«Quem é mais importante na Igreja? O Papa ou aquela velha senhora que todos os dias reza o Rosário pela Igreja?»


(Foto Comunidade Santo Egídio)

Discurso do Papa Francisco à Associação Corallo, rede de comunicação, em Itália

Papa Francisco recebeu, no final da manhã de sábado, 22 de março, na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 400 membros da Associação “Corallo”, uma rede de comunicação na Itália. A eles disse:

«Quem é mais importante na Igreja?
O Papa ou aquela velha senhora que todos os dias reza o Rosário pela Igreja?
Que o diga Deus, eu não posso dizê-lo. 
Mas a importância é de cada um nesta harmonia, pois a Igreja é a harmonia da diversidade.
O Corpo de Cristo é esta harmonia da diversidade, e quem faz a harmonia é o Espírito Santo: Ele é o mais importante de todos. 
É importante: buscar a unidade e não seguir a lógica de que o peixe grande engole o peixe pequeno.»

«O clericalismo é um dos males da Igreja.
Mas é um mal “cúmplice”, porque aos sacerdotes agrada a tentação de clericalizar os leigos, mas tantos leigos, de joelhos, pedem para ser clericalizados, pois é mais cómodo, é mais cómodo!
E isto é um pecado num duplo sentido!
Devemos vencer esta tentação.
O leigo deve ser leigo, batizado, tem a força que vem do seu Batismo. Servidor, mas com a sua vocação laical, e isto não se vende, não se negocia, não se é cúmplice com o outro... Não! Eu sou assim! Porque está na identidade!
Tantas vezes escutei isto, na minha terra: “Eu na minha paróquia, sabe? Tenho um leigo bravíssimo, este homem sabe organizar... Eminência, porque não o tornamos diácono?”. É a proposta do padre, imediata: clericalizar. Este leigo façamo-o.... E porque? Porque é mais importante o diácono, o padre, do que o leigo? Não! É este o erro! É um bom leigo? Que continue assim e cresça assim. Porque está na sua identidade de pertença cristã, alí.
Para mim, o clericalismo impede o crescimento do leigo.
Mas tenham presente aquilo que eu disse: é uma tentação cúmplice a duas mãos. Pois não existiria o clericalismo se não existissem leigos que querem ser clericalizados. Está claro isto?

Harmonia. Também esta é uma outra harmonia: a função do leigo não a pode fazer o sacerdote, e o Espírito Santo é livre: algumas vezes inspira o padre a fazer uma coisa, outras vezes inspira o leigo.

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