Um
presente para pedir a Deus
Peço para ser capaz de experimentar com mais
plenitude a providência de Deus na generosidade dos outros e na abundância da
natureza.
Uma
reflexão para o caminho
Começar uma longa viagem sem dinheiro, seguro de
saúde, reservas de hotel, telemóvel ou cartão multibanco
será uma decisão
irresponsável?
Há cinco séculos, quando Inácio de Loyola decidiu que esta seria
uma das experiências de teste a que os candidatos à sua ordem religiosa se
deviam submeter, os críticos pensavam da mesma maneira - e hoje continua a ser
assim. No entanto, tendo enviado pessoas desta maneira nos últimos sete anos, e
tendo eu próprio feito esta peregrinação como parte da minha formação jesuíta,
descobri que ela é uma das mais fortes experiências da providência que é
possível ter.
A providência é a crença de que Deus vai
proporcionar o que é preciso para aqueles que nele confiam. Deus não impede os
peregrinos de apanharem bolhas nem garante que não vão ter frio, ficar molhados
ou não terem o que comer, tal como, numa escala maior, Deus não intervém
diretamente para prevenir a guerra, fome ou desastres naturais. Mesmo assim, as
pessoas de fé confiam que Deus vai, no fim, providenciar o que precisam, mesmo
quando essa confiança é dificilmente conquistada e perante muitas evidências em
contrário.
Na maior parte dos casos, os noviços jesuítas não
encontram o maná no deserto nem são alimentados por corvos. A maior parte do
que eles precisam é oferecido pela generosidade daqueles que encontram ao longo
do caminho, ou é obtido pelo recurso aos dons e talentos que Deus lhes deu -
dons que, por vezes, nem sequer imaginavam que possuíam. Mas isto é também
consistente com um Deus que age na vida de todos os dias, e através daqueles
com quem nos encontramos e vivemos, para responder às nossas necessidades.
Nesta altura da sua vida, em que situações é que está mais consciente do
cuidado de Deus por si?
Uma
passagem bíblica para o caminho
Inácio não imaginou por si próprio o conceito de
enviar os candidatos em peregrinação, como hoje continua a acontecer. Ele
pensava que este método não era mais do que seguir o exemplo de Cristo, quando
Ele enviou os seus discípulos mais próximos nas suas próprias viagens
apostólicas: «Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em
vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem
cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento.» (Mateus 10, 9-10)
Note que Jesus não espera que os seus seguidores
sejam indigentes ou passem fome como resultado da forma como Ele os enviou. Nem
eles adquirem a sensação, semelhante a quem recebe um salário, de que têm
direito ao que recebem. Eles são chamados a confiar na generosidade de outros,
e desta forma reconhecer a providência de Deus. Consegue determinar algum
acontecimento na sua vida, passada ou presente, que corresponda a esta
experiência?
Palavras
para a viagem
Deus providente, Sei que tudo o que tenho vem de
ti.
Ajuda-me a experimentar esta certeza com confiança
jubilosa
e afasta-me da angústia da necessidade.
P. Paul Nicholson
In An Advent pilgrimage, KM
Publishing

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