Os padres "Rebeldes" alertam que, sem reformas, a Igreja vai perder fieis,



Antonio Sanchez Solis
lainformacion.com | domingo | 14/04/13
Foto: EFE

Milhares de sacerdotes na Europa e nos Estados Unidos se uniram um um apelo à "desobediência" da hierarquia em que não vêem uma heresia, mas uma advertência: se o papa Francisco não apressar a modernização da Igreja, os católicos, decepcionado, a abandonarão em massa.

"A insatisfação atingiu o núcleo, incluso as camadas mais leais que vão à igreja todos os domingos", diz,  numa entrevista à EFE, Helmut Schüller, porta-voz do grupo de padres austríacos que, em 2011, se rebelou contra o Vaticano e começou uma movimento a que já se juntaram 3.500 párocos na Europa e nos EUA.

A chamada "Iniciativa de Párocos", publicou em junho de 2011 um manifesto em que "perante a recusa de Roma a uma reforma há muito tempo necessária", se declarava obrigada a seguir sua própria consciência e a agir de forma independente dos ditames do Vaticano.

Apoiar a ordenação de mulheres e casados, dar a comunhão a todos os "fiéis de boa vontade", mesmo divorciados, e permitir que os leigos também preguem a palavra de Deus, são algumas das "desobediência" a que se comprometeu um grupo de padres que hoje já soma 430, 14 por cento do total da Áustria

O apoio de cerca de 1.000 padres na Irlanda e EUA, cerca de 700 na Alemanha, mais de 540, na Suíça, e os contatos com a América Latina, especialmente com o Brasil, e com a África, tem feito destes desobedientes a principal ameaça à hierarquia do Vaticano.

O pároco Schüller, cuja rebelião foi punida com a retirada do título de "monsenhor" está esperançoso de que a eleição de Francisco suponha o início da abertura da Igreja, mas advertindo que há forças, liderada pelo Opus Dei, que não vão fazer a vida fácil.

Apesar de reconhecer que ainda não está claro se o Papa quer iniciar estas reformas, Shüller, que foi, nos anos 90, diretor da Cáritas da Áustria, considera que Jorge Mario Bergoglio "se impôs uma grande pressão sobre as expectativas."

"Estamos com interesse, não queremos ser rudemente impacientes, mas logo tem que haver sinais", confidencia Schüller, pois, caso contrário, pode haver um efeito negativo.

"Se essa esperança for decepcionado, duas coisas vão acontecer: muitos se vão afastar da Igreja e aqueles que ainda querem mudanças com certeza vão endurecer", assegura ele.

Em qualquer caso, se Francisco se a fazer mudanças, Schüller acredita que o papa terá de procurar ajuda e enfrentar as congregações mais conservadoras, como a Opus Dei, Comunhão e Libertação e os Legionários de Cristo.

"É claro que, para a Opus Dei (a eleição de Francisco) foi uma derrota. Mas o sistema ainda está lá, há um monte de poder e de dinheiro, há muitos interesses. Quase que é preciso ter um pouco de medo pelo papa, não deixa de ser perigoso", adverte ele.

"Há décadas, a administração (do Vaticano) é fortemente controlado por esses movimentos", explica ele.

"O maior poder desses grupos consiste em não fazer nada, como fizeram com o Concílio Vaticano II, quando eles simplesmente não se aplicou o que foi acordado", lembra ele.

Segundo Schüller, seja quem for que tente reformar coisas no Banco do Vaticano e que "lá acontece por baixo dos panos" vai deparar com gente dura "que não faz barulho".

Schüller encoraja o papa a buscar o apoio dos bispos e a  transformar eu Sínodo em um órgão de co-governo da Igreja.
Nesta luta de poder e interesses, o ex-Vigário Geral insiste que o pilar essencial da Igreja são as comunidades.
"As paróquias ativas são o elemento mais importante da Igreja" e precisam de apoio e de sacerdotes disponíveis, destaca.

"Se essa é a prioridade, como se pode permitir que só os homens sejam sacerdotes, ou expulsar homens de talento, simplesmente porque eles não estão dispostos a não casar?" expõe ele, lembrando que estes são os motivos mais importantes do seu chamado à desobediência .

Schüller compara o afastamento da Igreja com os seus paroquianos com a proximidade e a facilidade de acesso que faz com que os cultos evangélicos ganham terreno na América Latina.

Quem foi defensor das vítimas de abusos sexuais na diocese de Viena rechaça que sua iniciativa seja cismática e garante que exatamente essa demonstração de que se pode ser crítico dentro da Igreja, fez com que muitos fiéis não a abandonassem.

Quanto ao fato de o movimento de "desobediência" não ter tido sucesso ainda na Itália, Espanha e Europa Oriental, Schüller adverte que essa onda ainda vai chegar lá e lembra que em Portugal "a Igreja e o povo eram uma coisa só" e, apesar disso, a Irlanda agora é um dos eixos do movimento rebelde.

Algo relacionado com a perda de confiança na Igreja por causa das
ocultações em casos de abuso de crianças, assegura ele.

"Nós vamos nos surpreender com o que vai vir da Polônia, Europa Oriental e, Europa do Sul", onde, segundo ele, esses escândalos ainda permanecem ocultos.

Tradução: João Tavares
Fonte: http://noticias.lainformacion.com/religion-y-credos/papa/los-curas-rebeldes-advierten-de-que-sin-reformas-la-iglesia-perdera-fieles_vG5cGvJTX6hdwH72YKOmh7/

Comentários

  1. Se perderem fiéis porque tais nunca foram fiéis, simples assim, e tem mais quem fica com padres infiéis é porque realmente os merecem,Jesus jamais foi rebelde, ele (Jesus) foi humilde e manso de coração,Como Jesus disse: Quando eu voltar acaso ainda encontrarei fé.... Sim encontrará fé em um punhadinho de gente, a tradição a unica que é firme na fé!

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