1. Em defesa de uma “fé sem religião”, muita gente afirma que qualquer instituição é perversa pelo simples facto de ser instituição, onde uns se impõem aos outros. Algo como: os pais são necessariamente opressores dos filhos porque são os cabeças da instituição familiar.
2. Na mesma linha, muitas pessoas defendem bons valores, mas
ao mesmo tempo fazem de tudo para negar a origem eclesial desses mesmos
valores.
3. Aquilo de que o mundo precisa é que trabalhemos em conjunto,
crentes e descrentes, em prol de valores comuns. Contudo, há gente sem fé
que se desvela pelos outros, assim como há gente com fé que se omite.
4. Muitos tendem a desacreditar a ação e mensagem da Igreja pelos erros cometidos no passado.
5. Por outro lado, muitos exigem que a Igreja exija respeito e que quem a critica melhore o conhecimento que tem dela. Porque, imensas vezes, o que se pretendia que fosse uma crítica positiva acaba por ser ofensa, porque a indelicadeza é proporcional à ignorância.
6. É urgente ajudar as pessoas a perceberem que uma fé sem
suporte institucional não é fé, mas fabricação ideológica a serviço dos
próprios interesses egoístas. A fé, nos a herdamos, recebemos, transmitimos. Quem
cria a própria fé à margem da Igreja é como um psicótico que transforma as
próprias alucinações em fragmentos de realidade.
7. A fé sem suporte institucional não é fé. Uma fé construída pelo próprio interessado, ao seu
bel-prazer, é um evangelho falso, pois o assim "crente" padece do
orgulho intelectual de decidir o que é certo e o que é errado.
8. O individualismo ocidental reduziu a fé a mera confiança - e, atualmente, basta dizer «tem de acreditar em mim», mesmo que a noticia ou os argumentos sejam falsos ou enganadores - e recusa-se a tradição.
9. A falsificação da fé só produziu
efeitos nefastos: cada um interpreta a Palavra de Deus a seu gosto, e chega-se a uma religião de aparência de psicologia, de auto-ajuda.
10. A fé é recebida, comunicada e vivida em contexto de comunidade eclesial, não é um ato meramente pessoal. Quando a sociedade descrê da Igreja, também põe em causa o que ela recebeu e transmitiu ao longo dos seus 2000 anos: um conteúdo de fé (verdades dogmáticas e princípios morais), ao qual se dá
assentimento por se confiar em quem o revela (Deus) e em quem o transmite (a
Igreja).
11. Aqueles, porém, que pretendem crer à margem da Igreja, às vezes mesmo afirmando que só confiam na Ciência, acabam por dar crédito a
meros sentimentos e impressões acerca de todos os assuntos. Na verdade, não creem em nada, porque a própria Ciência não vive de certezas, mas de hipóteses.
12. Continuando o parágrafo anterior, é impossível separar a fé da
religião, pois a fé exige o suporte da mediação de outros. Por outras palavras, como pode alguém prestar fé a si mesmo? A fé é confiar na Palavra de Deus, que não pode mentir. O próprio Jesus apelou para o Pai: «Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim; mas se as faço, embora não queirais acreditar em mim, acreditai nas obras, e assim vireis a saber e ficareis a compreender que o Pai está em mim e Eu no Pai» (João 10, 37-38).
13. Vários conceitos cristãos multisseculares têm sido adotados por filosofias, ideologias políticas, correntes psicológicas e chegam a ser utilizados contra a própria Igreja, como os valores da revolução francesa, por exemplo. Assim, ela recebe críticas por coisas que já propõe, mas parece que não são património dela.
14. Em última análise, o gosto por declarar-se ateu, agnóstico ou sem religião pode ser sinal de cultivo exagerado do ego, da cultura do bem-estar sem compromisso, sem se confrontar com os deveres pessoais, sem prestar contas a ninguém.
redação Fraternitas Movimento

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