A vida não deve ser um
fardo. A vida não é um problema a resolver. É uma bênção a celebrar.
Todas as dimensões da
vida, todos os seus ganhos e perdas são motivo de celebração, porque cada uma
delas nos torna mais próximos da sabedoria e da plenitude da compreensão.
A partir de todo e
qualquer momento da vida, aprendemos alguma coisa que nos torna mais vivos,
porque sabemos agora mais do que sabíamos anteriormente. A perda e a solidão, a
escuridão e a depressão cauterizam a alma e limpam-na do sentimento de
autossuficiência. O sofrimento orienta-a para o Deus da vida.
E a generosidade, a
beleza e a abundância, do mesmo modo. Elas dão-nos a degustação da plenitude.
São as manifestações palpáveis da bondade de Deus nas nossas vidas. Mas todas
estas coisas vêm espontaneamente. Não são sinais, nem do nosso pecado, nem da nossa
falta de pecado. São, simplesmente, sinais de que o Deus da vida é um Deus vivo
e amoroso.
Aprender a celebrar a
alegria é um dos maiores exercícios da vida espiritual. Confirma a nossa
confiança em Deus. Afirma a grandeza da Criação. Sela a nossa dependência de
Deus. Testemunha a beleza do presente e afirma a nossa confiança na beleza do
futuro. Reconhece a misericórdia e o amor de Deus.
Todos os anos, ao
celebrarmos os nossos aniversários e os aniversários daqueles que amamos, somos
chamados a recordar a própria dádiva da vida. Tiramos um tempo para nos
perguntarmos o que fizemos com as nossas vidas, e o que fizemos pelos outros
através delas. Vemos de novo o potencial que tem cada uma das vidas que existem
no mundo.
Quando celebramos as
coisas boas da vida, reportamo-las ao Criador que oferece amor e sustento, sem
mérito nosso, de mãos abertas, para além da grande bondade da comunidade, e que
estão, por natureza, na base da condição humana.
A alegria dá-nos força
para enfrentar o desconhecido. Leva-nos ao vazio da vida com esperança no Deus
das surpresas e com um sorriso nos lábios.
Joan Chittister
In O sopro da
vida interior, ed. Paulinas
Comentários
Enviar um comentário