A fé não é um ornamento do corpo
ou de sala
Por P.e José Luís Rodrigues - Funchal
A fé não é uma bijuteria que
ostentamos em qualquer sítio do nosso corpo como uma coisa qualquer que
embeleza ou nos revela um sentimento qualquer. Também, não é um ornamento que
colocamos sobre qualquer móvel da sala da nossa casa. Bem sei que em muitos
recantos das casas, nos carros e até sobre o corpo encontramos imagens de
Jesus, de Nossa Senhora, dos Santos, pagelas, cruzes, terços e outros objectos
religiosos que invocam ou convocam para a manifestação de que por perto há
pessoas crentes ou devotas. Nada disto é sinal que estamos perante pessoas que
sejam em geral esclarecidas na sua fé ou que esses sinais são sinónimo de uma
fé verdadeira em Deus e no Seu projecto de salvação que desinstale cada crente
a viver de forma autêntica e militante a sua vida no caminho da fé. Nada de
generalizações nem muito menos juízos de valor. Antes uma análise e uma
tentativa para situar a fé no caminho que liberta e não apenas valorizar
aspectos que antes de salvarem oprimem e massacram tantas vezes a consciência
das pessoas.
Muitas destas manifestações são
sinal de muita superstição. Obviamente, que não devemos generalizar nem para um
lado nem para o outro. Não generalizamos que todos os que usam os ornamentos
religiosos são todos uns supersticiosos nem também devemos considerar que são
os maiores e os melhores crentes. Haverá de tudo neste ambiente da ornamentação
religiosa. Até haverá imensos que consideram tais objectos uma bela
oportunidade de negócio e que são peças de arte como outras coisas que existem
por aí no domínio da arte que só servem para serem apreciadas artisticamente e
para embelezar as salas das casas e o património dos nossos requintados museus.
A fé precisa de manifestação
pública, com certeza… Precisa de alimento e cada pessoa deve descobrir a melhor
forma como alimenta essa força que anima a sua alma. Porém, nunca deve centrar
esse alimento no ornamento que apresenta. Tais ornamentos não são um fim em si
mesmos, mas mediação, meios sentimentais que ajudam à descoberta do essencial,
a relação misteriosa, pessoal com o transcendente. Quando os ornamentos se
convertem em fins em si mesmos, a fé coisifica-se e facilmente cai no
fundamentalismo, na superstição e quando o que se deseja não aconteceu, não
tarda nada o desencanto e a desilusão.
A fé é uma descoberta da nossa
dimensão espiritual, divina. Nós, pelo facto de sermos cristãos, descobrimos
Jesus Cristo, para nos dar sentido à vida e nos animar numa força interior para
nos fazer mais firmes na esperança, animados na luta pela justiça e sonhadores
no mundo novo cujo alicerce principal é a fraternidade.
Esta fé encontra os mais variados alimentos e se quisermos os mais variados ornamentos, mas antes de tudo implica uma interioridade que se expressa na densidade da comunidade fraterna e no encontro com os outros como semelhantes e irmãos. Esta fé não precisa muito de ornamentos exteriores manifestados nos mais variados objectos nem muito menos de manifestações exacerbadas de folclore religioso. A fé não é um ornamento. Mas uma realidade interior que nos eleva para a densidade do mistério que se enriquece, no nosso caso, numa relação pessoal com Jesus Cristo ressuscitado e no Seu Evangelho.
Esta fé encontra os mais variados alimentos e se quisermos os mais variados ornamentos, mas antes de tudo implica uma interioridade que se expressa na densidade da comunidade fraterna e no encontro com os outros como semelhantes e irmãos. Esta fé não precisa muito de ornamentos exteriores manifestados nos mais variados objectos nem muito menos de manifestações exacerbadas de folclore religioso. A fé não é um ornamento. Mas uma realidade interior que nos eleva para a densidade do mistério que se enriquece, no nosso caso, numa relação pessoal com Jesus Cristo ressuscitado e no Seu Evangelho.
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