A fé não é uma forma de exercer o
poder
A ambição do poder, é um pecado
que acompanha todos de alguma forma frequentemente. Muitas das grandes e das
pequenas guerras têm por detrás esta ambição. A ambição do poder gerou nos
discípulos a cegueira do entendimento, também muitas vezes a ganância de querer
dominar e de ter a supremacia sobre os outros gera a cegueira do entendimento e
a razoabilidade torna-se uma miragem perigosa.
Face à incompreensão dos discípulos
sobre o que dizia respeito ao poder, Jesus recorre a uma explicação dramática
sobre o seu futuro. O Filho do Homem vai ser entregue e vai ser morto, mas três
dias depois de morto vai ressuscitar. O carácter dramático da explicação
pretende ensinar que a lógica do Reino de Jesus é outra completamente distinta
da lógica deste mundo. O maior no Reino de Deus deve ser o último. Isto é,
aquele que tem mais autoridade ou poder deve considerar-se o menor, porque deve
dar muito mais no que diz respeito ao serviço e disponibilidade.
A imagem da criança que Jesus
coloca no meio deles (dos discípulos) é bem sintomática da Sua pretensão. Antes
mais percebemos que a criança representa tudo o que há de pureza, de
simplicidade e de humildade, por isso, todos devem procurar viver os valores
que a criança representa. Ao acolher desinteressadamente, cada um contribui
para que o Reino de Deus seja de verdade uma fraternidade que se vive no amor e
na justiça.
Os males sociais que nos
acompanham têm por base principal a ambição do poder. Muitas das brigas
familiares são uma luta de poder, as empresas, os grupos sociais e políticos
lutam entre si não porque desejam servir mais e melhor, mas antes para dominar
tudo e todos com a força do poder. Daí que o slogan «servir o povo» se tenha
tornado numa pura falácia ideológica e numa cruel demagogia política. Não
convencem ninguém, as palavras associadas à ideia de serviço que muitos grupos
políticos, económicos e sociais tentam fazer chegar até nós pelos meios de
comunicação social. As palavras ligadas à ideia do serviço gastaram-se por
causa dos contra testemunhos constantes.
A ideia do serviço devia enformar
o coração de todos para que muitas das guerras e divisões que o nosso meio
apresenta desaparecessem por completo. Por isso, chegou a hora de perceber que
o poder cega a compreensão e não permite viver a misericórdia face às
limitações da vida. As confusões desordeiras que muitas vezes levam às divisões
terríveis entre as famílias, requerem uma lucidez constante para se aceitar as
coisas com disponibilidade e com espírito de serviço com base no amor.

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