Doutrina social da Igreja - um tesouro a descobrir (4)




Por P.e PETE HENRIOT, SJ
In revista Além-Mar, maio de 2013, pp. 16-23.



Teoria e prática

Depois de responder às perguntas sobre os fundamentos da doutrina social da Igreja, temos de enfrentar a questão decisiva: como é que a vamos pôr em prática?

Com certeza, para que a doutrina social da igreja se imponha como eficaz, é preciso que ela seja praticada nas estruturas e na vida da Igreja. «Aqueles que pregam a justiça aos outros devem primeiro ser vistos como justos consigo próprios», enfatizou o Sínodo dos Bispos de 1971. E isso deve ser visto na maneira como a Igreja trata as pessoas, como mantém propriedades e como exemplifica o seu estilo de vida.

Para a doutrina social da Igreja ser mais do que «um segredo muito bem guardado», tem de haver melhor educação e formação sobre este tema. Está ela presente na elaboração dos catecismos? É a formação na doutrina social da Igreja obrigatória em todos os nossos seminários? E a doutrina social da Igreja é regular e adequadamente explicada nas homilias paroquiais?

É claro que bons programas de justiça e paz, em todos os níveis da Igreja, são os meios mais eficazes para aplicar os valores da doutrina social cristã nas políticas públicas e práticas sociais. As estruturas, comissões, de justiça e paz não podem ser opcionais ou secundárias nas conferências episcopais nacionais, nas dioceses e paróquias.

Possivelmente, uma das mais óbvias maneiras de garantir que a doutrina social da Igreja seja posta em prática é vê-la como central na «Nova Evangelização» promovida no Sínodo dos Bispos, realizado em Outubro passado em Roma. O anúncio do Evangelho não será eficaz, por muito que façamos, se nos esquecermos de dar ênfase à dignidade da pessoa humana, à primazia da comunidade, à opção pelos pobres, à integridade da criação e ao amor fundado na justiça.

Para concluir, não conheço melhor apelo para fazer do «nosso segredo mais bem guardado» um guia para a acção autêntica na Igreja do que a forte afirmação do Sínodo dos Bispos de 1971: A acção em nome da justiça e da participação na transformação de todo o mundo aparecem-nos como uma dimensão constitutiva da pregação do Evangelho, ou, noutras palavras, da missão da Igreja para a redenção da humanidade e sua libertação de toda a situação de opressão.

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