Discurso do Papa
Francisco aos cardeais
Nestes dias (do Conclave), pudemos sentir quase de forma tangível o
afeto e a solidariedade da Igreja universal, bem como a atenção de muitas
pessoas que, mesmo não compartilhando nossa fé, vêem com respeito e admiração a
Igreja e a Santa Sé. De todos os cantos da terra, se elevou a oração ardente e
harmoniosa do Povo cristão pelo novo Papa, deixando-me comovido o meu primeiro
encontro com a multidão reunida na Praça de São Pedro. Com esta sugestiva
imagem do povo orante e jubiloso ainda gravada na minha mente, quero expressar
a minha sincera gratidão aos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas,
aos jovens, às famílias, aos idosos, pela sua solidariedade espiritual tão
sentida e fervorosa.
(…)
Sentimos que Bento XVI
ascendeu no fundo dos nossos corações uma chama: esta vai continuar a arder,
porque será alimentada pela sua oração, que sustentará a Igreja no seu caminho
espiritual e missionário.
Amados Irmãos Cardeais, (…)
animados por um profundo sentido de responsabilidade e sustentados por um
grande amor a Cristo e à Igreja, rezamos juntos, partilhando fraternamente os
nossos sentimentos, as nossas experiências e reflexões. Foi neste clima de
grande cordialidade que cresceu o conhecimento recíproco e a abertura mútua; e
isto é bom, porque nós somos irmãos. Alguém me dizia: os Cardeais são os padres
do Santo Padre. Aquela comunhão, aquela amizade, aquela proximidade nos fará
bem a todos. E este conhecimento e esta abertura mútua nos facilitaram a
docilidade à ação do Espírito Santo. Ele, o Paráclito, é o protagonista supremo
de cada iniciativa e manifestação de fé. É curioso: me faz pensar, essa
realidade. O Paráclito cria todas as diferenças nas Igrejas, e parece que seja
um apóstolo de Babel. Mas, por outro lado, é Ele que cria a unidade nestas
diferenças, não na "igualitariedade", mas na harmonia. Lembro-me de
um Padre da Igreja que O definia assim "Ipse harmonia est". É o
Paráclito quem dá a cada um de nós os diversos carismas, que nos une nesta
comunidade que é a Igreja, que adora ao Pai, ao Filho e Ele, o Espírito Santo.
Partindo justamente do
afeto colegial autêntico que une o Colégio Cardinalício, exprimo a minha vontade
de servir o Evangelho com renovado amor, ajudando a Igreja a tornar-se, cada
vez mais, em Cristo e com Cristo, a videira fecunda do Senhor. Estimulados
também pela celebração do Ano da Fé, todos juntos, Pastores e fiéis, nos esforçaremos por responder fielmente à
missão de sempre: levar Jesus Cristo ao homem e conduzir o homem para que se
encontre com Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, realmente presente na
Igreja e contemporâneo em cada homem. Este encontro leva a nos tornarmos homens
novos no mistério da graça, suscitando na alma aquela alegria cristã que
constitui o cêntuplo dado por Cristo a quem que O recebe na própria vida.
Como o Papa Bento XVI nos
lembrou tantas vezes nos seus ensinamentos e, por fim, com o seu gesto corajoso
e humilde, é Cristo que guia a Igreja através do seu Espírito. O Espírito Santo
é a alma da Igreja, com a sua força vivificadora e unificante: faz de muitos um
só corpo, o Corpo místico de Cristo. Não
cedamos jamais ao pessimismo, a esta amargura que o diabo nos oferece cada dia;
não cedamos ao pessimismo e ao desânimo: tenhamos a firme certeza de que o
Espírito Santo dá à Igreja, com o seu sopro poderoso, a coragem de perseverar e
também de procurar novos métodos de evangelização, para levar o Evangelho até
os últimos confins (cf. At 1,8). A verdade cristã é fascinante e persuasiva,
porque responde à necessidade profunda da existência humana, anunciando de modo
convincente que Cristo é o único Salvador do homem todo e de todos os homens. Este
anúncio permanece válido hoje como o foi nos primórdios do cristianismo, quando
se realizou a primeira grande expansão missionária do Evangelho.
Amados Irmãos, coragem! A
metade de nós está em idade avançada: a velhice é – gosto de dizê-lo assim – a sede da sabedoria da vida. Os idosos têm
a sabedoria de ter caminhado na vida, como o velho Simeão, como a idosa Ana no
Templo. E justamente aquela sabedoria fez com que eles reconhecessem Jesus. Entreguemos
esta sabedoria aos jovens: como o vinho bom, que com os anos torna-se melhor,
demos aos jovens a sabedoria da vida. Vem-me a cabeça aquilo que um poeta
alemão dizia da velhice: "Es ist ruhig, das Alter, und fromm": é o
tempo da tranquilidade e da oração. E é também o tempo de dar aos jovens esta
sabedoria.
Papa Francisco, 15 de
Março de 2013

Caro amigo Pe. Fernando, saudações amigas.
ResponderEliminarParece que temos de escolher que tipo de vinho queremos beber.
Um abraço.
Campos de Sousa