Dez mandamentos para um «Novo ardor na Evangelização do Povo de Deus».

1 – CARIDADE COMO LEI 
Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?
Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas (Mc 12, 28-31).

2 – POBREZA COMO ESTILO DE VIDA 
Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus (Lc 6, 20).
Procurai antes o seu Reino, e o resto vos será dado ter acréscimo. Não temais, pequeno rebanho, aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino (Lc 12, 31-32).
Ordenei-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado: nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto, que fossem calçados de sandálias e não levassem duas túnicas (Mc 6, 8-9).
Sede pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas (Mat 10, 16).
Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus de Cristo Nazareno, levanta-te e anda (Ac 3, 6).
“Uma Igreja pobre para os pobres” 
“Uma Igreja de portas bem abertas” (Papa Francisco)

3 – COMUNHÃO COMO GOVERNO 
Todo o Reino, dividido contra si mesmo, fica devastado, e toda a cidade ou casa dividida contra si mesma, não poderá subsistir (Mat 12, 25).
Tudo o que ligares na terra será ligado no céu… (Mat 18, 18).
Porque participam no múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, tem os leigos, parte activa na vida e acção da igreja.
A sua acção dentro das comunidades eclesiais é tão necessária que, sem ela, o próprio apostolado dos pastores não pode conseguir, na maior parte das vezes, todo o seu efeito (Lumen Gentium) (1 Cor 16, 17-18)
O cálice da bênção, que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?
O pão que nós partimos não é a comunhão com o corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão (1 Cor 10, 16).

4 – PROFETISMO COMO ENSINO 
Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias que são os últimos, através de seu Filho (Heb 1, 1-2).
Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado.
E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos (Mat 28, 19-20).
“Não deixem cair o profetismo” (Bispo Helder Câmara)

5 – TRANSCENDÊNCIA COMO CAMINHO 
Vós não recebestes um Espírito que faz de vós filhos adoptivos. É a Ele que nós chamamos ABBÁ, ó Pai!
Esse mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos Filhos de Deus.
Ora se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, pressupondo que com Ele sofremos, para também com Ele sermos glorificados (Rom 8, 15 – 17).
É ele a imagem de Deus invisível, o primogénito de toda a criatura; porque foi nele que todas as coisas foram criadas nos céus e na terra, visíveis e invisíveis (Heb 1, 15-16).
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim… Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis pois estais a vê-Lo.
Disse Filipe: Senhor mostra-nos o Pai e isso nos basta! Jesus disse-lhe: Há quanto tempo estou convosco e não me ficaste a conhecer. Filipe, quem me vê, vê o Pai (Jo 14, 6-9).

6 – HUMANIZAÇÃO COMO ENCONTRO 
“Deus é inexplicável mas é mais próximo a nós do que nós mesmos (S. Agostinho).
“Em Deus temos vida, o movimento e o ser”
Serei para vós um Pai e vós sereis para mim Filhos e Filhas, diz o Senhor Todo-poderoso (2 Cor 6, 18).
“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, prepara a tua alma para a demora” (Sir 2, 1).
Tu porém, quando orares, entre no teu quarto e fecha a porta, em segredo ora a teu Pai; e teu Pai, que vê o que se passa, em segredo, te dará a recompensa (Mat 6, 6).

7 – CONSCIÊNCIA COMO SEGREDO ÍNTIMO 
A consciência é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do ser (Gaudium et Spes).
“Ouviram a voz da consciência” (Ac 2, 1).
É verdade o que vou dizer em Cristo; não minto, pois é a minha consciência que, pelo Espírito Santo, disto me dá testemunho (Rom 9, 1-2).
E esses mostram que o que a lei manda praticar está escrito nos seus corações, tendo ainda o testemunho da sua consciência tal como os pensamentos (Rom 2, 15).
Vai e faz também o mesmo (Lc 10, 32).

8 – FRATERNIDADE COMO VIVÊNCIA 
Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos apóstolos, o temor dominava todos os espíritos. Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um.
Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em sua casa e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração (Ac 2, 42-46).

9 – COMPAIXÃO COM OS SOFREDORES 
Contemplando a multidão enchem-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor (Mat 9, 36).
Mas um samaritano, que ia de viagem chegou ao pai dele, vendo-o encheu-se de compaixão (Lc 10, 33).
E se compreendêsseis o que significa:
Prefiro a misericórdia ao sacrifício, não teríeis condenado estes que não tem culpa. O Filho do Homem até do sábado é Senhor (Mat 12, 7-8).
Encheu-se de compaixão por eles (Mat 14, 14).

10 – O REINO DE DEUS COMO META 
O Reino de Deus que não terá fim e já está no meio de nós (Lc 17, 21) é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rom 14, 17); e no fim último ao qual Deus nos chama, é obra do Espírito Santo, e é também um império que jamais passará e… jamais será destruído (Dm 7, 14).
Jesus chamou para entrar no Reino, por meio de parábolas, traço característico do seu ensino.
Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino. “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mc 2, 17). Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e actos, mostra-lhes a misericórdia sem limites de Seu Pai.
Jesus disse-lhes outra parábola: “O Reino de Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado” (Lc 13, 20-21).
Nem todo o que diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no reino dos céus (Mt 6, 21).
“Pelo caminho proclamai que o Reino do Céu está perto…
Recebestes de graça, dai de graça” (Mat 10, 8).
O mistério da Igreja manifesta-se logo na sua fundação. O Senhor deu início à Sua Igreja com a pregação da Boa Nova, quer dizer, da vinda do Reino de Deus, prometido há séculos nas escrituras.
Os tempos estão cumpridos, e o reino começa a aparecer claramente aos homens nas palavras, nas obras e na presença de Cristo (Constituição sobre a Igreja – nº 5).

“ENTÃO EU SEREI O SEU DEUS E ELES SERÃO O MEU POVO” (Lumen Gentium – nº 9)

José Rodrigues Lima, jrolima@hotmail.com

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