retiro online - 5.º dia - 23 de novembro de 2012 - O olhar penetrante do Discípulo

Retiro: A FÉ E OS SENTIDOS DO NOVO EVANGELIZADOR. “Tende em vós o mesmo sentir de Jesus” (Fil 2,5)

O olhar penetrante do Discípulo: FÉ CONTEMPLATIVA.
Karl Rahner: “O cristão do futuro será um místico ou não será cristão!

Graça a pedir : Mostra-me o teu rosto! (Salmo 27).
Possamos ter o “olhar penetrante” de João (Jo 21, 7) capaz de “contemplar o invisível” (Heb 2, 27).

Música de meditação



Reflexão pessoal:
Evangelho de Marcos, capítulo 10, 46-52:



«Chegaram a Jericó. Quando ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão, um mendigo cego, Bartimeu, o filho de Timeu, estava sentado à beira do caminho. E ouvindo dizer que se tratava de Jesus de Nazaré, começou a gritar e a dizer: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!» Muitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!» Jesus parou e disse: «Chamai-o.» Chamaram o cego, dizendo-lhe: «Coragem, levanta-te que Ele chama-te.» E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que te faça?» «Mestre, que eu veja!» - respondeu o cego. Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou!» E logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.»

I. LEITURA: O que diz o texto?
Contexto: termina uma seção em que Jesus se dedicou a instruir os discípulos (Mc.9,31), sobre o que implica segui-lo até à Cruz. Muitas vezes os discípulos não compreendem. O episódio da cura do cego é uma espécie de “parábola” da incapacidade dos discípulos para seguir Jesus. Lembremos que a cura do cego era um dos sinais do Messias (Lc.7,18-23).

Curiosidades: Jericó é uma cidade muito antiga que está situada no vale do Jordão muito perto da desembocadura deste rio no norte do Mar Morto.

Textos paralelos: Mt.20,29.34; Lc.18,35-43 (João fala do cego de nascença: Jo.9,1-40);

Algumas perguntas, para ler o texto, com atenção:
1. Em que se estrada se dá o encontro de Jesus com o cego?
2. Quantas vezes aparece a palavra “caminho”?
3. Que significado tem o caminho de Jericó para Jerusalém?
4.Quem acompanha Jesus?
5. Como é caraterizado o cego?
a)Que faz ele na berma da estrada?
b)Como se chama o cego? Bar (nome hebraico: = filho) Timeu (nome grego);
c) Quantas vezes é nomeado o cego?
d) Qual a sua posição na berma da estrada?
6. Como reage à passagem de Jesus?
7. Como chama a atenção de Jesus?
8. O que pede ele, em primeiro lugar, a Jesus?
9. Que títulos dá Ele a Jesus? Antes do encontro e depois do encontro?
10. Como reage Jesus?
11. Que lhe diz?
12. Como reage a multidão?
13. Que tipo de resposta dá o cego ao desafio da multidão?
14. Que lhe pergunta Jesus?
15. Que pede o cego, em segundo lugar?
16. O que é que cura o cego? Qual é a sua verdadeira fonte de visão?
17. O que acontece ao cego, depois da cura?

II. MEDITAÇÃO: O que me diz o Senhor neste texto?
1. O que não consigo “ver bem” no meu caminho?
2. O que espero, em primeiro lugar, de Jesus?
3. Como reajo aos que encontro “à beira do caminho”?
4. Dou oportunidade aos outros de contar a sua história?
5. O que pode mudar o meu modo de “ver” as coisas?
6. Porque é que a fé é fonte de iluminação?
7. Qual a atitude do discípulo nos momentos de escuridão?
8. Como reajo ao chamamento de Jesus?
9. Que capas tenho de largar, para ir ao seu encontro?
10. Sei infundir confiança, aos que procuram ver Jesus?

Outras perguntas:

1. Em que situações da vida experimento estar cego? Quais são minhas cegueiras espirituais? O que é o que “deveria ver” e “não vejo”?
2. Busco ajuda no meio das minhas “cegueiras”? A quem peço ajuda? Encontro no Senhor o único que me pode libertar das minhas cegueiras?
3. Atrevo-me a gritar como Bartimeu, pedindo o auxílio do Senhor?
4. O que implica para mim hoje dizer a Jesus: “tem compaixão de mim e ajuda-me”?
5. Quando alguém necessita de ajuda: permito que se aproxime de Jesus ou faço o mesmo que a multidão num primeiro momento ao tentar calar o cego?
6. Insisto ao pedir a compaixão do Senhor? Canso-me facilmente?
7. Como me sinto sabendo que o Mestre me chama?
8.Sou capaz de ir rapidamente ao encontro do Senhor?
9. O que implicaria para mim hoje “deitar fora a capa” e “dar um salto” para me aproximar de Jesus?
10. Deixo que Jesus me interrogue, me pergunte sobre o que realmente estou a precisar?

III. ORAÇÃO: Que digo eu ao Senhor, que me faz dizer este texto?
Como o cego, posso rezar:
1. «Filho de David, tem misericórdia de mim!»
2. «Senhor, fazei que eu veja»?
3. Cantar (rezar) o Hino:
Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe.
Não tenho aqui morada permanente:
Leva-me mais longe.
Que importa se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do Teu olhar?
Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a Luz que me ilumina
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da Tua luz divina.
Esquece os meus passos mal andados
Meu desamor perdoa e meu pecado
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado
Se Tu me dás a mão, não terei medo
Meus passos serão firmes no andar
Luz terna, suave, leva-me mais longe:
Basta-me um passo para a Ti chegar.

IV. CONTEMPLAÇÃO: Como interiorizo a mensagem?

Para a contemplação podemos tomar a frase que com muita humildade diz Bartimeu ao Senhor:
· No meio das minhas cegueiras... Mestre, que eu veja!
· No meio das minhas escuridões... Mestre, que eu veja.
· No meio das minhas trevas... Mestre, que eu veja.

5. AÇÃO: Com que me comprometo?

“Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que «procure a fé» (cf. 2 Tm 2, 22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2 Tm 3, 15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim” (Bento XVI, Porta Fidei, 15).
“A redescoberta do valor do próprio Batismo está na base do compromisso missionário de cada cristão, porque vemos no Evangelho que quem se deixa fascinar por Cristo não pode viver sem dar testemunho da alegria de seguir os seus passos” (Bento XVI, Angelus, 29-10-2006).

Segunda reflexão pessoal



Evangelho de Lucas, 10, 38-42: Marta e Maria

Vamos com Jesus parar a casa de Marta e Maria, duas amigas do Senhor, que o recebem com grande carinho. É na relação da amizade que Jesus tem com estas duas irmãs que ele nos quer ensinar como crescer como discípulos/as. Como crescer na escuta da Sua Palavra e na realização dessa Palavra na nossa vida. Contemplativos na ação, agindo porque cheios desta Palavra que se fez Vida nas nossas vidas. Escolhendo sempre a melhor parte: Cristo vivo em nós! Escolhendo a melhor parte: o difícil Todo!

Evangelho segundo S. Lucas (Lc 10,38-42)
Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma  irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

Palavra
Jesus, em caminho, visita a casa de Marta que o recebe em sua casa. Curiosamente, a “povoação” onde Jesus se encontra não é aqui identificada. Sabemos, no entanto, que é Betânia. Nem mesmo se fala de Lázaro, irmão de Marta e Maria. O acolhimento de Jesus é realizado por Marta, que recebe a Jesus na sua própria casa, na sua intimidade, no seio da sua família, onde está também Maria, sua irmã.

Meditação 
Jesus continua a sua missão de portador da mensagem do Reino. E é recebido, em ambiente familiar, em casa dos seus amigos de Betânia. Receber a Jesus na própria vida, oferecer-lhe hospitalidade, é a primeira tarefa dos discípulos de todos os tempos. Que há em mim que possa dar espaço a que Jesus seja hóspede na minha vida? Donde me é dado que venha visitar-me o meu Senhor? Que é necessário ainda na minha vida para que possa acolher, em plenitude, o mensageiro do Reino e a Sua Palavra? Para que possas receber Jesus em tua casa, que é preciso ainda preparar?

Oração
Caminhante que te fazes caminho, encontradiço sempre hóspede das nossas vidas. Em nossas casas és encontro de Palavra. Palavra que se faz de novo vida. Num projeto que queres encaminhado para ti. Abre os nossos corações para que possamos encontrar-te de novo. Para que a nossa casa seja habitação da tua Palavra; a nossa vida, Tua vida. Senhor, que como caminhante te fazes caminho, sê para nós Palavra viva, hoje e por todo o sempre.

Ação
Ao longo do teu dia procura descobrir situações, moomentos, experiências que te levem a acolher Jesus na tua casa, na tua própria vida. Faz de Jesus verdadeiro Emanuel, Deus connosco.

Palavra
Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Maria é a segunda personagem da família de Betânia que nos surge. Maria escuta a Palavra do Mestre, numa atitude de atenção e escuta. Acolhendo a Jesus, deixa de parte os trabalhos domésticos, para centrar a sua atenção, como autêntica discípula, na mensagem, ouvindo a sua palavra. Jesus honra-a com um gesto original, porque, contrariamente à pratica dos rabinos, dá espaço a que uma mulher possa escutá-lo como discípula.

Meditação   
Acolher a Jesus tem dinâmicas muito diversificadas  e respostas diferenciadas. Se a hospitalidade a Jesus abre o coração para o encontro com Ele, acolhê-lo para ouvir e escutar a Sua Palavra, leva ao abandono de tudo o resto, centrando a atenção no que é fundamental, na novidade da sua Palavra, na disponibilidade a acolher (também e sobretudo) o seu projeto. A missão de Jesus é formar verdadeiros ouvintes da Sua Palavra – autênticos discípulos – que depois a levem à prática, à vida, à ação. Quem quer receber a Jesus precisa de dispôr-se para acolher a Sua Palavra, demorando-se na sua companhia. Como me disponho para receber Jesus: apenas de uma forma superficial e externa, como tantos no mundo de hoje, dizendo-se cristãos e atuando como descrentes? Ou ouvindo a sua Palavra e na concretização da sua mensagem criando o Reino de Deus em mim e à minha volta na interioridade e profundidade do meu ser?

Oração
“Escutar!”. A tua voz passa pelas nossas vidas atarefadas de mil desassossegos e esquecemo-nos de te escutar. As vozes do mundo gritam mais alto. As vozes do nosso tempo ensurdem. A tua voz parece apagar-se de nós. Escutar e escutar-te. Fazer-te motivo da nossa oração. Fazer-te silêncio. Fazer-te voz nova na simplicidade da tua presença. Fazer de ti palavra que enriquece este mim ávido da tua presença. E no encontro entre ti e mim, escutar essa tua voz que me faz abandonar em ti… escutar-te, Senhor! Que alegria em mim!

Ação
Parar. Não fazer nada. Escutar os ruídos da tua casa, do teu ambiente de trabalho, da tua vida. Ter a coragem de parar. Parar do ruído e encontrar o silêncio de paz. Encontrar a Cristo em ti. Procura ao longo do teu dia fazer silêncio. Escutar em vez de falar. Conta-nos como foi...

Palavra
Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me».
Marta multiplica-se em atenções “atarefada com muito serviço” para acolher da melhor maneira a Jesus. Como que indignada pela atitude de Maria, sua irmã, que a deixa sozinha, em todas aquelas lides, pede ajuda. É uma cena familiar que  facilmente podemos perceber: querendo acolher da melhor maneira o Mestre, Marta tudo faz para que Jesus se sinta acolhido com mil detalhes de atenção. Marta reclama e pede a Jesus que intervenha.

Meditação 
Para Marta a atitude de Maria é desadequada: então, com tanto trabalho, não me ajudas em nada? Para Marta o que Maria faz não é “serviço” (“não te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir”). Mas Marta não é a única serva. Maria está ocupada, completamente, na escuta da Palavra. Duas atitudes diferentes. Uma de total atenção e escuta, a outra de afã pelos afazeres que um hóspede supõe. As duas atitudes são importantes: mas quem escolheu a melhor parte?

Oração 
Já não sei que mais inventar para te agradar, Senhor! Faço de tudo para que possas crescer, ser anunciado, atarefado com mil coisas! E tudo parece devaneio. Ralho comigo mesmo na procura de ti. Ralho com os outros que nada fazem para te tornar presença. E esqueço-me que, não te importas das minhas mil coisas, que só te importo na simplicidade da minha escuta. Escuta que se faz dom para os outros, no amor que tu me dás ao escutar a doce melodia da tua Palavra, que me transforma, que me faz viver, inventando mil coisas para te agradar, agradado pela tua presença; mil coisas para que possas ser anunciado, porque agraciado pelo teu Amor; tudo em mim, agora nada de mim, porque tu tudo!

Ação
Procura durante o dia de hoje a paciência e a paz que te levem a uma serenidade de vida, sem devaneios, nem ralhetes, nem sem sentidos. Na paz de Jesus tudo crer. Na Palavra de Jesus tudo encontrar.

Palavra
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
Marta acolhe a Jesus, mas não o escuta, atarefada e inquieta, preocupada com muitas coisas. Maria escolhe a melhor parte. Jesus não aprova o afã, a agitação, a dispersão de Marta. Qual é pois o seu erro? Não entender que a presença de Cristo, é uma grande ocasião a não perder e por conseguinte a necessidade de sacrificar o urgente ao importante.

Meditação 
Maria, diante de Jesus, escolhe “recebê-lo”, Marta, pelo contrário, toma decididamente o caminho do dar, do atuar. Maria coloca-se no plano do “ser” e dá a Jesus a primazia da escuta. Marta precipita-se no “fazer” e este “fazer” não nasce da escuta atenta da Palavra de Deus, e consequentemente, pode levar à esterilidade o seu fazer. Marta acolhe Jesus em casa. Maria acolhe a Jesus no seu coração. Oferece-lhe a  hospitalidade naquele espaço interior, secreto, disposto para Jesus, reservado para Ele, “que não lhe será tirado”. Se Marta oferece a Jesus coisas, Maria oferece-se a si mesma. Jesus felicita Maria e repreende Marta. Maria, de facto, realizou a melhor opção: a única necessária  para um autêntico discipulado – decidiu aprender a escutar a Palavra e a deixar-se interpelar pela presença do Mestre. E nós como somos: mais Marta ou Maria? Nenhuma das duas?

Oração
Uma só coisa é necessária, Senhor: tu em mim! Ando inquieto, preocupado com mil coisas, e esqueço que a minha maior riqueza é saber que só tu bastas. Que tudo o resto passa. Que só uma coisa é necessária: tu em mim, e, na minha pobreza e pecado, eu em Ti. Um encontro que me faz escolher a melhor parte. Uma certeza que me abandona em ti. Inquieto de mim esqueço-me da quietude de ti… que me dá força, que me encoraja, que não me tira nada. Porque sempre a melhor parte…

Ação
Andas inquieto e preocupado com muitas coisas? Procura parar. Escolhe a melhor parte. Sabes de alguém que anda inquieto e preocupado com mil coisas? Faz-te presente, ajuda, partilha. Ajuda a escolher a melhor parte.

Palavra
Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.
A melhor parte de Maria é a escuta da Palavra, na presença do Mestre. Uma experiência única e privilegiada. Segundo o juízo de Jesus, Maria escolheu a melhor parte (que apesar das aparências, não é a mais cómoda: não é fácil escutar a Palavra e pô-la em prática). Porque o problema é precisamente este: descobrir pouco a pouco que é que Jesus quer de nós, escolhendo a melhor parte que não nos será tirada.

Meditação 
À raiz deste texto discute-se muitas vezes qual é a melhor parte: a contemplação ou a ação? Uma e outra são necessárias porque o fundamento é o mesmo: contemplamos a Jesus a quem escutamos e agimos porque escutamos a sua Palavra.  Quando uma e outra (ação e contemplação) exigem romper com os ritmos loucos e frenéticos do dia-a-dia, para que a vida quotidiana se possa enriquecer do fundamento sereno e atento que supõe a presença de escuta de vida, de Jesus e da sua mensagem. A opção fundamental é sempre colocar-nos aos seus pés, escutar a sua Palavra, para a levarmos à vida, a um autêntico discipulado no nosso vida. Por isso, ação e contemplação são complementares, são discipulado, são seguimento deste Senhor Jesus que quer o melhor das nossas vidas, a escolha  da melhor parte: Jesus plenamente em nós.

Oração
A melhor parte, Senhor, é essa semente que cai na boa terra e dá fruto. É a alegria do encontro contigo, agora que falamos, agora que te escutamos, agora que te fazemos vida nas nossas vidas. Nem sempre fazemos do nosso coração terreno que acolhe a Tua Palavra. Nem sempre fazemos do nosso existir, espaço silêncio para estar contigo. Nem sempre escolhemos a melhor parte. Por isso te pedimos perdão. E te oferecemos o nosso coração e o nosso interior que em nós possa ser santuário de encontro contigo, na alegria da tua presença. Na esperança da tua semente aí frutificar em frutos de amor e obras de bondade para com todos.

Ação
Procura durante o dia de hoje encontrar a melhor parte de ti para ofereceres aos outros. E no fim do dia, oferece ao Senhor tudo o que encontrares de melhor em ti para Ele.

Palavra
Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
Marta serve a Jesus, Maria escuta-o. As duas atitudes são lógicas. Nenhuma é desatendida por Jesus. É porém quem mais se afana quem pior se sente tratado. Quando Jesus torna público o seu reparo, encarrega-se de indicar como gosta de ser hospedado: prefere atenção às atenções; gosta de encontrar a escuta da sua Palavra mais do que o agasalho da sua pessoa. A atenção melhor que se lhe pode dar é escutar a sua  Palavra e ficar pendentes do seu ensinamento. Jesus não louva Maria por não fazer nada, defende-a porque fez da escuta de Jesus a sua única ocupação. Marta não é corrigida pelo que faz, mas pelo que deixa de fazer: escutar a Jesus e a Sua Palavra.

Meditação
É curioso verificarmos como um facto simples da vida de Jesus e do seu Evangelho se transforma para nós numa lei de vida cristã. Do episódio de Marta e Maria podemos aprender alguma coisa, todos aqueles que procuramos que Jesus venha visitar-nos, porque sentimos a sua falta ou porque desejariamos acolhê-lo como merece. A atenção preferida que Jesus nos pede é um amor que torna acolhimento a sua presença, e um amor que torna acolhimento a sua Palavra. Marta e Maria são para nós exemplo de amor: porque O acolhem e porque acolhendo-O, escutam a Palavra do Mestre. Como iríamos ter a Jesus presente em nós, como hóspede das nossas vidas, se não permitissemos que a sua Palavra fosse alimento, tarefa, amor a ser concretizado em mil ações? Deixemos, pois, que Jesus nos fale quando vem até nós; convertamo-nos à sua vontade. Não vem dar-nos trabalho (Marta), mas repouso (Maria). Não nos preocupemos com o que lhe vamos dar se não nos dermos a Ele. Mais do que as atenções que lhe possamos dar, pede-nos toda a atenção da nossa vida, tempo e escuta.

Oração: O difícil Todo
Tão só melhor que a melhor  parte
que escolheu Maria o difícil Todo.
Acolher o Verbo, dando-se ao serviço.
Vigiar a sua Ausência, gritando o seu nome. 
Descobrir o seu rosto em todos os rostos.
Fazer do silêncio a maior escuta.
Traduzir em atos as Sagradas Letras.
Combater amando. Morrer pela vida, lutando na paz.
Derrubar os troncos com as velhas armas
quebradas de ira, revestidas de flores.
Cantar para o mundo o Advento
que o mundo reclama quiçá sem sabê-lo.
O difícil Todo que soube escolher 
a outra Maria...
(Dom Pedro Casaldáliga)

Deus, nosso Pai, que em Jesus nos mostraste “o caminho, a verdade e a vida”: ajuda-nos a encontrar como ele a síntese harmoniosa entre a oração e a ação, entre contemplar-te e obedecer-te, o servir-te a ti e servir aos irmãos.

Ação
Procura ao longo do teu dia encontrar essa harmonia entre oração e ação.

Comentários

  1. O encontro resulta em acolhimento, que é lento e vai sendo realizado ao longo do tempo. Vou conhecendo Jesus, vou aprendendo, vou crescendo nele. Não é fácil! O barulho do ambiente, as múltiplas tarefas, os interesses desobjetivados dispersam, distraiem. Concentração na alegria da procura, da busca. Jesus está presente, discreto, sem alardes... na presença de quem menos se espera. Procuramos coisas grandes, é nas coisas simples, banais, e naspessoas menos cómodas, mais chatas, mais aousadas que Ele está presente, nos fala, nos espera.
    Senhor fazei que euveja!

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  2. És o Senhor. onde quer que estejamos, estás em nós e connosco, estamos sempre em tua presença. Não te vemos, mas conheces todos os nossos passos, os pensamentos e as palavras ainda não proferidas. És o Senhor!Nós te louvamos. Queríamos que a nossa vida fosse um louvor constante ao teu amor, às maravilhas das tuas mãos. Somos fracos, vemos o que queremos, mas não ousamos sair da nossa mediocridade, o medo, a segurança, o futuro mete medo. somos filhos pouco convencidosda tua ousadia, do teu desafio. Perdoa Senhor. Aumenta a nossa fé.

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  3. Revejo esta mensagem, nesta tarde de domingo. Associo com a leitura do Evangelho.
    - És o rei dos judeus? Imaginamos o que os sacerdotes, fariseus e outros terão feito chegar a Pilatos... Afinal aparece-lhe um homem indefeso, sem aparato, testemunhas, sem medos ou angústias... ra daquele homem que tinham medo? Daí a ironia de Pilatos.
    Jesus responde à letra, tendo conseguido afrontar Pilatos... Sou eu judeu?
    Todo este diálogo é duma intensidade dramática. Pilatos haituado à alta política e aos altos interesses do império não terá entendido o remate de Jesus: "quem é da verdade..."
    Jesus é Rei, um Rei 'sui generis', reina pela verdade, promoção humana, serviço, liberdade e libertação, justiça, amor. Pilatos não entendeu. E hoje decorridos estes anos de convívio com Jesus ainda não entramos nesse âmago e intimidade com o Mestre. Temos muita literaturam muito academismo e "uma só coisa é necessária". Temos de escolher "a melhor parte".
    Senhor, ajuda a minha débil fé, dá-me coragem de vencer a mediocridade, os cálculos. Dá força à tua igreja para ter coragem de ser tua testemunha.

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