles. 6*Mas Pedro disse-lhe: «Não tenho
ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno,
levanta-te e anda!» 7E, segurando-o pela mão direita, ergueu-o.
No mesmo instante, os pés e os artelhos se lhe
tornaram firmes. 8*De um salto, pôs-se de pé, começou a andar e entrou com eles
no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. 9Todo o povo o viu caminhar
e louvar a Deus. 10*Bem o conheciam, como sendo aquele que costumava sentar-se
à Porta Formosa do templo a mendigar; ficaram cheios de assombro e estupefactos
com o que lhe acabava de suceder. 11E, como ele não deixasse Pedro e João, todo
o povo, cheio de assombro, se juntou a eles sob o chamado pórtico de Salomão.
12Ao ver isto, Pedro dirigiu a palavra ao povo: «Homens
de Israel, porque vos admirais com isto? Porque nos olhais, como se tivéssemos
feito andar este homem por nosso próprio poder ou piedade,? 13*O Deus de
Abraão, de Isaac e Jacob, o Deus dos nossos pais, glorificou o seu servo Jesus,
que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a
libertá-lo. 14Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação de um
assassino. 15*Destes a morte ao Príncipe da Vida, mas Deus ressuscitou-o dos
mortos, e disso nós somos testemunhas. 16*Pela fé no seu nome, este homem, que
vedes e conheceis, recobrou as forças. Foi a fé que dele nos vem que curou
completamente este homem na vossa presença. 17*Agora, irmãos, sei que agistes
por ignorância, como também os vossos chefes.
18*Dessa forma, Deus cumpriu o que antecipadamente
anunciara pela boca de todos os profetas: que o seu Messias havia de padecer.
19*Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam
apagados; 20e, assim, o Senhor vos conceda os tempos de conforto, quando Ele
enviar aquele que vos foi destinado, o Messias Jesus, 21*que deve permanecer no
Céu até ao momento da restauração de todas as coisas, de que Deus falou outrora
pela boca dos seus santos profetas.
22*Moisés disse: 'O Senhor Deus suscitar-vos-á um
Profeta como eu, de entre os vossos irmãos. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos
disser. 23Quem não escutar esse Profeta, será exterminado do meio do povo.'
24E, por outro lado, todos os profetas que falaram desde Samuel anunciaram
igualmente estes dias. 25*Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus
concluiu com os vossos pais, quando disse a Abraão: 'Na tua descendência serão
abençoadas todas as famílias da Terra.' 26Foi primeiramente para vós que Deus
suscitou o seu Servo e o enviou para vos abençoar e para se afastar cada um de
vós das suas más acções.»
Vejamos três textos do Evangelho de Marcos, que manifestam os
desejos de algumas pessoas e a resposta de Jesus: Marcos 10, 17-22. 35-40.
46-52.
Um TAL (o jovem rico), cheio de ardor, corre ao
encontro de Jesus e faz-lhe uma pergunta que vai direta ao essencial: "Tenho feito tudo, mas sinto de querer
algo mais, de dar mais um passo e queria saber o quê exactamente!".
OS FILHOS DE ZEBEDEU, querem uma garantia sobre o futuro.
Com certa vergonha, expressam o
desejo de uma maneira astuta: antes mesmo de dizer de que se trata, pedem a Jesus que faça o que lhe pedem.
Tiago e João talvez
tenham modos de pensar e sentir muito comuns: o primeiro é o que nos põe, como credores diante
de Deus. O segundo é o de manter dentro
de nós os desejos impróprios. Às vezes, nem sequer os dizemos a nós mesmos, não
os deixamos sair…
A terceira personagem é o MENDIGO CEGO, BARTIMEU. Não procura a perfeição nem direitos… Grita simplesmente: "Tem
misericórdia".
Dizia uma velhinha hindu: «Às vezes pergunto-me o
que é que eu faço no mundo. E queria morrer. Mas então eu percebo porquê Deus me faz esperar: para que eu o deseje mais.»
Esclarecidos
os desejos, que faz Jesus?
O “TAL”: Jesus ama essa pessoa e leva-o a sério: «Vai, liberta-te e vem!»
Ele queria realmente, mas pensava que
o caminho fosse outro. Talvez esperasse outra qualquer regra a cumprir… Todavia,
pelo contrário, devia “deixar”…
O seu desejo eram boas intenções. Por isso, o seu “quero”
era “queria”.
Aos dois
apóstolos carreiristas, Jesus diz: "Não sabeis o que pedis."
Jesus usa um método curioso: o desafio. Quereis o primeiro lugar? Deveis
conquistá-lo: estais dispostos a beber o cálice e a receber o baptismo? Claro
que sim, embora não saibam exactamente de que se trata!...
E Jesus dá-lhes (com o
acordo deles!) o que não queriam, mas sem prometer o que eles pediram!...
Quanto a BARTIMEU, a pergunta que Jesus lhe
faz dá-lhe a coragem de desejar o que ele talvez não se atreveria a pedir.
SINTESE
Os nossos desejos não têm de ser nem ruins, nem
errados, ou irreais. Muitas vezes são muito
tímidos e pequenos.
Quem recebe mais do Senhor é o mendigo, alguém
consciente da sua necessidade.
Queremos sentir-nos úteis e servir.
O difícil é descobrir, às vezes
traumaticamente, que, em primeiro lugar, somos pobres, que temos pouco para dar.
E Deus, não só dá, mas também pede, como pobre.
Ler Mt 21, 21. « Jesus respondeu: «Em verdade vos
digo: Se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que Eu fiz a esta
figueira, mas, se disserdes a este monte: 'Tira-te daí e lança-te ao mar',
assim acontecerá.»
Saber o que queremos significa tornar mais
verdadeira a nossa oração. Então ela purifica e corrige os nossos desejos,
torna-os concretos, fortalece-os e leva a uma total confiança.
DESEJO DE DEUS, reflexão de P.e Raniero Cantalamessa
Existe outro meio que nos
permite pôr-nos em relação com o Deus vivo: é o desejo. (...) Mas a importância
e beleza do desejo consistem propriamente em ser o resultado e a síntese da fé,
esperança e caridade. É como uma chama única que arde sobre um trípode. É o
apanhado existencial das três virtudes teologais, como um revelador de sua
presença e actuação.
Para saber o que é o desejo
de Deus, cumpre antes saber o que é o desejo. Dois são os componentes distintos
do desejo: um negativo e outro positivo. A palavra latina de onde provem o
termo português faz ressaltar mais o componente negativo; a grega, usada no
Novo Testamento, o positivo. Na linguagem da arte divinatória dos latinos, desiderare significava notar a ausência
de estrelas (sidera) necessárias para perfazer um augúrio. Daí, na linguagem
ordinária, o termo passou a significar “sentir falta de alguma coisa”.
O termo grego correspondente,
potheo , indica em sua origem o
esforço de esticar-se, protender-se
em direcção de alguma coisa, suspirar, cobiçar. Acentua mais o aspecto positivo
e dinâmico do desejo. Para os estóicos, o desejo é uma aspiração espiritual
baseada numa decisão consciente da vontade guiada pela razão. Mediante o
desejo, a alma por assim dizer se alonga, estira-se no tempo, impaciente por
atingir o que cobiça. Tal é o sentido do termo na passagem bíblica em que se
diz que, nesta vida, somos exilados que “anelam” (epipotheo) pela morada eterna A distinção entre os dois sentidos
negativo e positivo, de desejar corresponder, como se vê, mais ou menos à que
existe hoje, em inglês, entre os verbos to
miss e to long for.
Ambos esses significativos
estão presentes na Bíblia por vezes em seguida um do outro, quando se fala do
desejo de Deus: “Como anseia a corça por
água viva, assim minha alma suspira por ti, meu Deus” (Sl 41,2)
Aqui o desejo é expresso
positivamente, com a imagem da corça que, ouvindo o rumor de uma nascente,
lança-se arrebatada pelas escarpas abaixo, para descobrirá. Mas esse versículo
é logo seguido por estas palavras: A
minha alma tem sede de ti, Deus vivo, que exprimem o mesmo desejo
negativamente, como ter sede, ou seja falta de Deus.
Com essas breves noções sobre
o desejo em geral, elevemo-nos agora à consideração específica do desejo de
Deus, que é o mais
profundo desejo do coração humano, muito embora tantas vezes ignorado. Como a noite - diz uma linda
poesia de Tagore -
esconde em sua escuridão o desejo que tem da luz, e como a
tempestade aspira secretamente pela calma que sucederá à sua fúria, assim nas
profundidades inconscientes do coração humano ressoa o grito: Eu desejo a ti,
somente a ti.
Do desejo de Deus fala-se em
dois âmbitos e de dois modos diferentes. Antes de tudo, há o “desejo natural de
Deus”, como conceito filosófico e teológico (que serve de ponto de partida a santo Agostinho
e santo Tomás para uma de suas famosas provas da existência de Deus), e há o
desejo de Deus conhecido pelas almas apaixonadas, cujo objectivo não é a
demonstração de Deus, mas sua conquista, e não um conceito, mas um sentimento.
Entre os dois há a mesma diferença que entre uma descrição física do fenómeno
da sede e a
sede real de um peregrino que caminhou horas sob do deserto. Quem trata do
deserto natural de Deus pode perfeitamente nunca ter sentido pessoalmente tal
desejo em sua alma, como, vice-versa, quem sentiu ao vivo tal desejo pode perfeitamente
nunca ter reflectido nele para deduzir que Deus existe. E, todavia, entre os
dois desejos de Deus - o
natural e o sobrenatural - não há oposição, ou melhoro segundo supõe o primeiro
e nele se baseia, como a graça supõe precisamente a natureza.
Muito teríamos a dizer sobre
o desejo natural de Deus. Ele, foi dito, é “o que há de mais profundo, mais
essencial e mais elevado no ser humano”; é “o próprio fundamento da
antropologia cristã”, segundo de Lubac. Ocorre perguntar-se: ainda existe esse
desejo no homem moderno secularizado? Ainda tem valor o argumento de santo Agostinho do
“coração inquieto”? A mim parece que, num certo sector da cultura, sumiu o
elemento positivo do desejo, mas conservou-se o negativo. Desaparecido, com a
fé e a oração, o anelo, a projecção para Deus, só ficou o vazio deixado por seu
desaparecimento. Ficou o sentimento de sua ausência, ou seja, a nostalgia de
Deus, à qual houve quem chamasse de “nostalgia do totalmente outro”.
A nós porém, interessa
sobretudo o outro tipo de desejo de Deus, o sobrenatural, manifestação conjunta
de fé, esperança e caridade. Esse é o motor, ou elemento propulsor da vida
espiritual. O que dá o necessário impulso para superar as dificuldades. Nada de
grande se faz sem desejo. Ninguém se faz santo sem um forte desejo de
consegui-lo. Não há como aproximar-se de Deus com os passos dos próprios pés,
mas com os desejos da alma.
Santo Agostinho tem sido às
vezes definido como doutor do desejo de Deus, devido à importância que atribuiu
a esse tema e pêlos acentos com que fala dele. “O desejo - diz ele - é o
recesso mais íntimo do coração. Quanto mais o desejo nos dilata o coração,
tanto mais capazes nos tornamos de acolher Deus.” “Toda a vida de um bom
cristão cifra-se num santo desejo... Por meio do desejo, dilatas de tal modo
que poderás ser enchido quando chegares à visão... Deus, com a expectativa,
amplia o nosso desejo, com o desejo amplia o ânimo, e, dilatando-o, aumenta-lhe
a capacidade. Vivamos pois, irmãos, de desejo, já que devemos ser plenificados.”
A própria oração é viva na medida em que for vivo o desejo que dentro dela
escorre: “o teu desejo é a tua oração; se o desejo for contínuo, contínua será
a oração. Se não queres interromper a oração, não cesses nunca de desejar”.
“Orar detidamente consiste em suscitar um contínuo e devoto impulso do coração
para aquele que invocamos.”Diz uma prece da liturgia. ”Nós brilhamos aos olhos
de Deus pelo desejo que temos dele”.
Como se Deus debruçasse do
céu e procurasse sobre a terra pontos mais ou menos luminosos conforme a
intensidade do desejo que cada um deles tem.
(...) O desejo de Deus não é
um factor de monta só para a vida ascética e espiritual, mas também para o
anúncio. Devo confessar que, às vezes, queixei-me um pouco com Deus,
dizendo-lhe: “Senhor, se queres que em minha pregação eu fale tantas vezes aos
outros de humildade, caridade, oração, porque não me concedes um pouco dessas
coisas, das quais sou tão desprovido?” E a resposta que interiormente senti
foi: “Mas quais são as coisas de que se fala com maior ardor: as que já se
possuem ou as que se desejam?” As que se desejam, naturalmente!, apressai-me em
responder, e logo compreendi que terei de continuar pela vida afora a falar de
coisas que não possuo, mas desejo.


Penso que a música ajuda a interiorizar, a descobrir a outra dimensão do eu.
ResponderEliminarO que quero?
Questiono-me. Tiago e João tiveram coragem de pedir o que talvez circulasse entre eles. Jesus desafiou-os.Conheço melhor Jesus que lees. naquela altura? Talvez, mas mesmo assim os meus desejos continuam chãozinhos. Que abismo entre o que desejo e o que o Mestre me desafia. O desafio é o mesmo, mas o medo, a rotina, o instalamento, o que os outros diriam e pensam limitam-me. Senhor dá-me coragem para te seguir decididamnete. Eu quero... serei capaz? quer dizer eu quero... mas depois penso mais nas minhas forças do que na tua presença e força em mim. Eu quero, Senhor, vencer as rotinas, acreditar e viver a palavra eterna que Tu és. Ajuda-me a crer, a descobrir-te vivo, presente em mim e naqueles que me rodeiam, comigo trabalham, se cruzam, nos mais ignorantes, nos menos credenciados...Ajuda Senhor a pobre fé, ensina-me a orar, não repetir fórmulas, mas a trocar impressões, confidências, revelar-te as minhas ilusões, frustrações, a confrontar-meo que creio e o que vivo. Ajuda Senhor a minha fé.