por Joaquim Soares
Aos amigos da Fraternitas. Um Santo Natal, com a certeza de
que Ele vem para o encontro. Esperança para os debilitados, coragem para os enfraquecidos,
força para os menos fortes, um incentivo para os desanimados. Ele vem e não
deixará ninguém indiferente.
Amigo,
Natal é nascimento. O santo Padre parece ter excluído a vaca
e o jumento do presépio... Ainda bem? Talvez. Estes animais não fazem falta e
até nos distraem do essencial do presépio. É evidente que a maior parte de nós
e eu estamos presos emocionalmente ao presépio da nossa infância... Os pastores
do presépio, as figuras, são bem constituídos, atletas e as ovelhas todas gordinhas,,,
e depois a imaginação do artista dava um ar romântico, poético a todo o
conjunto.
Sabemos que o nascimento de Jesus é real. Não te admires se
alguém um dia te vier dizer que anjinhos, música celestial, pastores,
estrelinha... fazem parte da poesia, do romantismo. Fica de pé, acalma-te.
Raciocina. Não te deixes levar pelas emoções, nem reajas na superfície. És um
ser inteligente! Pensa e reage de acordo...
Reflecte!
Quem eram os pastores no tempo de Jesus? Já pensaste? Sabes
que o Império Romano era um luxo, uma opulência incalculável. Os romanos eram
tribunos, generais, chefes do exército. Olha os palácios romanos. Recorda os
filmes que nos falam do Império. Havia a plebe, mas todos viviam à custa dos
povos conquistados, explorados. E os chefes das províncias romanas,
representantes do império, viviam à maneira de Roma. Eram todos uns
exploradores inveterados. Os pastores não tinham a aparência que as figuras do
presépio nos mostram. Os pastores eram analfabetos, pobres, dependentes,
entregues à sua sorte, explorados dos grandes senhores romanos ou bem
relacionados com os romanos. Eram pobres em piores condições do que hoje
atravessamos.
O presépio mostra que Jesus é resposta aos problemas dos
homens de todos os tempos. A pobreza, a indigência, o desemprego, a doença, a guerra,
a fome, a exploração sob qualquer forma, o oportunismo, a habilidade, o
cinismo, o aproveitamento social, político, económico, cultural, em qualquer
forma ou sob qualquer disfarce, não são a nossa sorte, não tem a cobertura do
presépio... pelo contrário, Jesus é o contrário de tudo isso. Jesus é o
desafio, mais desafiador, mais inaudito, que põe toda a crise em causa.
O nosso problema mais profundo é que só nos interessa
conhecer Jesus na superfície da sua pessoa, da sua mensagem das suas opções.
Quando nos incomoda, desviamos as atenções, transformamos tudo em nossas
conveniências e reduzimos tudo o que diz respeito a Jesus às nossas dimensões e
aos nossos gostos.
E o mais grave é que muitas vezes os cristãos, mesmos os que
se consideram mais responsáveis, adaptam, transformam e condicionam aquilo que
é mais transparente e objectivo. Há respostas e adaptações para todos os gostos.
Está nas tuas mãos: ou aprofundas este conhecimento de
Jesus, te questionas e questionas o que te rodeia ou embarcas na facilidade,
ficas na superfície e Jesus será mais ou menos uma imagem, um bonequinho, mais
menos bonito que tu te enlevas a contemplar e ficas nisso.
Um outro pormenor essencial. Para o teu Natal ser total, tem
de haver encontro. Os pastores, na sua condição, encontraram-no. Jesus foi
resposta, Boa nova para eles. Também o será para nós. Não estamos na
contingência dos pastores, mas estamos embarcados na mesma situação que precisa
de ser humanizada.
Garanto-te: Jesus é acção.
Um abraço. Bom Natal.

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