Objectivo: Senhor,
abre os meus OUVIDOS!
Para me situar, vou ler a Palavra de Deus:
Mc 7,31-37: A cura do surdo-mudo - Effatha,
abre-te!;
Is 50,4-5: Ele desperta o meu ouvido
cada manhã
Sl 40: Abriste-me os ouvidos para
escutar!
Porta da Fé,
n.º 3: «Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida
(cf. Mt 5, 13-16). Também o
homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade
de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a
beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. Jo 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da
Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos
como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De facto, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma
força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece,
mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam,
é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para
realizar as obras de Deus?» (Jo
6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: crer n’Aquele
que Ele enviou» (Jo 6, 29). Por
isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à
salvação.»
Graça a pedir Um ouvido vigilante capaz de reconhecer a Voz
do Pastor…
O convite de Deus: “Vinde e escutai”
Ler Is 1,2: “Escutem, céus, ouça, ó terra!” e semelhantes: Ex 4, 9; Am 1, 2;
Dt 6, 4; Jo 10, 1-10: antes de ser Voz do Pastor é preciso sintonizar o nosso
ouvido de discípulo com a sua Voz.
Escutar Deus: Depois de escutar,
segue-se a obediência e a consequência é um género de êxodo. Passa-se de uma vida
“ab-surda” (Mt 7, 21-27) a um coração “em escuta” (1 Rs 3,9).
Ler 1.º Livro dos
Reis 17, 1-6:
Elias é o profeta que permanece com Deus. Deus encontra em
Elias um seu semlehante com quem falar e Elias tem em Deus um seu semelhante
com quem estar (Eli-Yahu = Meu Deus é Yahvé).
A obediência
de Elias manifesta-se numa vida
inteiramente guiada pela Palavra de Deus.
Êxodo: “Vai-te daqui, dirigi-te para Oriente e
esconde-te na torrente de Querit…”
Ler Rute 1
Deus fala a
partir do próprio coração de Noemi, que antes era Mara, e de Rute.
Obediência: é a experiência de ‘duplicidade’ na nossa vida: assumir doçuras
e amarguras da vida, integrar juventude e velhice...
Êxodo: Mara, que significa “A amarga”, “minha amargura”
passa a ser Noemi, que quer dizer “minha doçura”. E Rute passou de nora e
estrangeira a filha de Noemi e de Deus.
Reflexão pessoal:
Lêr – meditar – rezar – contemplar um destes textos:
Mc 7,31-37;
Jo 10,1-10;
1 Rs 17,1-6;
Rt 1
Escutar o Mestre: qual é “a primeira palavra” que Ele me dirige neste
retiro?
Escuta o teu coração: as amarguras da velha “Mara” e os “sonhos” da jovem Rute…
Texto de reflexão: SOLIDÃO E
ESCUTA – Disciplina da oração
Extratos do livro de Henri J. M. Nouwen, Renovando Todas as Coisas.
INTRODUÇÃO
A vida espiritual é um dom. É o
dom do Espírito Santo, que nos introduz no reino do amor de Deus. Mas dizer que
ser introduzido no reino de Deus é um dom divino não quer dizer que esperamos
passivamente até que o dom se nos ofereça. Jesus nos fala para buscar o reino.
Buscar alguma coisa envolve não somente aspiração séria mas também determinação
forte. A vida espiritual requer esforço humano. As forças que sempre nos puxam de volta a uma vida cheia
de preocupação não são fáceis de se vencer. "Quão dificilmente",
Jesus exclama, "entrarão no reino de Deus ..." (Mc 10:23). E para nos
convencer da necessidade de trabalho duro, ele diz: "Se alguém quer vir
após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16:24)
Neste ponto tocamos a questão de
disciplina na vida espiritual. A vida espiritual sem disciplina é impossível.
Disciplina é o outro lado do discipulado. A prática de uma disciplina
espiritual nos torna mais sensíveis à voz tranqüila e suave de Deus. O profeta
Elias não encontrou Deus no vento forte nem no terremoto e nem no fogo, mas no
cicio tranqüilo (1 Rs 19:11-13). Através da prática de uma disciplina
espiritual tornamo-nos sensíveis à essa voz tranqüila e prontos a responder
quando a ouvimos.
Em relação a tudo que eu disse
sobre nossas vidas preocupadas e sobrecarregaras é claro que geralmente estamos
envolvidos, interior e exterior que fica realmente difícil ouvir a voz de Deus
quando Ele nos está falando. Muitas vezes tornamo-nos surdos, incapazes de
saber quando Deus nos chama, incapazes de entender em que direção nos chama.
Desta forma nossas vidas se tornam um absurdo. Na palavra absurdo encontramos a
palavra latina surdus, que significa
"surdo". A vida espiritual requer disciplina porque precisamos
aprender a ouvir a Deus.
que constantemente fala mas a quem raramente ouvimos. Porém, quando aprendemos
a ouvir, nossas vidas se tornam vidas obedientes. A palavra obediente vem da
palavra latina ob-audire, que
significa "ouvir". É necessário ter uma disciplina espiritual se
quisermos mudar lentamente de uma vida absurda para uma vida obediente, de uma
vida cheia de preocupações agitadas para uma vida em que há espaço livre no
nosso interior para ouvir nosso Deus e seguir sua orientação. A vida de Jesus
foi uma vida de obediência. Estava sempre escutando o Pai, sempre atento a sua
voz, sempre alerta as suas direções. Jesus era "todo ouvidos". Isto é
a verdadeira oração: ser todo ouvido para Deus. O cerne de toda oração é
realmente ouvir, permanecer obedientemente na presença de Deus.
Uma disciplina espiritual, portanto,
é um esforço concentrado para criar um espaço interior e exterior em nossas
vidas, onde esta obediência pode ser praticada.
SOLIDÃO
Sem solidão é virtualmente
impossível viver uma vida espiritual. Solidão começa com um tempo e lugar para
Deus e somente para ele. Se realmente cremos que Deus não somente existe
mas também está ativamente presente em nossas vidas -
curando, ensinando, e dirigindo - precisamos reservar um tempo e um espaço para
lhe dar nossa atenção ininterrupta. Jesus disse: "Tu, porém, quando
orares, entra no teu quarto, e fechada a porta orarás a teu Pai que está em
secreto..." (Mt 6:6).
Produzir um elemento de solidão
em nossas vidas é uma das disciplinas mais necessárias mas também mais
difíceis. Mesmo que tenhamos um desejo profundo por solidão verdadeira, também
experimentamos uma certa apreensão quando nos aproximamos deste lugar e tempo
solitários. Uma vez que estamos sós, sem pessoas com quem conversar, livros
para ler, TV para assistir, ou telefonemas para fazer, um caos interior se
revela em nós. Este caos pode ser tão perturbador e tão confuso que não vemos a
hora de nos ocuparmos novamente. Portanto, entrar num quarto à parte e fechar a
porta, não significa que imediatamente excluímos todas nossas dúvidas
interiores, ansiedades, medos, maus pensamentos, conflitos insolúveis,
sentimentos de ira, desejos impulsivos. Ao contrário, quando nos afastamos de
nossas distrações exteriores, frequentemente descobrimos que nossas distrações
interiores se
manifestam a nós com toda a sua força. Muitas vezes usamos as
distrações exteriores para nos proteger dos barulhos interiores. Desta forma
não é de se admirar que tenhamos dificuldade para ficar sozinhos. A
confrontação com nossos conflitos interiores pode ser dolorosa demais para ser suportada.
É claro que o importante é a
fidelidade à disciplina. No início, solidão parece tão contrária aos nossos
desejos que somos constantemente tentados a nos esquivar disso. Uma maneira de
se esquivar é divagar na mente ou simplesmente cair no sono. Mas quando nos
dedicamos à nossa disciplina, na convicção que Deus está conosco mesmo quando
ainda não o escutamos, lentamente descobrimos que não queremos perder nosso
tempo à sós com Deus. Apesar de não experimentarmos muita satisfação em nossa
solidão, compreendemos que um dia sem solidão é menos "espiritual" do
que um dia com solidão.
Intuitivamente, compreendemos que
é importante gastar tempo em solidão. Até começamos a aguardar com expectativa
este estranho período de inutilidade. Este desejo por solidão muitas vezes é o
primeiro sinal de oração, a primeira indicação de que a presença do
Espírito Deus não despercebida. Quando nos esvaziamos de nossas muitas
preocupações conseguimos entender não somente com nossa mente mas também com
nosso coração que nunca estivemos realmente sós, que o Espírito de Deus estava
sempre conosco. Desta forma conseguimos compreender o que Paulo escreve aos
Romanos: "... a tribulação produz perseverança; e a perseverança,
experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque
o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi
outorgado" (Rm 5:3-5). Em solidão, chegamos a conhecer o Espírito que já
nos foi outorgado. As dores e as lutas que encontramos em nossa solidão se tornam
desta forma o caminho de esperança, porque nossa esperança não é baseada em
alguma coisa que acontecerá depois que nossos sofrimentos terminarem, mas na
presença real do Espírito de Deus que nos cura no meio destes sofrimentos. A
disciplina de solidão nos permite gradativamente entrar em contato com a
presença esperançosa de Deus em nossas vidas, e também nos permite experimentar
mesmo agora as primícias de gozo e paz que pertencem ao novo céu e à nova
terra.
A disciplina de solidão, como
tenho descrito aqui, é uma das mais poderosas disciplinas para desenvolver uma
vida de oração. É um caminho simples, embora difícil, para nos libertar da
escravidão de nossas ocupações e preocupações e começar a ouvir a voz que faz
novas todas as coisas.
Deixe-me dar uma descrição mais
concreta de como a
disciplina de solidão pode ser praticada. É uma grande
vantagem ter um quarto ou um canto de quarto ou um quartinho! - reservado à
disciplina de solidão. Tal lugar "arrumadinho" ajuda-nos a buscar o
reino sem gastar tempo com preparativos. Algumas pessoas gostam de decorar este
lugar, mas o importante é que o lugar de solidão seja um lugar simples e
ordenado. Lá ficamos na presença do Senhor. "Nossa tentação é fazer alguma
coisa útil: ler algo estimulante, pensar sobre uma coisa interessante, ou
experimentar algo extraordinário. Mas nosso momento de solidão é exatamente um
momento em que queremos estar na presença de nosso Senhor de mãos vazias, nus,
vulneráveis, inúteis, sem nada para apresentar, provar, ou defender. É assim
que, lentamente, aprendemos a
ouvir a voz tranquila de Deus. Mas o que fazer com nossas
muitas distrações? Devemos lutar contra estas distrações e esperar que desta
forma nos tornemos mais atentos à voz de Deus? Isto não parece ser a maneira de
se entrar em oração. Criar um espaço vazio onde podemos ouvir o Espírito de
Deus não é fácil quando colocamos toda nossa energia na luta contra as
distrações. Se confrontamos as distrações de maneira tão direta, acabamos lhes
dedicando mais atenção que merecem. Temos porém, as palavras das Escrituras
para dedicar nossa atenção.
Embora a disciplina de solidão
exija que separemos para isso tempo e espaço, no final de tudo o importante é
que nossos corações se tornem aposentos tranqüilos e que Deus possa habitar,
onde quer que vamos e o que quer que façamos. Quanto mais nos treinarmos a
gastar tempo com Deus e unicamente com ele, mais descobriremos que em todo o
tempo e em todo o lugar Deus está conosco. Então poderemos reconhecê-lo mesmo
no meio de uma vida atarefada e ativa. Depois que a solidão de tempo e espaço
se torna solidão de coração, nunca haveremos de deixar aquela solidão.
Poderemos viver a vida espiritual de qualquer lugar e em qualquer tempo. Desta
forma a disciplina da solidão capacita-nos a viver uma vida ativa no mundo,
enquanto permanecemos constantemente na presença do Deus vivo.

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