leitura orante da festa da Sagrada Família



Neste primeiro domingo, depois da Solenidade do Natal, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família. O Evangelho convida-nos a viver com José e Maria os acontecimentos que sucederam ao nascimento de Jesus em Belém. Um acontecimento algo movimentado, assinalado por um êxodo e por um regresso. O protagonista que se destaca é José, chamado a desempenhar um papel fundamental na tutela nos primeiros dias de vida do Filho de Deus.
Avisado de novo em sonhos pelo Anjo, este pai adoptivo do Salvador deve agora defender e proteger a pequena criança no núcleo familiar, da maldade e do ódio de Herodes e seus cúmplices. Estes sonhos constituídos apenas por palavras, são palavra do Senhor, que só pedem para serem acolhidas. Dentro das narrativas da Infância de Jesus, é um modo de mostrar a revelação da vontade de Deus em relação a José e Maria e indicar a sua total disponibilidade em segui-la, sem oferecer resistência.
Graças à obediência, à vontade divina e à dedicação total de José em tomar conta do Menino e de Maria, o drama dos acontecimentos que envolve já a vida de Jesus, acaba com um final feliz. É maravilhoso contemplar a união que se estabeleceu entre eles. E esta união é sinal de que a família, com a graça de Deus, é a célula primordial onde o Amor é mais forte que todas as dificuldades. A Família de Nazaré é modelo para todas as famílias. Basta acolhê-la no seio de cada lar e tê-la como exemplo.

SEGUNDA-FEIRA
Palavra – «Depois dos Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egipto e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o menino para O matar.”»
O Magos vindos do Oriente terminaram a sua missão. Cumpriram o objectivo da sua viagem: encontraram o Menino. E ao encontrá-l’O podem agora voltar, levando dentro de si a experiência do encontro e levam-na para a vida. O Anjo, sem perder tempo, pois o tempo urge, com três verbos imperativos diz a José para se pôr a caminho: levanta-te, toma e fica. Já não se trata de um acontecimento de esperança mas de algo a defender e a proteger. Existe um perigo: ao contrário dos Magos que vieram para O conhecer e adorar, há quem O queira identificar para O matar.

Meditação – Parece que ainda não saboreamos o grande acontecimento do Natal e entram as trevas para “escurecer” a luz da vinda de Jesus. É uma escuridão diferente: não se trata de uma escuridão provocada pela ausência de Deus, mas pela acção do homem, e do homem sem Deus. A vida do recém nascido, do Salvador, não pode crescer na serenidade e na normalidade dos dias. Já se encontra em perigo e de novo é necessário uma intervenção divina. Não há tempo para grandes explicações nem considerações. É preciso pôr-se a caminho, partir, com a angústia e a rapidez de quem foge para não ser reconhecido. É preciso pôr-se a caminho para fugir da maldade que muitas vezes vem das trevas humanas; é preciso pôr-se a caminho com alguém que nos ama e em quem confiamos; é preciso pôr-se a caminho e deixar o que não nos deixa encontrar Deus. É preciso acolher os sinais de Deus que nos orientam para a luz. Quando o fazemos Ele caminha connosco, Ele é o Deus- connosco.

Oração – Senhor, peço-te perdão, se não encontraste em mim um lugar para Te acolher.
Escolheste um povo entre tantos, mas esses recusaram-Te.
Experimentaste o estar longe de casa, o exílio, a clandestinidade forçada, o anonimato e a precariedade.
Como nesses tempos, também hoje, provavelmente, eu te rejeitei.
Acolher-Te, Senhor, exige empenho:
É revisitar os meus critérios,
Dar nome aos meus idolos,
Abandonar as minhas seguranças… e seguir-Te…
Para onde… não sei.
Perdoa-me se eu não Te procuro para adorar, como fizeram os Magos;
Perdoa-me, se nem sempre Te reconheço e Te escolho;
Perdoa-me, se nem sempre faço espaço dentro de mim para que possas entrar e ficar comigo.

Acção – Hoje, durante um breve instante, procurarei acolher o Senhor através da meditação deste Evangelho, pensando nas dificuldades que Ele teve de enfrentar por amor. É o momento em que páro e abro o coração para O acolher e confrontar-se com Ele a partir da seguinte questão: como enfrento as dificuldades e obstáculos da vida?

TERÇA-FEIRA
Palavra – «José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo profeta: “Do Egipto chamei o meu filho.”
José, homem do silêncio e da obediência. Não diz nada, apenas escuta, crê e colabora. O Anjo explicou-lhe que não havia tempo a perder: era preciso agir! Por isso, não faz grandes cálculos e raciocínios. Nem sequer pede esclarecimentos, nem se lamenta por ter aceite uma missão que exigia tanto empenho. Põe-se a caminho, provavelmente ainda cansado da viagem feita da Galileia para a Judeia e ainda confuso com a missão daquele Menino. Não espera o nascer da aurora: recolhe o que tem e aceita partir.

Meditação – José tinha partido com Maria para um recenseamento que certificaria a existência da sua família e agora José reparte para dar um futuro a este pequeno núcleo familiar que Herodes quer eliminar. Para que Jesus possa crescer é necessário esperar a cessação do perigo: que o rei terreno morra. Só assim, o Rei poderá entrar na sua terra.
Possivelmente, algo de semelhante pode acontecer com a nossa vida espiritual: quantas vezes temos e devemos repartir depois de uma queda, de um desânimo, de um sofrimento; quantas vezes a vida nos reserva perigos tão grandes de não os conseguirmos enfrentar, mas só evitar. E, hoje, nos nossos tempos, podemos constatar que a nossa vida espiritual está em perigo, mais que a integridade física. Encontramo-nos rodeados de outros inimigos, de outras riquezas, e por vezes, por governantes invisiveis que nos têm dependentes e que querem matar-nos a alma. Talvez, também para nós, haja um caminho de exôdo e de regresso a fazer…

Oração – Rezemos com o salmo 126:
Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião, Parecia-nos viver um sonho. Da nossa boca brotavam expressões de alegria e de nossos lábios cânticos de júbilo. Diziam então os pagãos: «O Senhor fez por nós grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor, estamos exultantes de alegria. Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos, como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria.
À ida vão a chorar, levando as sementes; à volta, vêm a cantar, trazendo os molhos de espigas.

Acção – Hoje, farei uma breve reflexão sobre os meus medos. Identificarei e escreverei numa folha os meus medos e perigos em que vivo. Em seguida, escrevo quais os meus empenhos para enfrentar esses medos.

QUARTA-FEIRA
 Palavra – «Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José no Egipto e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram.”
Também Herodes chegou ao final dos seus dias, sem conseguir atingir o seu objectivo: matar Aquele que considerava um possível rival. O monarca não teve qualquer intenção de se aproximar de Jesus como a intenção dos Magos que queriam aproximar-se de Jesus e reconhecer n’Ele o poder de Deus. Nos últimos anos da sua vida, empenhou-se em conspirar e investir na morte de Jesus, levando à sua frente a morte de centenas de mulheres e filhos. Paralelamente a este triste cenário, para a família de José, abre-se a esperança de poderem entrar na sua pátria. Vez por vez, o Anjo mensageiro revela a este homem, que colabora em pleno, os possíveis passos, encontrando-o sempre pronto para os realizar. 

Meditação – José é o verdadeiro anjo da guarda de Jesus e Maria: permanece, quotidianamente, numa atitude de escuta de Deus e dos seus mensageiros, colocando a sua experiência ao serviço do projecto de Deus. Como o grande patriarca Abraão, também ele protege e cuida do filho amado com fé, no silêncio, de forma activa. O Anjo, vai convidando-o a “levantar-se” e iniciar um novo trilho de caminho, abandonando aquele já percorrido. Mais uma vez, o Evangelho não nos dá a conhecer o pensamento de José e o que possa ter dito nem memso como reagiu. O pedido, uma ordem não se discute, faz-se. Mas isto é fé, e José é um homem de fé. Não uma fé cega, por nada esclarecida. José conhece e compreende os motivos do seu peregrinar, pois o Anjo explica-lhe bem o porquê. Por isso está pronto a partir. O caminho ainda é longo mas é aquele para regressar a casa. A fé é o caminho para nos levar à casa, ao encontro com o Senhor. É o caminho para regressarmos à nossa terra, à nossa pátria celeste. Uma escuta atenta, uma esperança e caridade activa e uma fé iluminada, leva-nos a viver cada dia, o regresso à casa do Pai, à casa do Amor.

Oração – Senhor, dá-me ouvidos capazes de perceber o teu chamamento; mãos operosas que agem em nome da caridade; pés ágeis, que partem ao encontro com a luz da lâmpada da fé acesa. Dá-me um coração aberto e disponível para a viagem da vida, uma inteligência vigilante e serena para aprender a fazer a Tua vontade. Ámen.

Acção – Empenhar-me-ei em escutar profundamente quem está ao meu lado. Procurarei dar importância ao que me diz, sem me perder nos meus pensamentos e sentimentos, como fazia José, na escuta atenta da vontade de Deus.

QUINTA-FEIRA
Palavra – «José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, e voltou para a terra de Israel.»
José segue com exactidão as indicações que o Anjo continua a revelar-lhe. Com a mesma determinação, o chefe de família, passa do sono para a vigilância e dirige-se para a terra dos seus pais. Há pouca coisa para levar: apenas uma criança e uma jovem mãe, o mistério do desígnio de Deus, que José não desiste de acolher, mesmo que não entenda tudo. Uma jovem família mas já posta à prova: uma grande responsabilidade que o carpinteiro de Nazaré vive com simplicidade e completa humildade.

Meditação – A obediência de José é mais uma vez exemplar. O seu proceder não é glorioso, vitorioso, mas silencioso, vigilante. Ao longo do texto, não se faz a menção de que alguém os acolheu, os socorreu ou que lhes tenha dado alguma sustento para o caminho. Maria e José confiam completamente em Deus que aos poucos conduz a sua existência e os guia no seu projecto de redenção. Esta simples frase do Evangelho, mais do que deixar-nos intuir que a vida de Maria e de José era um continuo itinerário de escuta e obediência serena e confiante, sem procurar compreender tudo de uma só vez, diz-nos que Jesus teve uma família normal, que viveu as alegrias, as preocupações e canseiras do quatidiano, que atravessou momentos dolorosos, de dúvidas, de procura, de incompreensão e algumas vezes de insucesso e de frustração.
A grande fortaleza desta família: a união entre eles. Uma união fundada na disponibilidade a Deus, sobre uma fé concreta e profunda capaz de confiar sem “ses” nem meios “ses” aos Seus modos misteriosos de proceder.

Oração – José, ensina-me a obediência silenciosa e fiel que viveste na tua vida.
Maria, ensina-me a dizer “Eis-me aqui” às alegrias e às canseiras da vida. Ajuda-me a dar valor aos pequenos “sins” do dia-a-dia, a estar atenta/o à vontade de Deus e ter coragem para a realizar para que possa em tudo e em todos cumprir-se a Sua vontade. Ámen.

Acção – Hoje, convidarei a minha família a rezar o Pai- nosso com o motivo de pedirmos juntos que venha o seu Reino. Ao longo do dia procurarei ajudar a família ou a comunidade, como filho, como pai, como mãe, como irmão nas pequenas tarefas do dia-a-dia.

SEXTA-FEIRA
Palavra – «Mas quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia…»
À morte de Herodes, o Imperador Augusto executa o seu testamento e reparte a Palestina pelos seus três filhos: Arquelau, Antipa e Filipe. Arquelau torna-se tetrarca da Judeia e Samaria. Governou poucos anos; foi destituído porque era incapaz de acalmar revoltas e rebeliões. A sua maldade chegou até ao Egipto, aos ouvidos de José, que como homem sábio compreende como protger o pequeno Jesus, e depois de ter escutado mais uma revelação, escolhe partir para a Judeia e parte para a Galileia.

Meditação – Mais uma vez José escuta a mensagem do Anjo. A sua inteligência e o seu coração, que fazem também a experiência do medo, deliberam que é melhor percorrer toda a palestina, até à região da Galileia. A sua obediência não é formal, mas essencial reavivada e aprofundada pela atitude de vigilância. Neste itinerário feito de partidas, paragens e repartidas, José escutou, acolheu, reflectiu e procurou. Neste momento tem o compromisso de levar são e salvo o Menino, de O preservar, defender de qualquer perigo. Por isso, desta vez, não se limita a seguir uma ordem, mas faz algo mais: participa de modo activo e responsável no projecto de Deus. Escolhe estabelecer-se longe da acção de Arquelau e sobe para Nazaré. Em muitos momentos da vida é preciso colaborar com o projecto de Deus. É importante escutar e escolher o que os pode salvar ou pôr a salvo. Somos convidados a usar a nossa inteligência e prudência na realização do desígnio de Deus e saber distinguir com clareza o que é bom e o que é mau na história. Somos chamados a colaborar, de modo concreto e de forma inteligente, na obra de Deus no mundo.

Oração – Rezemos com a oração de S. Francisco de Assis diante do crucifixo de S. Damião
Deus Altíssimo e glorioso, vem iluminar as trevas do meu coração; dá-me uma fé recta, uma esperança sólida e uma caridade perfeita; faz-me sentir e conhecer, para que possa cumprir a tua santa vontade que apenas quer o meu bem.

Acção – Hoje, antes de adormecer, revisitarei o meu dia: que sentimentos vivi e em que momentos Deus esteve ao meu lado e como (mediações, factos do quotidiano, pessoas). Deste modo aprenderei a ler com sabedoria e inteligência o meu quotidiano.

SÁBADO
Palavra – «…e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: “Há-de chamar-se Nazareno.”»
A longa viagem de Jesus, guiada pelos seus pais, finalmente chegou ao fim. A santa família regressa à pátria, ao lugar de partida. José e Maria tinham partido, apenas se tinham conhecido e provavelmente partiram com o juízo de muitos concidadãos; ao regressarem deste itinerário encontram-se profundamente unidos e quer Maria quer José viram o desvelar-se do projecto de Deus ao qual tinham aderido. Também neste regresso S. Mateus refere que mais uma profecia se tinha cumprido (ver Is 11,1)

Meditação – Deus completa a sua obra favorecendo a entrada de Jesus na Palestina. Através de Maria e José, dois humildes servos do Senhor, assentou as bases para o seu projecto de salvação. Agora Jesus poderá crescer em sabedoria, idade e graça e ser verdadeiramente o Deus connosco, de quem o Homem, nós, temos necessidade. Também nós, como Maria e José, somos chamados a cuidar da vid de Jesus na terra e em nós. Se Ele estiver em nós, seremos homens e mulheres de Deus e será mais fácil dar ao mundo aquilo que ele mais precisa: Deus.

Oração – Senhor, faz-me humilde servidor do teu reino; faz que compreenda o teu desígnio de amor e o concretize no mundo com todo o coração, com todas a minhas forças, com toda a minha mente.
Faz que eu possa ser hoje, sinal da tua Palavra, dos teus gestos, acolhendo as tuas intuições espirituais.
Senhor, que nada me separe de Ti e que eu possa procurar-Te com simplicidade e na alegria do encontro com os meus irmãos na fé.

Acção – Hoje, procurarei viver “na minha Nazaré”: lugar onde vivo, a família, trabalho, escola, centro juvenil, paróquia…) descobrindo a beleza, os recursos que tem e agradecendo a Deus pelos dons que vou encontrando.

Ir. Anabela Silva fma


Epifania – «Viemos do Oriente adorar o rei»

Epifania significa “manifestação”: não se trata de uma manifestação qualquer, de gente na rua, gritos e vozes de contrariedade, mas manifestação da luz do “sol de justiça que surge do alto”, de Cristo Senhor. Para alegria e plenitude de todos. O Natal de Jesus é o “descer à praça”, o descer até nós de Deus. A entrada no mundo de Deus para estar neste nosso mundo: manisfestar-se diante de nós como luz nova e verdadeira que nos convida a um caminhar iluminado pela sua presença e o seu projecto para nós. E a exemplo dos Magos, caminharmos ao encontro de Deus, porque para sermos crentes autênticos, devemos procurar a luz, caminhar ao encontro de Jesus Cristo que nos salva. A esta manifestação somos convidados nesta Epifania.
Evangelho segundo S. Mateus (Mt 2, 1- 12)
«Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do Rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. “Onde está – perguntaram eles – o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O”. Ao ouvir tal notícia, o Rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde havia de nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o Rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram em casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe os seus presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho».

SEGUNDA-FEIRA
Palavra – «Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do Rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. “Onde está – perguntaram eles – o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O”».
Os Magos vieram do Oriente adorar o Menino Deus. Do Oriente (da distância) para a terra da promessa. Com um objectivo: demonstrar a origem divina de Jesus e o carácter salvífico da sua presença. “Onde está o Rei dos judeus?”, o Messias, o Prometido, o rei de Israel, o herdeiro do trono de David? Onde estiver é preciso ir adorá-Lo, porque é o nosso Deus entre nós.

Meditação – O mistério de Jesus chega com os Magos ao coração de todos os homens. De longe, de muito longe, vieram adorá-Lo. Seguiram a sua luz e encontraram um menino envolto em panos. Esta luz revela o mistério de Deus aos gentios e a todos os que quiserem descobrir neste Menino a presença de Deus. E quem é este Menino Deus na tua vida? Como adoras a Sua presença? É a esperança de um mundo melhor: que é que isto significa para ti?

Oração – Deus eterno e todo-poderoso: revelastes, hoje, o mistério do teu Filho como luz para iluminar todos os povos. No caminho da salvação, quando Cristo se manifestou na nossa vida, recriastes-nos na luz eterna de sua divindade. Agora é tempo de também nós vos louvarmos com a nossa voz; vos adorarmos com o nosso amor; de vos agradecermos a vossa presença que nos redime e salva. Para que o nosso mundo seja melhor. A nossa vida mais feliz. O nosso amor maior.

Acção – Como os magos, procuremos abandonar os nossos hábitos, algumas das nossas crenças, abandonar-nos a nós próprios e curvar-nos para entrar no estábulo de Deus. E adorar este Menino que vem para nos salvar, mudando a nossa vida.

TERÇA-FEIRA
Palavra – «Ao ouvir tal notícia, o Rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde havia de nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’».
A notícia de Deus incomoda a quem vive centrado sobre si mesmo, sobre os poderes deste mundo, sobre a realidade sem passado nem futuro. A promessa antiga anunciava a presença do Messias na continuidade da descendência de David. É por isso que o evangelista insiste em nomear com exactidão o lugar onde Jesus nasce e em confirmar com referência ao Antigo Testamento (Mq 5,2; Nm 24,17) que a sua presença na nossa história dá cumprimento às palavras dos profetas. E isso faz temer os senhores do tempo…

Meditação – Pastor de Israel, povo de Deus. Messias da Promessa tornada verdade no tempo. História renovada para que a nossa história e as nossas histórias ganhem uma nova identidade em Cristo. De facto, o tempo mudou com a presença de Jesus. Em Belém da Judeia e no nosso coração. Na cidade de David e na nossa cidade. Num mundo novo e nosso mundo, para salvação de todos. Insistir nesta presença de Deus obriga-nos também a nós a um sentido novo. Para onde caminha a Belém da tua vida onde Deus nasce para ti?

Oração – Senhor Jesus: a tua luz é forte; o teu amor está próximo e convida-nos a ir mais além dos nossos limites e conduz-nos à vida onde o Espírito torna a vida completa. Dá-nos a graça de superar todos os obstáculos que nos mantêm longe de ti. Tu que nos chamaste das trevas à luz admirável, derrama sobre nós a tua bênção e confirma-nos na fé, na esperança e na caridade.

Acção – Procura ao longo do dia de hoje caminhar na presença de Deus: Que a nossa oração, em vez de ser um pedido, seja, adoração. Que a nossa acção seja acção de Deus motivada pela presença de Deus na nossa vida.

QUARTA-FEIRA
Palavra – «Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O».
Herodes procura “informações precisas” que sejam capazes de identificar o espaço e o lugar de hospedaria do seu “concorrente”. Quer também ele ir adorá-Lo… ironia das ironias: a sua adoração significa perseguição e desejo de morte. De fim. A negação deste nascimento por parte das autoridades políticas e religiosas do povo judeu contrasta com o gozo infinito dos Magos vindos de longe. Os seus, de facto, não o reconheceram…

Meditação – A celebração da Epifania mostra ao mundo a grandeza e a vinculação de Deus a todos e a cada um de nós. Se os seus não O reconheceram, nós podemos descobri-Lo em tantas e tantas situações de luz e luz nova que a sua presença nos faz desvelar. Vindos do Oriente os Magos anunciam a profundidade da sua fé que os faz partir de longe para chegar perto do Menino Deus. Que estás disposto/a a dar de ti para que este Menino Deus te seja tão próximo que nada nem ninguém d’Ele te fará afastar?

Oração – Deus Pai e Senhor, nós vos louvamos, adoramos bendizemos, damos glória ao vosso nome, e agradecemos os vossos dons! Senhor Jesus, ilumina o nosso caminhar para ti e torna-nos cada vez mais próximos de ti e de todos os que necessitam o teu testemunho, a tua alegria, a tua felicidade. Deus Pai e Senhor, nós vos louvamos, adoramos bendizemos, hoje e sempre.

Acção – Adorar significa discernir a presença de Deus. Ele está presente na sua Palavra. Ele está presente nos acontecimentos humildes da nossa vida. Descubramos hoje como Deus está presente em nós.

QUINTA-FEIRA
Palavra – «Ouvido o Rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram em casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O».
Pôr-se a caminho é a atitude de quem espera e crê. Caminham à luz da estrela. Com grande alegria. Ao ver o Menino, prostrando-se, adoram-No. Seguindo os Magos, percorremos também nós o itinerário de quem procura sinceramente a Deus. Encontraremos também nós a Deus que nos precede e nos espera, como espera todas as gentes nos Magos, para que o adoremos. Com todas as gentes do mundo.

Meditação – Na procura de Deus, é Ele quem nos espera. Seguindo a estrela, procurando recuperar a estrela de Deus sempre que desaparecia e vencer a desorientação que a sua ausência provocava, os Magos encontram o caminho para que encontrar a Deus vivo e presente no meio de nós. Agora é tempo de parar e adorar. Silêncio e contemplação. Encontremos, também nós, o Deus Menino. No silêncio do nosso tempo, sem ruídos. No tempo do nosso tempo.

Oração – Deus eterno e todo-poderoso: revelastes, hoje, o mistério de vosso Filho como luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação. Na sua luz descobrimos a força iluminante do nosso caminhar. Na procura da sua presença e do seu amor, descobrimos a razão da nossa fé e do nosso agir. Agora, também nós queremos adorar o Senhor, que é a nossa salvação e alegria sem fim.

Acção – Adorar significa desviarmo-nos de nós próprios para olhar para Deus. Procura oferecer o melhor de ti a Deus e aos outros, no serviço aos mais necessitados.

SEXTA-FEIRA
Palavra – «Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe os seus presentes: ouro, incenso e mirra».
O termo “magos” provém do grego “magoi” que significa matemático, astrónomo, astrólogo e sábio. Os reis magos, conhecedores dos astros. Na visita dos magos a Jesus, os Padres da Igreja vêem simbolizado a realeza (ouro), a divindade (incenso) e a paixão de Cristo (mirra). Para que toda a humanidade inteira tenha acesso ao mistério de Deus.

Meditação – Levam ao Menino dons precisos (ouro, incenso e mirra), mas a verdadeira preciosidade e o mais admirável tesouro encontraram-no diante dos seus olhos naquela pequena criança que vieram adorar. Quem é que não se reconhece nos desejos destes Magos? A sua história poderia ser a história de cada um de nós. Jesus colmou-os dos seus dons: a sua vida em nós e a riqueza do seu amor. Que mais podemos desejar? Adoremos o Menino Deus que vem para nos salvar.

Oração – Vejo-Te nessa gruta, deitado na palha, pobre e desprezado; mas a fé ensina-me que Tu és o meu Deus, descido do céu para minha salvação. Reconheço-Te como meu Senhor soberano e meu Salvador; proclamo-Te como tal, mas nada tenho para Te oferecer. Não tenho o ouro do amor, porque amei as coisas deste mundo; amei apenas os meus caprichos em vez de Te amar a Ti, que és infinitamente digno de amor. Não tenho o incenso da oração, pois infelizmente vivi sem pensar em Ti. Não tenho a mirra da mortificação, porque, por não me ter abstido de miseráveis prazeres, tantas vezes contristei a Tua infinita bondade. Que Te oferecerei então? Meu Jesus, ofereço-Te o meu coração! (S. Afonso Maria de Ligório)

Acção – Deus acolhe-nos a todos tal como somos, com aquilo que é bom, mas também com as nossas obscuridades, e mesmo com as nossas faltas. Aprendamos a aceitar que somos pobres. E então não poderemos desesperar mais nem do mundo nem de nós próprios.

SÁBADO
Palavra – «E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho».
Terminada a manifestação e o encontro com o Deus Menino, regressam à sua terra “por outro caminho” porque em sonhos são avisados da intencionalidade de Herodes. Deus que se revela para se comunicar, torna-se agora motivo de comunicação a todas as gentes. Em Jerusalém os Magos encontram indiferença e os projectos de Herodes. Ontem como hoje, não é fácil o caminho da procura de Deus.

Meditação – Apesar dos planos de Herodes, os Magos tornam-se anunciadores da luz verdadeira, do amor profundo e infinito de Deus. A luz de Deus que transforma a vida do crente porque o faz encontrar com a luz de Deus. É a essa luz que todos somos chamados: luz que ilumina os homens e as mulheres de hoje, homens e mulheres novos à luz de Deus e da sua verdade.

Oração – Diz-nos a Tua Palavra, Senhor, que os Magos regressaram a casa por caminho diferente, depois do encontro conTigo. Também nós Senhor queremos caminhar o caminho novo que Tu nos queres dar quando nos encontramos verdadeiramente conTigo. Por isso Te pedimos que nos guies com a estrela da Fé que nos conduz a Ti, para Ti.

Acção – Se te sentes afastado dos caminhos de Deus, procura regressar a Deus e ao Senhor Jesus. Procura renovar em ti o que precisa de ser renovado. É tempo de Epifania, é tempo de Deus.
                                                                                           
Pe. Tarcízio Morais, sdb


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