Temos de pedir: «Venha o Vosso Reino, Senhor! Que
o teu Reino seja sobre todos os nossos invernos, sobre todas as nossas
esterilidades, sobre todos os nossos desertos, as nossas desistências, os
nossos cansaços uma primavera pujante. Uma rebentação de vida».
Na verdade, o compromisso com o Reino hipoteca as
nossas forças, a nossa criatividade, o nosso respirar... Desta mansa violência,
precisamos todos os dias. Se não estivermos a construir o Reino de Deus,
estamos a construir o nosso reino. Precisamos dessa violência sobre nós.
Precisamos de dizer um sim que seja sim,
e um não que seja não. O reino de Deus precisa desta energia. Ele não é uma
coisa que está feita, está em construção, está em devir.
O Reino de Deus pede de nós a vida inteira. Todos
os nossos instantes, s as nossas forças. O Reino de Deus pede a nossa
violência, a nossa energia, o nosso suor. Não nos pede coisas, pede-nos a nós.
O Reino de Deus pede que nós estejamos presentes. Mas ao mesmo tempo que não
nos esqueçamos que o Reino de Deus não é nosso. A construção do Reino de Deus
hipoteca-nos e ultrapassa-nos. Nós somos guardadores do Reino, não somos donos
do Reino. Nós somos anunciadores do Reino, não somos proprietários do Reino.
«Venha a nós o Vosso Reino.» Jesus já veio, já
viveu, já se mostrou, já atuou no coração do homem. Mas hoje continua a vir,
continua a fazer-se presente, continua a falar ao coração do Homem através da
sua Igreja, animada pelo Espírito do Ressuscitado. A Igreja é o Sacramento de
Cristo. A Igreja está unida ao mistério da Encarnação do Senhor que ainda não
acabou.
Pascal dizia: o mistério da Paixão de Cristo
continua a fazer-se até ao fim dos tempos. Mas nós podemos dizer também: O
mistério da Encarnação do Senhor, continua a atualizar-se até à consumação dos
tempos. A missão de Jesus continua a escrever-se através de nós.
Pedir o Reino de Deus é pedir que o nome que nós
carregamos, o nome de cristão, o nome de cristã, tenha de facto a vitalidade de
Cristo dentro de si. E que sintamos que participamos do ministério de Cristo.
Somos ungidos para tornar presente este Reino no meio do mundo. Reino de
Justiça e de Paz, Reino de Alegria e de Esperança, Reino de Perdão e de Amor,
Reino de Festa, Reino de Reconciliação.
José Tolentino Mendonça
In Pai Nosso que estais na terra, ed. Paulinas

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