Leigos devem dar à «Igreja-hierarquia» os «subsídios a que esta nunca chegará pelos seus conhecimentos»




 Rui Jorge Martins

© SNPC | 03.02.14


O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, sublinhou no domingo, 2 de fevereiro, na sé da cidade, que a «Igreja-hierarquia» precisa da opinião abalizada dos leigos para poder responder com competência aos desafios colocados pela sociedade.

«Como poderá a Igreja-hierarquia, de quem se pretende e espera uma resposta a propósito de tudo, mesmo que não seja para seguir o seu conteúdo, aperceber-se de determinados sintomas da vida das nossas cidades se não houver outra parte da mesma Igreja, um laicado consciente da sua missão, que aja em nome da mesma e entre no jogo da corresponsabilidade eclesial, oferecendo à hierarquia os subsídios a que esta nunca chegará pelos seus conhecimentos?», questionou.

As palavras do prelado foram proferidas na missa em que foi evocado o Dia Nacional da Universidade Católica Portuguesa, instituição que no entender do prelado deve ajudar a Igreja «a discernir o inédito da atualidade» contemporânea.

D. Jorge Ortiga frisou que os católicos precisam de detetar as «periferias de pensamento» que se conjugam fora do ambiente eclesial: «Não é necessário ir às igrejas mas há outros espaços onde a luz de Deus parece apagada mas está viva, onde a voz de Deus parece abafada mas sussurra com um encanto para quem a descobrir».

«Ouvir a cidade nos seus apelos e tumultos é sinónimo de encontro com variados modos de interpretar a vida, de culturas novas que não conhecemos porque não chegamos ao encontro com elas», pelo que é necessária uma «Igreja em saída que se coloca onde palpitam questões novas e inéditas», assinalou.

Para o arcebispo, uma das missões da Universidade Católica é contribuir para que a Igreja seja capaz de se situar na atual «cultura inédita», que se caracteriza por ser «multifacetada, eclética, fragmentada» e «parcial», além de apostar num «sincretismo que aceita as coordenadas que mais convêm conforme os momentos ou circunstâncias».

«Quando a Católica entrar no âmago das questões – internas da vida eclesial e externas da sociedade que nos rodeia – e aí, detentora corajosa de valores e princípios evangélicos», criará as condições para que a sociedade reconheça «a luz que falta para um futuro diferente», salientou.

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