PEREGRINAÇÃO DE ADVENTO – SEGUNDA SEMANA, DOMINGO: ALIMENTO



Um presente para pedir a Deus
Peço a Deus o dom de ser capaz de ver para além das minhas necessidades imediatas e preocupações, e assim ser sensível às fomes daqueles com quem eu me encontrar nestes dias do Advento.

Uma reflexão para o caminho
No seu nível mais básico, o alimento é combustível, e esta é a maneira como pode ser experimentado quando se faz uma peregrinação a pé. À semelhança do que acontece quando se conduz um automóvel numa região remota com poucas bombas de combustível, em que se deve estar constantemente a vigiar o nível do depósito para que evitar ficar preso no meio do nada, também quando se peregrina a pé é preciso saber quanto alimento temos à mão, e onde e quando é possível obter mais. Lembro-me claramente de um jantar de domingo num parque em Pamplona, que consistiu num ovo cozido e uma pequena porção de massa fria, dado que todas as lojas da cidade estavam fechadas.
A dificuldade desta situação é que o alimento pode passar a dominar os seus pensamentos, eclipsando quaisquer meditações mais valiosas que se podem esperar de um peregrino. Para a maior parte de nós, na maior parte do tempo, há pouca dificuldade em ter o suficiente para comer. Por isso não faz mal partilhar, por um curto período de tempo, alguma coisa da experiência daqueles que têm de gastar muitas das suas horas à procura do que precisam. E, uma vez mais, a consequência é ampliar a nossa gratidão pelas coisas que no dia a dia podemos simplesmente dar por garantidas.
Quando é que foi a última vez que passou mesmo fome? Houve alguma vez quando, literalmente, não soube de onde viria a próxima refeição? Ao ponderar nestas perguntas, será elas que sugerem alguma coisa a que queira dar resposta, quer no que diz respeito à sua relação com os alimentos que come, quer em relação às pessoas que conhece diretamente ou através dos média, que têm de lutar para encontrar tudo o que precisam para viver?

Uma passagem bíblica para o caminho
Na parábola de Mateus sobre o Último Juízo, quando as ovelhas são separadas dos cabritos, ambos ficam espantados ao descobrir que se encontraram e reagiram a Jesus ao longo da vida quotidiana. Os cabritos, que falharam o teste do julgamento, ficam horrorizados ao perceber que o negligenciaram: «Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?" Ele responderá, então: "Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.» Estas pessoas não são más, obviamente. Não tinham qualquer má vontade para com aqueles que não ajudaram. Mas são rejeitadas porque não notar e responder às necessidades de quem estava à sua volta. Envolvido nas minhas próprias preocupações, é fácil que o mesmo aconteça comigo.

Palavras para a viagem
Rei da glória,
Tu e só Tu podes julgar o coração humano.
Torna-me mais consciente das necessidades de quem está à minha volta,
para que eu possa alimentar aqueles que têm fome

no corpo, na mente ou no espírito.

P.e Paul Nicholson, SJ
In An Advent pilgrimage, KM Publishing

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