http://www.retirosonline.blogspot.pt/2013/02/3-dia-de-retiro-28-fevereiro-o-amor.html
Bom dia, Pai
Obrigada.
Pelo dom da Vida e pelo
dom do Amor.
Por este Retiro e por
esta Família Verbum Dei.
Queremos pedir-Te que nos
ensines a Amar. Amar sempre, até ao fim.
E a acreditar. A
acreditar que o Teu Amor terá, sempre, a última Palavra.
E que o Amor que vivemos
permanece mesmo para sempre.
Amén!
A Palavra de Deus
O amor jamais passará.
As profecias terão o seu
fim,
o dom das línguas
terminará
e a ciência vai ser
inútil.
Pois o nosso conhecimento
é imperfeito
e também imperfeita é a
nossa profecia.
Mas, quando vier o que é
perfeito,
o que é imperfeito
desaparecerá.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei
homem,
deixei o que era próprio
de criança.
Agora, vemos como num
espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a
face.
Agora, conheço de modo
imperfeito;
depois, conhecerei como
sou conhecido.
Agora permanecem estas
três coisas:
a fé, a esperança e o
amor;
mas a maior de todas é o
amor.
1 Cor 13, 8-13
Pistas de Oração
A nossa vida é composta
de muitas realidades: solidão, família, trabalho, casa, amigos, sociedade, fé,
tristeza, revolta, zanga, alegria, esperança, igreja, doença, dinheiro,
entrega, egoísmo, partilha, convívio, etc… Múltiplos fatores, sentimentos,
emoções e circunstâncias.
Mas… “O amor jamais
passará.”
Sim, no fim de tudo isto
que vivemos, no fim desta nossa vida terrena, já início de Vida Eterna, aquilo
que fica, a única coisa que fica, é o Amor que pomos naquilo que vivemos. Tudo
o resto passará, acabará.
Mas que Amor é este?
Escrevo-o com letra maiúscula
porque penso que vivemos muitos amores, mas este Amor que permanece, que não
acaba nunca, que não arrefece nunca, este Amor é o Amor de Deus. Só o Amor de
Deus permanece para sempre. Só este Amor, com que somos amados e com o qual,
por isso mesmo, somos chamados a amar. Sim, porque somos amados com este Amor,
somos capazes de amar com este Amor. Só por isto. Só porque a relação amorosa e
afetiva que temos com Deus, esse encontro que nos plenifica o coração, nos faz
amar desta mesma maneira. É o próprio Jesus que o diz:” Permanecei em Mim, que
Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só
permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes
em Mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em Mim e Eu nele, esse
dá muito fruto, pois, sem Mim, nada podeis fazer.” (Jo 15, 4-5)
Só este Amor é, como diz
a leitura de Coríntios, perfeito. E porque é perfeito (e já temos visto ao
longo destes dias algumas das suas qualidades (Amor que entrega, que partilha,
que perdoa, que converte, que transforma, que aceita, que cura, que cativa, que
salva) permanece para sempre.
Rezo esta leitura e o meu
coração enche-se de alegria e gratidão.
Por me saber amada desde
sempre e para sempre.
Por reconhecer que há Alguém
que me ama e que, por isso, permanece, mesmo quando eu falho, mesmo quando eu
peco, mesmo no limite enorme da minha imperfeição, mesmo no buraco negro da
minha falta de sabedoria e compreensão. Por confiar que um dia, com certeza
depois desta vida, a perfeição do Amor de Deus fará o meu imperfeito
desaparecer.
Por tomar consciência de
que esse dia pode começar já hoje, aqui e agora. A Sua perfeição pode já ir
abarcando a minha imperfeição, desde que eu me disponibilize a caminhar neste
Amor com que sou amada. É isto que sinto que o Senhor me quer dizer hoje: “Este
Amor com que Eu Te amo não acaba nunca, nem se interrompe. É constante,
permanente e perseverante. E, por isso te convido a amar da mesma maneira”
E aqui paro!
O meu amor é constante?
E quando não tenho mais
pachorra para aturar aquele familiar?
E quando aquele amigo me
traiu?
E quando me rendo e baixo
os braços, porque me farto de lutar contra a corrente?
E quando o meu amor é
ineficaz ou ineficiente porque aquela pessoa já não pode mesmo dar mais (até
por questões físicas e de saúde)? Esta questão tem-me ocupado bastante nestes
últimos tempos. Penso que vivemos demasiado preocupados com a eficiência do
nosso Amor. E que aquilo a que o Senhor nos convida é a viver um Amor presente
(constante, perseverante) e não um Amor eficiente. Por um lado, porque só este
amor presente pode ser, ou tornar-se, eficiente. E, por outro, porque na
verdade não temos possibilidade de aferir da eficiência dos nossos atos. Porque
aquilo que nós queremos ou esperamos pode não ser o mesmo que o Senhor quer ou
espera. Porque aquilo que queremos como resultado pode não ser aquilo que o
Senhor quer. Porque aquilo que nós consideramos bom, nem sempre é o que nos
convém – “E é por isto que eu rezo: para que o vosso amor aumente ainda mais e
mais em sabedoria e toda a espécie de discernimento, para vos poderdes decidir
pelo que mais convém, e assim sejais puros e irrepreensíveis para o dia de
Cristo, repletos do fruto da justiça, daquele que vem por Jesus Cristo, para
glória e louvor de Deus.” (Fil 1, 9-11) E porque tantas vezes os resultados
ocorrerão muito tempo depois, em circunstâncias muito diferentes, onde o nexo
de causalidade é quase impossível de estabelecer (está lá mas só visível aos
olhos de Deus) – “Nisto, porém, é verdadeiro o ditado: ‘um é o que semeia e
outro o que ceifa’”. (Jo 4, 37)
Por tudo isto, sinto que
o convite hoje é a viver um Amor presente e permanente, dando tudo aquilo que
somos ao mais pequeno que fazemos, sem olhar aos resultados. Como Deus faz
connosco. Apostando sempre. Confiando sempre. Dando sempre. Esperando sempre.
Estando sempre.
Percorramos o caminho
deste Amor a que o Senhor nos convida e deixemos o “depois” nas Suas mãos.
Só ele nos dá a confiança
de que permanece para sempre e de que não falha nunca.
Só este Amor é digno de
Fé.
Para ser grande, sê
inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe
quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua
toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis
(heterónimo de Fernando
Pessoa)
Propostas para viver este
dia em oração
- Organizar o meu dia de
forma a ter um espaço de silêncio, de pelo menos 30 minutos, para estar, a sós,
em oração, com Aquele que mais me ama e que é quem melhor me pode ensinar e
ajudar a amar.
- Voltar a investir em
alguém ou nalguma coisa de que tenha desistido. E voltar a fazê-lo com a
perseverança e a esperança que o Amor do Senhor me convida a viver.
- Acender uma vela. Que
esta luz ilumine a minha forma de Amar, até ao fim, e me ensine a viver a
Oração da Serenidade: Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos
modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e Sabedoria para
distinguir umas das outras.
Porque em todas estas
situações, as que podemos mudar e as que já não têm remédio, somos chamados a
fazer as únicas coisas que podemos sempre fazer: Rezar e Amar.

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