Um presente para pedir a Deus
Peço pelo dom de
reconhecer a presença de Deus na hospitalidade que recebo de outros, e naquela
que lhes ofereço.
Uma reflexão para o caminho
Há um famoso ícone russo
originalmente criado por Andrei Rublev, pintor do século XV, que mostra as
pessoas da Santíssima Trindade sentadas em três lados da mesa. O quarto lado,
mais próximo de quem observa, é deixado aberto, num convite sem palavras, mas evidente,
a quem se queira juntar a elas na sua refeição. Essa capacidade de reservar
espaço para um convidado estar em casa, sem necessariamente ter de dizer uma
palavra, é, talvez, a essência da hospitalidade.
Muitas rotas de
peregrinos têm albergues onde eles podem comer e dormir, como no Caminho de
Compostela. Apesar de a acomodação parecer algo espartana, ela é mais do que
suficiente para descansar, recuperar e cruzar-se com outros peregrinos. A
hospitalidade depende mais do espírito com que é oferecida do que da qualidade
do que é oferecido.
«Hospes venit, Christus
venit» (“Quando um convidado vem, Cristo vem”) é uma frase a que os Beneditinos
recorrem para explicar a sua característica hospitalidade. Na sua oração de
hoje, poderá meditar em situações nas quais proporcionou gratuitamente
hospitalidade a outros. Como foi a experiência? Recorde também as vezes em que
foi recebido por uma calorosa hospitalidade. O que é que estas situações lhe
dizem sobre o Deus que deseja convidá-lo para a sua mesa?
Uma passagem bíblica para o caminho
A imagem do ícone de
Rublev evoca a narrativa, descrita no Génesis, de Abraão e Sara, a sua mulher,
que acolheram três estrangeiros no meio do deserto, sem se aperceberem de que
era Deus o hóspede. A bondade deles é recompensada com a certeza de um filho,
há muito desejado.
«Haverá alguma coisa que
seja impossível para o Senhor? Dentro de um ano, nesta mesma época, voltarei à
tua casa, e Sara terá já um filho.» (Génesis 18,14)
O excerto sugere que sem
o acolhimento aos três estrangeiros a promessa não teria sido feita. A Bíblia
tem muitos relatos de Deus que se manifesta em lugares inesperados e que não é
reconhecido. É preciso um coração generoso para estar sempre pronto para o
encontro com Deus que inesperadamente se avizinha. Das pessoas que hoje
cruzarem o meu caminho, poderá a maneira como eu as acolho ter alguma coisa a
mostrar-me do rosto de Deus?
Palavras para a viagem
Deus oculto,
que apareces
inesperadamente no rosto do amigo e do estrangeiro,
ajuda-me a acolher com
hospitalidade todos aqueles com quem eu hoje me encontrar, para então eu te
poder reconhecer
em cada encontro e na
generosidade.
P. Paul
Nicholson
In An
Advent pilgrimage, KM Publishing
Comentários
Enviar um comentário