retiro online - 6.º dia - 26 de novembro de 2012 - o olhar di evangelizador. Cultivar a COMPAIXÃO

O OLHAR DO EVANGELIZADOR. Cultivar a Compaixão

Graça a pedir: o olhar “com-passivo” de Jesus (Mc 6,34):

Música de meditação


Ler Actos 1, 1-26.

IAM AO TEMPO, PARA ORAR
O texto que lemos diz: “Pedro e João subiram ao templo para orar”

O segredo do poder espiritual destes dois homens de Deus consistia nestas duas coisas que o texto menciona: primeira, ir ao templo (casa de Deus), segunda: para orar.

Hoje muitos perdem as bênçãos porque não vão à igreja;
Outros, porém, vão à igreja, mas sem o objetivo de orar:
– vão à igreja como se fosse um clube social, para rever os amigos, para pôr a conversa em dia...
–  um rapaz ou uma moça podem ir à igreja para encontrar o príncipe ou a princesa de sua vida (isso é muito bom. Não há nada de errado. A igreja é um bom lugar para encontrar a pessoa certa, que se procura para ser feliz no matrimónio. O prolema será querer encontrar pessoas sem pensar encontrar-se com Deus.

Pedro e João subiram ao templo para orar…
Hoje, porém, muitos vão à igreja e falam muito com os homens: confraternizam-se, abraçam-se e, às vezes, esquecem-se de falar com Deus.

UM HOMEM INTERESSADO EM DINHEIRO.
Todos os dias o coxo estava na porta Do templo a pedir dinheiro.
– Ele ia ao templo, mas não participava no culto.
– Ia à casa de Deus interessado unicamente pelas coisas materiais.
– Do lado de fora, esperava que os fiéis lhe dessem uma esmola. Diria: «Quem não me deu à entrada, vai dar-me à saída.”

Foi este o homem que Pedro e João encontraram.
– Os dois discípulos aproximam-se dele. Ele aproveita a oportunidade para pedir um pouco mais de dinheiro no fim do expediente daquele dia – às três horas da tarde.

APLICAÇÃO DESSE FACTO À NOSSA VIDA MODERNA.

– Se há 20 séculos aquele paralítico se interessava por dinheiro mais do que por qualquer outra coisa, que dizer dos Homens atuais. Hoje, em virtude do vertiginoso progresso industrial a par do surgimento de uma sociedade de consumo e de publicidade insinuante, criam-se na nossa mente muitas vezes necessidades artificiais: é o consumismo.

– O homem do mundo hodierno vive com base na filosofia do TER, quando deveria viver fundamentado na filosofia do SER.

– Mas no reino de Deus o mais importante é SER e não apenas TER. Deus não está preocupado com aquilo que temos. Deus está preocupado com aquilo que somos.

O QUE O DINHEIRO NÃO PODE COMPRAR
Pedro e João, que eram pescadores, perceberam como na sua vida o Ser discípulo e apóstolo do Mestre foi mais importante do que ter um empresa, muitos bens, estatutosocial.

Pedro meteu a mão no bolso e não tinha nenhuma moeda. E ainda bem, pois:

– O dinheiro pode comprar as melhores comidas, mas não compra o apetite.
– O dinheiro pode comprar a mais linda cama, mas não compra o sono.
– O dinheiro pode comprar uma bela casa, mas não compra um lar feliz.
– O dinheiro pode comprar um diploma, mas não compra a sabedoria.
– O dinheiro pode comprar o remédio, mas não compra a saúde.
– O dinheiro pode comprar a justiça humana, mas não pode limpar a consciência.
– O dinheiro pode comprar a justiça dos homens, mas nunca a justiça de Deus.
– O dinheiro é até capaz de comprar uma cadeira cativa na igreja, mas não um lugar no céu.
– O dinheiro não pode comprar o Amor.
– O dinheiro não pode comprar o Caráter.
– O dinheiro não pode comprar a Salvação.



O QUE NECESSIAMOS HOJE COMO IGREJA

A Igreja necessita hoje não é tanto de dinheiro, mas do poder do Espírito Santo.

E, porque Pedro e João tinham o poder do Espírito Santo, foi isto o que o paralítico recebeu deles:
– Primeiro: JESUS CRISTO: «Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!; disse-lhe Pedro.

Todos nós temos Jesus Cristo para dar.

E se temos Jesus Cristo no nosso coração, então dêmo-lo. Falemos de Jesus àqueles que não O conhecem.

PODER PARA SER A IGREJA

Depois de curado, o paralítico atirou fora a muleta. Os seus pés e tornozelos se firmaram. E, mais importante, «de um salto, pôs-se de pé, passou a andar e ENTROU COM ELES NO TEMPLO...

O homem coxo estava há muitos anos à entrada da casa de Deus, vivendo de esmolas e não do que lhe dava dignidade.

O que tira a dignidade são:
–  medos.
– preconceitos.

PROCLAMAÇÃO
O homem «entrou no templo saltando e louvando a Deus». Depois, falou da experiência de sua própria vida. Todos se encheram de admiração e assombro pelo que lhe acontecera. Em casa, toa a gente queria saber o que se havia passado com ele.
Ou seja, aquele homem TESTEMUNHOU A SUA FÉ.

CONCLUSÃO:
Pedro disse: “O que tenho te dou”.

Recebendo o Espírito de Deus podemos fazer muitas coisas em prol de Sua Causa.

E só assim seremos semelhantes a Pedro e João.



A CIÊNCIA DO AMOR em Teresa do Menino Jesus
Santa Teresa de Lisieux, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, viveu neste mundo apenas 24 anos, no final do século XIX, levando uma vida simples e oculta, mas que depois de sua morte e da publicação dos seus escritos, tornou-se uma das santas mais conhecidas e amadas. A "pequena Teresa" não deixou de ajudar as almas mais simples, os pequenos, os pobre, os que sofrem e os que rezam a ela, mas também iluminou toda a Igreja, com sua profunda doutrina espiritual, tanto assim que o Venerável João Paulo II, em 1997, quis dar-lhe o título de Doutora da Igreja, acrescentando o título de Padroeira das Missões, dado por Pio XI, em 1939. Meu querido predecessor a definiu como uma "especialista na ‘scientia amoris'" (‘Novo Millennio ineunte', 27). Esta ciência, que vê brilhar no amor toda a verdade da fé, Teresa a expressa principalmente no relato da sua vida, publicado um ano após a sua morte com o título de "História de uma alma". É um livro que foi de imediato um enorme sucesso; foi traduzido para muitas línguas e distribuído em todo o mundo. Eu gostaria de convidar-vos a redescobrir este pequeno-grande tesouro, este luminoso comentário do Evangelho plenamente vivido! "História de uma alma", de fato, é uma maravilhosa história de amor, contada com tal autenticidade, simplicidade e frescor, que o leitor não pode deixar de ficar fascinado! No entanto, qual é esse amor que preencheu a vida de Teresa, desde a infância até sua morte? Queridos amigos, este amor tem um rosto, tem um nome, é Jesus! A santa fala continuamente de Jesus. (…)
No Evangelho, Teresa descobre sobretudo a misericórdia de Jesus, a ponto de dizer: "Ele me deu sua misericórdia infinita; através dela contemplo e adoro a demais perfeições divinas! (...) E então todas me parecem radiantes de amor; a própria justiça (e talvez mais do que qualquer outra), parece-me revestida de amor". Assim se expressa também nas últimas linhas da "História de uma alma": "Basta folhear o Santo Evangelho e imediatamente respiro o perfume da vida de Jesus e sei para onde correr... Não é ao primeiro lugar, mas ao último que me dirijo... Sim, eu o sinto; inclusive se tivesse sobre a consciência todos os pecados que se podem cometer, iria com o coração partido de arrependimento lançar-me nos braços de Jesus, porque sei o quanto Ele ama o filho pródigo que retorna a Ele". "Confiança e amor" são, portanto, o ponto final do relato da sua vida, duas palavras que, como faróis, iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar no seu próprio "pequeno caminho de confiança e amor", da infância espiritual. Confiança como a da criança que se abandona nas mãos de Deus, inseparável pelo compromisso forte, radical do verdadeiro amor, que é o dom total de si mesmo, para sempre, como diz a santa, contemplando Maria: "Amar é dar tudo, é dar a si mesmo". Assim, Teresa indica a todos nós que a vida cristã consiste em viver em plenitude a graça do Batismo, no dom total de si ao amor do Pai, para viver como Cristo, no fogo do Espírito Santo, o seu próprio amor aos outros.
Bento XVI, audiência geral, 6 de abril de 2011


Espiritualidade que brota da contemplação da realidade
Toda contemplação começa na dureza do real, da vida quotidiana, onde está permanentemente connosco o Cristo vivo: "Eis que estarei com vocês todos os dias até a consumação dos séculos" (cf. Mt 28,20). A convicção desta presença fiel de Cristo na dureza do real impede de cair na tentação de fugir das situações desafiadoras, em que somente se escuta o silêncio de Deus. Para cultivar uma espiritualidade encarnada e profética, é preciso aceitar o escândalo da cruz como manifestação do amor sem medida de Deus! (I Cor 2,1-5).

Mas a imagem de um crucificado sangrando, impotente diante dos que o torturam, humilhado e abandonado, é um desafio grande demais para o imaginário simbólico da cultura do mercado global. Quem consegue contemplar a glória de Deus na carne de um crucificado? (Jo 12,28). Que glória pode ser contemplada em um corpo todo ferido, repugnante ao nosso olhar? Há tantos corpos semelhantes, importados das periferias do mundo pelos meios de comunicação! São corpos que passam rapidamente pelas telas da TV, apenas por toleráveis segundos, para seguir sem alívio em direcção à morte!

No entanto, uma espiritualidade encarnada é expressão da fé, da certeza de que dos corpos crucificados emana um brilho, uma luz muito mais instigante e duradoura do que a das imagens maquiadas que aparecem na TV e nas revistas, sorridentes por terem conquistado o êxito que a nossa cultura tanto valoriza.

Para ter essa fé, essa certeza, é preciso fazer experiência de proximidade com esses corpos feridos. Vendo-os de longe, pelas imagens da TV, ou pelas vidraças dos carros, sentimos apenas medo ou repugnância. Não chegamos a fazer a experiência que muda o nosso olhar, como aconteceu com a comunidade dos discípulos de Isaías: “Assim como se pasmaram diante dele, tão desfigurado estava o seu aspecto, assim estremecerão muitas nações. Reis fecharão a boca, pois verão aquilo que não lhes foi contado e compreenderão aquilo que não escutaram” (Is 52,14-15).

A dor dos pobres e inocentes, a repressão contra as pessoas que reclamam justiça e direitos iguais para todos podem ser a denúncia mais forte, a luz que de repente ajuda a ver e a analisar uma realidade maquiada pelo poder do capital que controla a média. Porque, quando entramos em contacto directo com a realidade, inseridos no meio de pessoas concretas, cujos corpos podemos tocar, cuja dor penetra nossas entranhas, o véu que cobre e esconde a realidade cai! Ver de perto a dor dos corpos indefesos e escutar seus clamores nos desperta da apatia e nos sobressalta!

Tomamos um susto ao lembrar que seguimos Jesus de Nazaré, que abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte — morte de cruz (cf. Fl 2,7-8). A ressurreição é o carimbo e a assinatura de Deus no projecto de Jesus.

Espiritualidade encarnada e profética
Uma espiritualidade encarnada é consequência desse encontro com o real, com os corpos crucificados pelo sistema excludente do mercado global. Essa aproximação comprometida com a vida dos pobres possibilita uma compreensão mais profunda do mistério da encarnação, superando a velha e ideológica visão de mistério como algo que não podemos penetrar. Essa compreensão do mistério levou-nos a admirar e a contemplar a encarnação de Jesus sem perceber todo o seu significado para a vida humana. Na encarnação de Jesus, Deus assume a humanidade, a corporeidade, a condição histórica de cada pessoa neste mundo.
No mistério da encarnação, Deus se identifica com a humanidade que sofre e também com a humanidade que se alegra, experimentando, em Jesus de Nazaré, o cansaço, a fome, a sede, a dor da perda de um amigo, a angústia diante da morte. No mistério da ressurreição de Jesus, Deus manifesta que todo corpo é templo do Espírito (cf. 1Cor 3,16; 6,19; Ef 2,22), proclamando mais uma vez sua máxima dignidade. E o espírito de Jesus Cristo ressuscitado que resgata e recria os corpos feridos e os confirma para sempre como sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26-27).

Assumir que Jesus veio em carne é profecia actual, porque não nos permite ver indiferentemente os corpos que são transformados no lixo humano do sistema de mercado. Desde o começo do cristianismo houve a tentação de negar que Jesus Cristo veio em carne. A comunidade joanina enfrentou-se com pessoas que negavam a encarnação de Jesus, chamando-as de "anticristos" (cf. 2Jo,7). Para a comunidade joanina, o critério para a verificação da fé cristã está no assumir que "o filho de Deus veio em carne" (1Jo 4,2). Nessa verificação a comunidade joanina relaciona cristologia e ética (1Jo 4,20). Uma ética fundamentada no amor e no reconhecimento da presença de Deus em todas as pessoas.

É o Espírito de Deus que possibilita a verdadeira confissão de fé em Jesus, que veio em carne (cf. 1Jo 4,2-3), que tomou corpo e que nos possibilitou ser verdadeiramente imagens de Deus (cf. Gn 1,26-27). Negar que Jesus veio em carne é negar que Deus é capaz de fazer além, infinitamente além de tudo o que nós podemos pedir ou conceber (cf. Ef 3,20). É negar que para Deus nada é impossível (cf. Lc 1,34). Afirmar a encarnação de Deus é afirmar que outro mundo é possível, que é possível outra Igreja mais ágil no anúncio do Reino, mais liberta e libertadora.

Uma espiritualidade encarnada somente é possível quando se vive no âmago da história, ainda que esta seja contraditória e desafiadora, como no tempo de Jesus. E dentro dessas contradições que se vive o amor autêntico, solidário, generoso: A pessoa autenticamente espiritual não é aquela que tem experiências espirituais extraordinárias, mas sim aquela que vive profundamente o amor ao próximo e o respeito ao próximo. Ser cristão é viver o amor pelo outro, no diálogo e no respeito, aberto ao futuro (utopia).

Padre João Mendonça, mestre em Educação

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