Mt 6. 9 – 13: O Pão e o perdão



O Senhor Jesus, na oração que nos ensinou, deixou muito claro que o nosso interesse maior deve ser o próprio Deus; no entanto, Ele também nos ensinou a colocarmos as coisas concernentes à nossa vida terrena diante do Pai celestial. 

Jesus, no seu ministério, curou as doenças do corpo físico; interessou-se pelo sofrimento emocional das pessoas; multiplicou pães para matar a fome física; providenciou dinheiro para pagamentos, etc. Ele anunciou o céu, mas não desconsiderou as necessidades dos homens aqui na terra. Nesta oração, das sete petições nela contidas, quatro tratam das necessidades do homem.

O pão de cada dia

a) Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia”. (v. 11)

b) O pão de cada dia refere-se às necessidades diárias e básicas do ser humano. Na sequência do capítulo 6, que está dentro do Sermão do Monte, Jesus declara que o Pai celestial sabe que nós precisamos dessas coisas, ou seja, Ele não as ignora. Jesus nos ensinou a orar a respeito delas; e não vivermos ansiosos por elas. O apóstolo Paulo nos orientou a não andarmos ansiosos por coisa alguma e a fazermos as nossas petições conhecidas diante de Deus pela súplica e ações de graças (Fl 4. 6 ).

c) Neste mundo, com seus recursos, com as nossas competências, com o nosso patrão, as palavras dos homens não podem nos garantir o pão de cada dia. No entanto, uma vida de oração, em cumplicidade com Jesus e com Sua Palavra, com certeza, nos garantirá o sustento diário.

O perdão

a) “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. (v. 12).

b) O perdão é uma grande necessidade do ser humano. Sem ele, não é possível termos comunhão com Deus, não iremos ao céu, não viveremos bem aqui na terra, portanto, não haverá respostas às orações (Is 59. 1, 2). Precisamos reconhecer que somos pecadores, confessar e nos arrepender de nossos pecados e nos apropriar do perdão. Essa oração precisa ser feita diariamente por todos nós. Vale lembrar que pecado tem nome e, quanto mais específicos formos em nossa confissão, mais conscientes seremos dos nossos pecados e experimentaremos um processo de santificação ainda melhor. O pedido de perdão a Deus deve ocorrer sempre que o pecado acontecer.

c) No entanto, essa quinta petição traz junto com ela uma afirmação altamente comprometedora, que nos coloca um dos maiores desafios da vida: “assim como nós perdoamos”. O texto, na língua original, grego, traz essa frase na voz perfeita “assim como temos perdoado”, ou seja, para pedir o perdão divino já é preciso ter perdoado os devedores. Essa declaração condiciona a resposta de Deus a nós, da mesma maneira como nós respondemos aos outros, sendo assim, uma coisa fica condicionada a outra. Se quisermos ver os resultados desta oração em nossa vida, não podemos deixar de prestar muita atenção nessa frase e praticá-la. Essa é a única frase à qual Jesus traz uma explicação adicional sobre a oração ensinada “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas. (v. 14, 15).

Conclusão
O Pai celestial nunca deixará de dar o pão de cada dia aos Seus filhos. Por nos amar, nunca deixa de atender com perdão quando o pedimos, mas também nos deixa o grande desafio de perdoarmos aqueles que nos ofendem.


Pr. Silas Zdrojewski

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