retiro online - 4.º dia - A ESCUTA DO EVANGELIZADOR. Dimensão social e apostólica do OUVIR.


Retiro: A FÉ E OS SENTIDOS DO NOVO EVANGELIZADOR. “Tende em vós o mesmo sentir de Jesus” (Fil 2,5)




Ouvi o clamor do meu povo” (Ex 3,7)

Música de Meditação



Graça a pedir : um ouvido capaz de escutar e discernir os sinais dos tempos…

Ler Act 16, 6-10: Paulo tem uma visão em Tróade em que um macedónio lhe suplica: «Vem ajudar-nos!»

Desafio: É o Espírito Santo que dirige a missão. Que clamores chegam aos nossos ouvidos de evangelizadores?

Na catequese de 14 de março deste ano, o Papa Bento XVI explicou que rezar significa escutar, discernir e converter-se:
«Oração nos Actos dos Apóstolos e nas Cartas de São Paulo (14.03.12)
Com a Catequese de hoje, gostaria de começar a falar sobre a oração nos Actos dos Apóstolos e nas Cartas de São Paulo. São Lucas transmitiu-nos, como sabemos, um dos quatro Evangelhos, dedicado à vida terrena de Jesus, mas deixou-nos também aquilo que foi definido o primeiro livro sobre a história da Igreja, isto é, os Actos dos Apóstolos. Nestes dois livros um dos elementos recorrentes é precisamente a oração, a de Jesus e a de Maria, dos discípulos, das mulheres e da comunidade cristã. O caminho inicial da Igreja é ritmado, antes de tudo, pela obra do Espírito Santo, que transforma os Apóstolos em testemunhas do Ressuscitado até à efusão do sangue, e pela rápida difusão da Palavra de Deus rumo ao Oriente e ao Ocidente. Todavia, antes que o anúncio do Evangelho se propague, Lucas cita o episódio da Ascensão do Ressuscitado (cf. Act 1, 6-9). Aos discípulos o Senhor confia o programa da sua existência votada à evangelização e diz: «Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra» (Act 1, 8). Em Jerusalém os Apóstolos, se tornaram em Onze devido à traição de Judas Iscariotes, estão reunidos em casa para rezar, e é precisamente na oração que esperam o dom prometido por Cristo Ressuscitado, o Espírito Santo.
Neste contexto de expectativa, entre a Ascensão e o Pentecostes, são Lucas menciona pela última vez Maria, a Mãe de Jesus, e os seus familiares (cf. v. 14). A Maria dedicou o início do seu Evangelho, do anúncio do Anjo ao nascimento e à infância do Filho de Deus que se fez homem. Com Maria começa a vida terrena de Jesus, e com Maria têm início também os primeiros passos da Igreja; em ambos os momentos, o clima é a escuta de Deus e o recolhimento. Portanto, hoje gostaria de meditar sobre esta presença orante da Virgem no grupo dos discípulos, que serão a primeira Igreja nascente. Maria acompanhou com discrição todo o caminho do seu Filho durante a vida pública, até aos pés da Cruz, e agora continua a acompanhar, com uma prece silenciosa, o caminho da Igreja. Na Anunciação, na casa de Nazaré, Maria recebe o Anjo de Deus, está atenta às suas palavras, acolhe-as e responde ao desígnio divino, manifestando a sua plena disponibilidade: «Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua vontade» (cf. Lc 1, 38). Precisamente pela atitude interior de escuta, Maria é capaz de ler a própria história, reconhecendo com humildade que é o Senhor quem age. Em visita à prima Isabel, Ela irrompe numa oração de louvor e de alegria, de celebração da graça divina, que encheu o seu coração e a sua vida, tornando-a Mãe do Senhor (cf. Lc 1, 46-55). Louvor, acção de graças e alegria: no cântico do Magnificat, Maria não olha só para aquilo que Deus realizou nela, mas também para quanto Ele fez e faz continuamente na história. Num célebre comentário ao Magnificat, Santo Ambrósio convida a ter o mesmo espírito na oração, e escreve: «Esteja em cada um a alma de Maria, para enaltecer o Senhor; esteja em cada um o espírito de Maria para exultar em Deus» (Expositio Evangelii secundum Lucam 2, 26: PL 15, 1561).
Ela também está presente no Cenáculo, em Jerusalém, na «sala de cima, no lugar onde se encontravam habitualmente» os discípulos de Jesus (cf. Act 1, 13), num clima de escuta e de oração, Ela está presente, antes que as portas se abram de par em par e eles comecem a anunciar Cristo Senhor a todos os povos, ensinando a observar tudo o que Ele tinha ordenado (cfr. Mt 28, 19-20). As etapas do caminho de Maria, da casa de Nazaré à de Jerusalém, através da Cruz onde o Filho lhe confia o apóstolo João, são marcadas pela capacidade de manter um clima perseverante de recolhimento, para meditar cada acontecimento no silêncio do seu Coração, diante de Deus (cf. Lc 2, 19-51) e na meditação perante Deus, compreender também a vontade de Deus e tornar-se capaz de a aceitar interiormente. A presença da Mãe de Deus com os Onze, depois da Ascensão, não é então uma simples anotação histórica de algo do passado, mas adquire um significado de grande valor, porque com eles Ela partilha aquilo que há de mais precioso: a memória viva de Jesus, na oração; compartilha esta missão de Jesus: conservar a memória de Jesus e assim conservar a sua presença.
A última menção de Maria nos dois escritos de são Lucas está inserida no dia de sábado: o dia do descanso de Deus depois da Criação, o dia do silêncio depois da Morte de Jesus e da expectativa da sua Ressurreição. E é neste episódio que se arraiga a tradição de Santa Maria no Sábado. Entre a Ascensão do Ressuscitado e o primeiro Pentecostes cristão, os Apóstolos e a Igreja reúnem-se com Maria para esperar com Ela o dom do Espírito Santo, sem o qual não podemos tornar-nos testemunhas. Ela que já o recebeu para gerar o Verbo encarnado, compartilha com toda a Igreja a expectativa do mesmo dom, para que no coração de cada crente «se forme Cristo» (cf. Gl 4, 19). Se não há Igreja sem Pentecostes, também não há Pentecostes sem a Mãe de Jesus, porque Ela viveu de modo único aquilo que a Igreja experimenta todos os dias sob a acção do Espírito Santo. São Cromácio de Aquileia comenta assim a anotação dos Actos dos Apóstolos: «Portanto, a Igreja congregou-se na sala de cima juntamente com Maria, Mãe de Jesus, e com os seus irmãos. Por conseguinte, não se pode falar de Igreja, se não estiver presente Maria, Mãe do Senhor... A Igreja de Cristo encontra-se onde se anuncia a Encarnação de Cristo através da Virgem, e onde os Apóstolos, que são irmãos do Senhor, pregam ali ouve-se o Evangelho» (Sermo 30, 1: sc 164, 135).
O Concílio Vaticano II quis ressaltar de modo particular este vínculo, que se manifesta visivelmente na oração conjunta de Maria e dos Apóstolos, no mesmo lugar, à espera do Espírito Santo. A Constituição dogmática Lumen gentium afirma: «Tendo sido do agrado de Deus não manifestar solenemente o mistério da salvação humana antes que viesse o Espírito prometido por Cristo, vemos que, antes do dia de Pentecostes, os Apóstolos “perseveravam unanimemente na oração, com as mulheres, Maria Mãe de Jesus e os seus irmãos» (Act 1, 14), implorando Maria, com as suas orações, o dom daquele Espírito, que já descera sobre si na Anunciação» (n. 59). O lugar privilegiado de Maria é a Igreja, onde é «saudada como membro eminente e inteiramente singular... seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade» (ibid., n. 53).
Então, venerar a Mãe de Jesus na Igreja significa aprender dela a ser comunidade que reza: esta é uma das características essenciais da primeira descrição da comunidade cristã, delineada nos Actos dos Apóstolos (cf. 2, 42). Muitas vezes, a oração é determinada por situações de dificuldade, por problemas pessoais que nos levam a dirigir-nos ao Senhor para receber luz, consolação e ajuda. Maria convida a abrir as dimensões da oração, a dirigir-nos a Deus não só na necessidade, nem só para nós mesmos, mas de modo unânime, perseverante e fiel, com «um só coração e uma só alma» (cf. Act 4, 32).
Caros amigos, a vida humana atravessa várias fases de passagem, com frequência difíceis e exigentes, que requerem escolhas inadiáveis, renúncias e sacrifícios. A Mãe de Jesus foi posta pelo Senhor em momentos decisivos da história da salvação, e soube responder sempre com plena disponibilidade, fruto de um vínculo profundo com Deus amadurecido na oração assídua e intensa. Entre a sexta-feira da Paixão e o domingo da Ressurreição, a Ela foi confiado o discípulo predilecto e, com ele, toda a comunidade dos discípulos (cf. Jo 19, 26). Entre a Ascensão e o Pentecostes, Ela encontra-se com e na Igreja em oração (cf. Act 1, 14). Mãe de Deus e Mãe da Igreja, Maria exerce esta sua maternidade até ao fim da história. Confiemos-lhe cada fase da nossa existência pessoal e eclesial, também a da nossa passagem final. Maria ensina-nos a necessidade da oração e indica-nos que só com um vínculo constante, íntimo e cheio de amor com o seu Filho podemos sair da «nossa casa», de nós mesmos, com coragem, para alcançar os confins do mundo e anunciar em toda a parte o Senhor Jesus, Salvador do mundo. Obrigado!»

Quais são as atitudes de escuta do novo evangelizador?
escuta permanente, positiva, disponível
dialogo com todos
atenção prioritária aos pobres
pratica regular - pessoal e comunitária - do discernimento sobre as situações
disponibilidade à mudança…

Sinais negativos de falta de escuta
preconceitos, ideias fixas, intransigência
cruzadas integralistas
pretensão de “possuir” a exclusiva da verdade
problemas comunitários e de relacionamento com as pessoas
clericalismo e individualismo

Reflexão pessoal :
Ler, meditar, reza e contemplar um dos textos (Atos dos Apóstolos 16, 6-10 ou 1.º Reis 17,7-16)

 



ANEXOS:

Outros textos para aprofundamento do tema:

 

A nova evangelização e os novos profetas da desgraça, por Enzo Bianchi

É inútil procurar estratégias ou táticas de nova evangelização, é pernicioso ter medo da nossa fraqueza devida a uma diminutio numérica, mas não de significado, é mundano esperar em um retorno da cristandade tranquilizante dos tempos passados.
Acredito que, acima de tudo, devemos mudar a nossa atitude para com a humanidade em que estamos imersos e da qual fazemos parte: uma humanidade não mais cristã, mas que devemos ouvir nas suas manifestações mais impressionantes e nos seus gemidos. Como Igreja, devemos nos exercer a uma leitura sábia da história, sem ceder à tentação de assumir posições defensivas, de encastelar-nos em cidadelas que forçosamente contam com o número e com os recintos: é fácil ceder a essa falta de fé no Senhor da história, o Senhor amante dos seres humanos, o Senhor, que "quer que todos os seres humanos sejam salvos" (1Tm 2, 4), e se tornar profetas da desgraça, como advertia João XXIII há 50 anos atrás, no início do Concílio.
Devemos ouvir para aprender, na consciência da autonomia da história e na liberdade da humanidade que, no entanto, continua sendo querida por Deus, composta por pessoas cada uma "criada à imagem de Deus" (cf. Gn 1, 26): esse selo impresso por Deus em cada ser humano, justo ou pecador, nunca poderá falhar. Trata-se também de não alimentar ingenuidade, de não ser desprovido de humanidade, mas capaz de discernir a presença do mal reconhecendo, porém, o caminho de humanização e de autocorreção do qual o ser humano é capaz, como nos recorda Christoph Theobald.
É nesse espaço em que a Igreja encontra o mundo na escuta e no diálogo recíproco que os cristãos munidos de uma fé madura, exercitada, pensada, dizem e vivem o evangelho, acima de tudo como escola de humanidade, caminho de humanização: cristãos que sabem despertar confiança naqueles que encontram, naqueles dos quais se fazem próximos; cristãos que sabem discernir nos outros a fé humana que os habita e aos quais podem doar palavras, atitudes e ações que narram Jesus de Nazaré.
A crise de fé hoje, antes de ser crise de fé em Deus, é uma crise de confiança humana, é a falta de confiança nos outros, na vida, no futuro e, acima de tudo, é fraqueza em acreditar no amor (cf. 1Jo 4, 16). Apenas em um terreno tão humanizado e predisposto, Deus pode então realizar o que só Ele é capaz de operar: doar a fé, isto é, iniciar uma relação com quem ouve a sua palavra, que quem encontra Jesus Cristo, porque "a fé nasce da escuta" (fides ex auditu: Rm 10, 17).




COMUNIDADE - Família, Igreja - E ESCUTA
Extratos do livro de Henri J. M. Nouwen, Renovando Todas as Coisas.

A disciplina de solidão não se mantém sozinha. Está intimamente relacionada com a disciplina de comunidade. Comunidade como disciplina é o esforço de criar um espaço livre e vazio entre pessoas, onde juntos possamos praticar verdadeira obediência. Através da disciplina de comunidade nos prevenimos de nos apegar um ao outro com sentimentos de medo e isolamento, e criamos um espaço livre para ouvir a voz libertadora de Deus.
Pode parecer estranho falar de comunidade como disciplina mas sem disciplina comunidade se torna uma palavra "mole", referindo-se mais a um lugar seguro, aconchegante e exclusivo do que ao espaço onde se pode receber vida nova e desenvolvê-la à sua plenitude. Em qualquer lugar onde se acha verdadeira comunidade, disciplina é decisivo. É decisivo não somente nas muitas velhas e novas formas de vida em comum, mas também nos relacionamentos sustentadores de amizade, casamento, e família. Criar espaço para Deus entre nós requer o constante reconhecimento do Espírito de Deus um no outro. Depois de ter conhecido o Espírito vivificante de Deus no centro de nossa solidão, tornando-nos capazes desta forma a afirmar nossa verdadeira identidade, passamos a ver também o mesmo Espírito vivificante falando-nos através de nossos companheiros humanos. E quando chegamos a reconhecer o Espírito vivificante de Deus como, a fonte de nossa vida em conjunto, mais facilmente também ouviremos sua voz em nossa solidão.
Comunidade não tem muito a ver com compatibilidade mútua. Comunidade é fundamentada em Deus, que nos chama a viver juntos, e não na atratividade mútua das pessoas.
Eu gostaria de descrever uma forma concreta desta disciplina de comunidade. É a prática de ouvir juntos. Em nosso mundo prolixo geralmente gastamos nosso tempo juntos falando. Sentimo-nos mais confortáveis compartilhando experiências, discutindo assuntos interessantes, ou argumentando problemas sociais. É através de uma troca verbal muito ativa que tentamos nos descobrir um ao outro. Mas muitas vezes descobrimos que as palavras funcionam mais como muros do que como portões, mais como formas de manter a distância do que para se aproximar. Muitas vezes - até contra nossa vontade - percebemo-nos competindo mutuamente. Tentamos provar um ao outro que merecemos atenção, que o que temos para mostrar nos torna especiais- A disciplina de comunidade ajuda-nos a ficar em silêncio juntos. Este silêncio disciplinado não é um silêncio embaraçador, mas um silêncio no qual prestamos atenção juntos ao Senhor que nos chamou juntos. Desta forma chegamos a nos conhecer mutuamente não como pessoas que se apegam ansiosamente a sua auto-instituída identidade, mas como pessoas que são amadas pelo mesmo Deus de uma forma muito íntima e singular.
Aqui - como ocorre com a disciplina de solidão - muitas vezes são as palavras das Escrituras que podem nos levar a este silêncio comunal. A fé, como Paulo diz, vem pelo ouvir. Temos que ouvir a palavra um do outro. Quando nos reunimos de diferentes contextos geográficos, históricos, psicológicos, e religiosos, ouvir a mesma palavra falada por pessoas diferentes pode criar em nós uma abertura e vulnerabilidade comuns que nos permitem reconhecer que estamos seguros juntos naquela palavra. Desta forma podemos descobrir nossa verdadeira identidade como comunidade, desta forma podemos experimentar o que significa ser chamados juntos, e desta forma podemos reconhecer que o mesmo Senhor que descobrimos em nossa solidão também fala na solidão do nosso próximo, seja qual for sua linguagem, denominação, ou caráter. Através de ouvir juntos a palavra de Deus, um silêncio realmente criativo pode se desenvolver, Este silêncio é um silêncio impregnado com a presença amorosa de Deus. Desta forma ouvir juntos a palavra de Deus pode libertar-nos de nossa competição e rivalidade e permitir-nos reconhecer nossa verdadeira identidade como filhos e filhas do mesmo Pai amoroso, irmãos e irmãs do nosso Senhor Jesus Cristo, e conseqüentemente um do outro.
Este exemplo de disciplina de comunidade é um dentre muitos. Celebrar juntos, trabalhar juntos, brincar juntos, todas estas são maneiras pelas quais a disciplina de comunidade pode ser praticada. Mas seja qual for seu tipo ou forma concreta, a disciplina de comunidade sempre leva-nos além dos limites de raça, sexo, nacionalidade, carácter, ou idade, e sempre nos revela quem realmente somos diante de Deus e do nosso próximo.
Através da disciplina de comunidade nos tornamos pessoas; isto é, pessoas que estão soando uma à outra (a palavra latina personare significa "soar") uma verdade, uma beleza, e um amor que é maior, mais profundo e mais rico do que nós mesmos podemos compreender individualmente. Em comunidade verdadeira somos janelas oferecendo constantemente um ao outro novos panoramas do mistério da presença de Deus em nossas vidas. Desta forma a disciplina de comunidade é uma verdadeira disciplina de oração. Comunidade desta forma é obediência praticada juntos. A questão não é simplesmente. "Para onde Deus me leva como um indivíduo tentando fazer sua vontade?" Mais básica e mais significante é a questão, "Para onde Deus nos leva como um povo?" Esta questão requer que prestemos cuidadosa atenção à direção de Deus em nossa vida coletiva e que juntos procuremos uma resposta criativa. Aqui podemos ver como oração e ação são realmente unidas, porque o que quer que façamos como comunidade somente pode ser um ato de verdadeira obediência quando é uma resposta àquilo que ouvimos da voz de Deus em nosso meio.
Finalmente, temos de lembrar que comunidade, como solidão, é principalmente uma qualidade do coração. Embora seja verdade que nunca conheceremos o que é comunidade se não nos unirmos em um lugar, comunidade não significa necessariamente estar fisicamente juntos. Podemos muito bem viver em comunidade mesmo estando fisicamente sozinhos. Em tal situação podemos agir livremente, falar honestamente, e sofrer pacientemente por causa do vínculo íntimo de amor que nos une com outros, mesmo quando tempo e espaço nos separam deles. A comunidade de amor não só se estende além dos limites de países e continentes mas também além dos limites de décadas e séculos. Não somente a consciência daqueles que estão longe mas também a memória dos que viveram no passado podem levar-nos a uma comunidade que nos cura, sustenta e dirige. O espaço para Deus na comunidade transcende todos os limites de tempo e lugar.
Desta forma a disciplina de comunidade libera-nos a ir aonde quer que o Espírito nos guie, mesmo a lugares onde preferiríamos não ir. Isto é a verdadeira experiência pentecostal. Quando o Espírito desceu sobre os discípulos que estavam trancados juntos com medo, eles foram libertos para sair do seu quarto fechado para o mundo. Enquanto estavam reunidos com medo ainda não se constituíam uma comunidade. Mas quando receberam o Espírito, tornaram-se um corpo de pessoas livres que podiam permanecer em comunhão um com o outro mesmo quando estavam tão longe um do outro quanto Roma está de Jerusalém. Desta forma, quando é o Espírito de Deus e não o medo que nos une em comunidade, nenhuma distância de tempo ou lugar nos pode separar. 

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