O tribunal administrativo de Estrasburgo deve se pronunciar sobre o caso da viúva de um padre que quer receber a aposentadoria de seu marido.
O Tribunal Administrativo de Estrasburgo vai se pronunciar quarta-feira sobre o pedido da viúva de um padre, mãe de seus dois filhos, que reclama do Estado uma pensão de reversão, isto é, os direitos à pensão de seu marido. O Estado já paga essa pensão às viúvas dos rabinos e aos viúvos e viúvas de pastores da Alsácia e de Mosela, ainda sob regime concordatário (sem separação da Igreja e do Estado).
"Ela tem razão em perturbar a hierarquia", congratula-se Dominique Venturini, presidente da Plein Jour -Pleno Dia-, uma organização que oferece apoio às companheiros de sacerdotes, entrevistado pelo Sipa sobre este assunto. Ela mesma teve, por 42 anos uma história de amor com um padre que nunca deixou a batina.
"Uma instituição sectária"
Dominique guarda um profundo sofrimento por não ter podido se casar e ter filhos. "Isto foi uma vida de mulher amputada pela clandestinidade", diz ela. Hoje, ela ajuda "as pessoas que sofrem. É uma devastação terrível a vida destas mulheres e filhos" de sacerdotes, testemunha ela. "Eu não trago a instituição no meu coração, ela é sectária, a influência sobre os sacerdotes é colossal, a Igreja quer manter a sua reputação", denuncia ela. E citou o exemplo de uma mulher que recentemente foi "ao encontro do bispo diocesano com o seu companheiro, quando ela estava grávida. Ele, então, aconselhou a abortar ou dar à luz em outro cidade e a colocar a criança em uma instituição religiosa, para evitar escândalo ", suspira ela, amargurada.
A influência e autoridade dos sacerdotes é colossal, a Igreja quer manter a sua reputação como "um qualquer custo, ela denuncia. Ele citou o exemplo de uma mulher que recentemente foi falar com o bispo diocesano com a sua companheiro, quando ela estava grávida. O bispo, então, aconselhou a abortar ou dar à luz em outra cidade e colocar a criança em uma instituição religiosa, para evitar escândalo ", suspira ela, com amargura.
Várias centenas de mulheres na França
Essas mulheres ignoradas e rejeitadas pela Igreja Católica seriam várias centenas na França. É muito difícil obter números por causa de sua clandestinidade. Segundo a Federação Europeia de padres casados, que compreende várias associações, incluindo três na França, desde os anos 70 "mais de 100 mil padres católicos em todo o mundo (...), ou seja, um quarto do clero católico mundial, se casaram ou foram obrigados a sair de seu ministério, e às vezes até do lugar onde moravam, de suas famílias e de suas casas ", escreve a Federação em seu site, sem especificar a origem destes números.
A questão da abertura do casamento aos padres volta regularmente à ordem do dia. A Igreja católica romana recusa essa questão categoricamente. E continua a perseguir os padres não-celibatários. Em setembro de 2011, a foto de Rémi Bouriaud, um padre de 70 anos, apareceu nas colunas de vários jornais por ter sido demitido do seu ministério pelo bispo de Nantes, depois de mais de 10 anos de vida comum com uma mulher .
Uma questão de direito local
No caso de Estrasburgo, segundo o advogado da viúva, trata-se mais de uma questão jurídica raríssima de direito local, levantada pela Sipa, do que de um apelo ao reconhecimento de uma mulher de padre. Isto levanta, queiramos ou não, a questão dos sacerdotes reduzidos "ao estado laical", após se casarem com sua companheira. No caso levado à Justiça hoje, o padre aposentado recebia sua pensão depositada pelo Ministério do Orçamento.
Quando ele morreu, em 2010, sua viúva não teve direito a nada. Motivo: a lei local, na Alsácia e na Mosela, não prevê a reversão da pensão para as viúvas dos padres, ao contrário das viúvas e viúvos de rabinos e pastores que são consideradas parte dos funcionários locais para seus salários e pensões, a partir da lei 15 nov 1909, uma lei promulgada sob o Império Alemão. De fato, não é costume os padres terem mulher. Neste caso, a decisão favorável do Tribunal de Administrativo de Estrasburgo criaria um precedente para mulheres de padres na Alsácia e Mosela, que poderiam esperar receber pensões do Estado.
No resto do Hexágono, além de suplementos pagos pelas dioceses, as pensões são pagas pelo CAVIMAC, a Caixa de seguros de velhice, invalidez e doença dos cultos, uma organização sob a supervisão do Estado. "Às vezes acontece que as mulheres de ex-padres recebem uma reversão de pensão dos maridos falecidos", disse Haïhau Longo, gerente de aposentadoria CAVIMAC, sem ser capaz de fornecer números e montantes à Sipa. "É caso a caso. Eles a recebem da mesma forma que elas também podem receber uma da caixa de regime geral", no caso em que, por exemplo, o seu marido tinha exercido a função de professor, depois de padre.

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