4ª f Cinzas - 5 de março
1 Joel 2, 12-18; Sal 50 (51), 3-4. 5-6a. 12-13. 14 e 17
2 Cor 5, 20 – 6, 2
Mt 6, 1-6. 16-18
Estamos num mundo em que nunca estivemos, porque nunca o mundo foi assim tanto um só. À distância dum clique, estamos na Austrália ou no Alasca, quase sentindo calor ou frio como quem lá mora. Problemas dali e daqui são-nos apresentados como nossos, inundações ou secas, guerras e grandes fomes.
Mas tudo isto nos atinge sobretudo os olhos, os ouvidos e a mente, com o grande perigo de ficarmos espetadores. Não no grande teatro do mundo, mas somente na sua plateia, balcão ou camarote, conforme a disponibilidade para os bilhetes.
Na exortação apostólica que nos dirigiu em novembro, o Papa Francisco refere a “crise do compromisso comunitário”, dedicando-lhe um capítulo inteiro. E é disso mesmo que se trata, quando a realidade se transforma em espetáculo, suscitando comoções episódicas com os problemas “dos outros”.
Soe então mais alto o clamor do profeta Joel em quarta-feira de Cinzas: «Rasgai o vosso coração!». Sim, porque só aí, no coração de cada um, acaba o espetáculo e começa o compromisso verdadeiro com a causa dos pobres de todas as pobrezas e a implicação pessoal na resolução possível. Da plateia ao palco, para que palavras como “partilha” e “humanização” ganhem preenchimento e sentido.
Pode parecer impossível, para além de qualquer boa vontade. - Quem sou eu, tu e mais alguns, para humanizar um mundo que mais se amontoa do que realmente aproxima?
Na sua mensagem quaresmal, o Papa Francisco, sempre ele, lembra-nos a resposta já dada: Em Cristo, Deus “fez-se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (cf. 2 Cor 8, 9). E convida-nos a adotar de vez o “estilo de Deus”, respondendo com o que somos, quando isso se resume simplesmente em aproximação e partilha.
Sem pretensão nem alarde, mas com uma vontade absoluta de ser com os outros e para os outros. Começando apenas, do perto para o longe, como através de nós Cristo continuará a ser resposta.
Santa Quaresma, porque Deus e os outros estão à espera!
Este artigo faz parte do Percurso de Quaresma Fé e Desenvolvimento da FEC,
que pode consultar em www.fecongd.org

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