Aquele que está para além de todos os nomes conhece o teu nome




Por P.e Dennis Clark, in Catholic Exchange
Há uma lenda do Oriente sobre um viajante que se dirigia para uma grande cidade. Uma noite conheceu dois outros caminhantes. Um chamava-se Medo e outro Calamidade. Calamidade explicou ao viajante que, quando chegassem ao destino, esperava-se que matassem 10 mil pessoas. O viajante perguntou à Calamidade se iria encarregar-se sozinho de toda a matança.
“Não, de todo”, respondeu Calamidade. “Eu só vou matar umas centenas. O meu amigo Medo acabará com os restantes.”


Quanto da nossa vida é morta ou roubada pelo medo? Não aqueles medos de coisas como um holocausto nuclear, mas medos pequenos e insignificantes que lentamente devoram as melhores partes da vida: Será que o novo professor me vai detestar? De certeza que eles vão gozar com o meu discurso? Vou reprovar no exame!

Mas o medo não é o único ladrão que se esconde dentro de nós. Há um exército inteiro de pequenos parasitas que nos podem enganar: ressentimentos causados por desfeitas ocorridas há muito tempo; zangas originadas por disputas fúteis; competição cruel por coisas secundárias; cortes de relações motivadas por teimosias acerca de questões irrisórias; deceções que debilitam toda a existência.

Como é que podemos escapar das garras deste ardiloso bando de gatunos? Podemos começar por fazer algo muito simples: levantar os olhos e olhar para o céu. Há 50 biliões de galáxias no espaço, algumas afastando-se de nós a milhões de km por hora! Com o telescópio Hubble podemos ver a luz que as estrelas mais distantes emitiram há 12 biliões de anos! Algumas já morreram há milhões de anos mas só agora é que a sua luz chega até nós. Parece que este imenso universo não tem fim, não tem margens, não tem limites! E ainda assim, com toda a sua vastidão e idade, não passa de uma criação, de algo feito por alguém.

E sobre este alguém, o Criador? Chamamos-lhe “Deus”, mas na verdade Ele é demasiado grande para ser nomeado ou sequer imaginado. Diante do Criador deste imenso e antigo universo, parecemos apenas pontinhos minúsculos. Mas mesmo assim Ele diz-nos que o nome de cada um de nós está escrito na palma da sua mão e que conhece todos os cabelos da nossa cabeça. Para além de toda a compreensão, chama-nos “filhos” e quer que façamos parte da sua família para a eternidade.

O que é que devemos temer? Se deixarmos que Deus seja Deus para nós, de que é que devemos ter medo? Quem nos pode tirar a vida? Ou a alegria? Ninguém, a não ser nós próprios!

Somos feitos à semelhança de Deus, com o poder de amar e dar vida e felicidade. O nosso trabalho para toda vida, cada um à sua maneira, é este: darmos a vida uns pelos outros tal como Deus no-la dá continuamente.

O nosso destino está para além de todas as expetativas humanas. Que neste dia e para sempre Deus nos ajude a ser fiéis a esse fim último.

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