A fé não é para nos instalar e acomodar
Por P.e José Luís Rodrigues - Funchal
Antes de qualquer reflexão,
vejamos um cartão e uma surpresa: «Um jovem universitário viajava no mesmo
banco de transporte com um venerável ancião que ia a rezar o seu rosário. O
jovem atreveu-se a dizer-lhe: “Por que é que, em vez de rezar o rosário, não se
dedica a aprender e instruir-se um pouco mais? Eu posso enviar-lhe um livro
para que se instrua”.
O ancião disse-lhe:
“Agradecer-lhe-ia que me enviasse o livro para esta direcção, e entregou-lhe o
seu cartão. No cartão, lia-se: Luís Pasteur, instituto de Ciências de Paris. O
universitário ficou envergonhado. Tinha pretendido dar conselhos ao mais famoso
sábio do seu tempo, o inventor das vacinas, estimado em todo o mundo e devoto
do rosário”.
A fé não é para nos instalar e
acomodar no que fazemos e no que somos. Somos fruto do ambiente e a história
pessoal de cada um tem muito que ver com as influências que o ambiente onde
nasceu proporciona. São, no fundo, os outros que nos fazem. As influências
externas a nós são muito importantes para a constituição da nossa idiossincrasia.
Nada somos sem o mundo à nossa volta. Não é possível imaginar uma vida sem os
outros, sem amor aos outros e muito menos sem o amor que os outros tenham por
nós. Ao contrário desta realidade, é a solidão e o abandono, que ditarão o
drama mais cruel que uma pessoa pode enfrentar. A vida não é sem a relação com
os outros. E consequentemente a fé também não se concebe sem esta abertura aos
outros.
Se a nossa existência não é sem a
dimensão social, o que seria sem aquilo que Deus nos deu, isto é, a nossa inteligência,
as nossas qualidades e capacidades? – Somos o ambiente mais tudo aquilo que a
criação nos presenteou. Tudo deve convergir para a formação de uma identidade
própria, individual que deve ser valorizada e plenamente integrada no modo de
ser de cada pessoa.
O antigo Bispo do Porto, D.
António Ferreira Gomes dizia: «Somos como o canhão, recuamos para que o
projétil vá ainda mais longe.»
E reparemos na frase de Martin Buber: «Deus não me pedirá contas de não ter sido Francisco de Assis ou mesmo Jesus Cristo. Deus vai pedir-me contas de eu não ter sido completa e intensamente Martin Buber.»
A fé em Deus não é uma poltrona onde nos acomodamos no quentinho da insensibilidade nem muito menos a instalação nas seguranças todas da inconsciência, antes deve ser a descoberta da força e coragem para enfrentar todos os desafios deste mundo.
E reparemos na frase de Martin Buber: «Deus não me pedirá contas de não ter sido Francisco de Assis ou mesmo Jesus Cristo. Deus vai pedir-me contas de eu não ter sido completa e intensamente Martin Buber.»
A fé em Deus não é uma poltrona onde nos acomodamos no quentinho da insensibilidade nem muito menos a instalação nas seguranças todas da inconsciência, antes deve ser a descoberta da força e coragem para enfrentar todos os desafios deste mundo.

Comentários
Enviar um comentário