O «amor» é um critério essencial para apurar a relação entre fé e verdade, considera o Papa Francisco.



Rui Jorge Martins
© SNPC | 28.01.14

A relação entre fé e verdade deve ser procurada «não só com os olhos da mente, mas também com os do coração, isto é, na perspetiva do amor», sublinha Francisco em carta enviada ao presidente do Pontifício Conselho da Cultura e do Conselho de Coordenação entre Academias Pontifícias, cardeal Gianfranco Ravasi, revela o portal de notícias do Vaticano.

O encontro, organizado pelas pontifícias academias de Teologia e de S. Tomás de Aquino, foi dedicado ao tema "'Oculata fides.' Ler a realidade com os olhos de Cristo", expressão presente na encíclica "Lumen fidei" ("A luz da fé"), a primeira assinada por Francisco, na sequência do que já tinha sido redigido pelo seu predecessor, o papa emérito Bento XVI.

«Acredita-se com o coração» (S. Paulo aos Romanos). É no «entrelaçamento da fé com o amor que se compreende a forma de conhecimento própria da fé, a sua força de convicção, a sua capacidade de iluminar» a vida, escreve Francisco. «A fé conhece na medida em que está ligada ao amor, já que o próprio amor traz uma luz. A compreensão da fé é aquela que nasce quando recebemos o grande amor de Deus, que nos transforma interiormente e nos dá olhos novos para ver a realidade.»

A «"oculata fides", uma fé que vê», que S. Tomás de Aquino assinala, implica «consequências importantes seja para o agir dos crentes, seja para o método de trabalho dos teólogos», frisa o papa.

«Muitas vezes, hoje, a verdade é reduzida a autenticidade subjetiva do indivíduo, válida apenas para a vida individual. Uma verdade comum mete-nos medo, porque a identificamos (...) com a imposição intransigente dos totalitarismos», indica Francisco, continuando a citar a encíclica "A luz da fé".

Mas se a verdade é a «do amor, se é a verdade que se mostra no encontro pessoal com o Outro e com os outros, então fica livre da reclusão no indivíduo e pode fazer parte do bem comum»: «Longe de nos endurecer, a segurança da fé põe-nos a caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos».

Francisco lembra depois a necessidade de uma Igreja «toda a caminho e toda missionária», a que também as academias pontifícias são chamadas a contribuir de modo efetivo.

«Não se trata de realizar operações exteriores, "de fachada". Trata-se, antes, também para vós, de se concentrar ainda mais "no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário", salienta o carta, citando agora a exortação "A alegria do Evangelho", do papa Francisco.

Depois de pedir a «qualificada colaboração, ao serviço da missão de toda a Igreja» dos membros das academias pontifícias, Francisco anunciou os estudantes de teologia distinguidos com o prémio daquelas instituições: "Na Trindade como Igreja. Em diálogo com Heribert Mühlen", de Alessandro Clemenzia, e "As razões do contingente. A sabedoria prática entre Aristóteles e Tomás de Aquino", de Maria Silvia Vaccarezza, foram as obras premiadas.

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