PRESÉPIO ABERTO, por Bento Domingues



A banalização ou a ocultação dos presépios escondem as teologias das construções literárias do presépio dos evangelhos de S. Mateus e de S. Lucas. Reflectem, ambos, um debate interno ao próprio judaísmo. As primeiras gerações dos discípulos de Jesus eram formadas por mulheres e homens judeus que desejavam abrir por dentro o próprio judaísmo. O presépio reflecte o que se passou na vida adulta de Jesus e na construção das comunidades com a presença do mundo pagão.

Jesus não nasce na cidade de Jerusalém, centro do poder político e religioso.

Os pastores representam, precisamente, os que não frequentavam o culto oficial e são os primeiros a chegar ao presépio.

Os Magos passam por Jerusalém, mas não ficam lá. A estrela desloca-os para a periferia, significando que se trata não de um fenómeno astronómico, mas teológico.

Se os judeus da religião ortodoxa não reconhecem Jesus, os Magos, pagãos, procuram-no.

Jesus, com Maria e José, depois da viagem pelo Egipto não vão morar no templo. Vão trabalhar para Nazaré, no meio de toda a gente.

O presépio realiza, em miniatura, o que foi a revelação de Jesus na sua vida adulta: Deus anda à solta e faz a sua morada, o seu templo, onde menos se espera e faz família com quem não é da família.

Falta-nos construir o presépio de Cristo no qual todos os seres humanos, na diversidade de todos os povos, culturas e religiões possam dizer: somos um só mundo.


Frei Bento Domingues | Público 

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