Peregrinação de Advento – primeira semana, quinta-feira: tempo



Um presente para pedir a Deus
Peço pelo dom de ser capaz de ler os sinais dos tempos
com maior clareza.

Uma reflexão para o caminho
Lembro vividamente o primeiro dia da peregrinação que fiz no início do meu treino para ser um padre jesuíta, ainda que já tenham passado mais de 30 anos. Dois de nós caminhamos de Santander a Barcelona, cerca de 700 km. No caminho visitaríamos muitos dos locais associados a Santo Inácio de Loiola, o fundador da nossa ordem. Mas no primeiro dia tudo aconteceu.
No momento em que saímos do barco, chuva batida pelo vento veio ao nosso encontro. Com muita dificuldade procurámos nas nossas mochilas pelos impermeáveis e debatemo-nos para os vestir. Dez minutos depois o sol apareceu e a temperatura subiu. A suar, arrumámos os impermeáveis, e logo a seguir a chuva voltou. E assim foi durante todo o dia, com a chuva a alternar com o sol.
Grande parte da minha vida é agora passada no interior seguro, isolado do tempo. Posso dar conta de que o aquecimento central precisa de ser aumentado ou ouvir a chuva contra a janela do meu gabinete, mas pouco influencia o que estou a fazer. Não é assim, porém, quando se está na estrada. Uma manhã limpa e fresca pode elevar os espíritos e tornar a viagem mais fácil. O frio e a humidade entranha-se lentamente na alma, fazendo-o perguntar porque é que saiu de casa.
Agora, na meia-idade, posso reconhecer mais claramente o tempo do meu próprio temperamento. Em alguns dias levanto-me a sentir-me nublado e sombrio; noutros dias sinto-me fresco e de cabeça limpa. Às vezes há uma razão clara para isto - dormir tarde depois de alguns copos, ou um bom sono após um dia cansativo. O meu humor é como o tempo: não posso fazer muito de imediato para o alterar, mas posso escolher como reajo a ele, positiva ou negativamente.

Uma passagem bíblica para o caminho
«Ao entardecer, vós dizeis: "Vamos ter bom tempo, pois o céu está avermelhado"; e, de manhã cedo, dizeis: "Hoje temos tempestade, pois o céu está de um vermelho sombrio." Como se vê, sabeis interpretar o aspecto do céu; mas, quanto aos sinais dos tempos, não sois capazes de os interpretar!» (Mateus 16, 2-3)
Recorrendo à sabedoria tradicional, e ajudado pela tecnologia, consigo interpretar muito do que o tempo tem guardado para mim, e então dar alguns passos, pelo menos, para me preparar convenientemente. Quando olho para o mundo à minha volta, usando os recursos que estão disponíveis, posso apreender algum sentido da rota que a viagem da minha vida está a tomar, e ver do que preciso de fazer agora para me preparar para o que pode estar na estrada que se estende à minha frente?

Palavras para a viagem
Divino Pai,
quando o sol e a chuva vão e vêm
quando as tempestades me ameaçam e o céu azul me consola,
não me deixes perder de vista os sinais da tua presença,
os sinais de tudo o que estás a realizar no nosso mundo.

P.3 Paul Nicholson, SJ
In An Advent pilgrimage, KM Publishing


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