A Associação Fraternitas Movimento nasceu do rasgo profético do Cónego Filipe Figueiredo, em agosto de 1996, e conta com 18 anos de vida.
Reunidos em Fátima, de 24 a 26 de abril, para refletir sobre a história e missão da Fraternitas, os sócios decidiram, em encontro e em Assembleia Geral, passar de associação a movimento.
Os movimentos caracterizam-se por agirem com mais liberdade do que as associações de fiéis (privadas ou públicas) tanto no agir pastoral quanto na participação de novos membros.
Os movimentos caracterizam-se por agirem com mais liberdade do que as associações de fiéis (privadas ou públicas) tanto no agir pastoral quanto na participação de novos membros.
Serão dados passos nesse sentido e a decisão será tomada a 25 de outubro próximo (sábado), numa Assembleia Geral expressamente convocada para o efeito (conforme Artigo 18 dos Estatutos).
Nomeou-se uma comissão que prepará os sócios para esse passo e aceita ideias e sugestões:
Serafim Sousa (serafimseras@hotmail.com),
Jorge Ribeiro (jorgesribeiro14@gmail.com)
e Maria Guilhermina Santos (mguilherminasantos@gmail.com).
DISCURSO DE SÃO JOÃO PAULO II AOS
PARTICIPANTES DO CONGRESSO MUNDIAL DOS MOVIMENTOS ECLESIAIS, EM 27 DE MAIO DE 1998:
«Subitamente ressoou, vindo do céu, um som
comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se
encontravam. Viram, então, aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam
dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios de Espírito
Santo» (Act 2, 2-3).
Caríssimos Irmãos e Irmãs!
1. Com estas palavras os Actos dos Apóstolos
introduzem-nos no coração do evento do Pentecostes; apresentam-nos os
discípulos que, reunidos com Maria no Cenáculo, recebem o dom do Espírito.
Realiza-se assim a promessa de Jesus e inicia o tempo da Igreja. A partir
daquele momento o vento do Espírito levará os discípulos de Cristo até aos
extremos confins da terra. Levá-los-á até ao martírio para o intrépido
testemunho do Evangelho.
Aquilo que aconteceu em Jerusalém, há dois mil
anos, é como se hoje à tarde se renovasse nesta Praça, centro do mundo cristão.
Como outrora os Apóstolos, também nós nos encontramos reunidos num grande
cenáculo de Pentecostes, desejando ardentemente a efusão do Espírito. Queremos
professar aqui, com a Igreja inteira, que «o Espírito é o mesmo..., o Senhor é
o mesmo... é o mesmo Deus que opera tudo em todos» (1 Cor 12, 4-6). Este é o
clima que desejamos reviver, implorando os dons do Espírito Santo para cada um
de nós e para o inteiro povo dos baptizados.
2. Saúdo e agradeço ao Cardeal James Francis
Stafford, Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, as palavras que quis
dirigir-me, também em vosso nome, no início deste encontro. Com ele saúdo os
Senhores Cardeais e os Bispos presentes. Dirijo um pensamento de particular
gratidão a Chiara Lubich, Kiko Arguello, Jean Vanier e Mons. Luigi Giussani
pelos seus comoventes testemunhos. Juntamente com eles, saúdo os fundadores e
os responsáveis pelas novas comunidades e movimentos aqui representados. É-me
grato, por fim, dirigir-me a cada um de vós, Irmãos e Irmãs que pertenceis aos
distintos movimentos eclesiais. Acolhestes com prontidão e entusiasmo o convite
que vos fiz no Pentecostes de 1996 e preparastes-vos com cuidado, sob a guia do
Pontifício Conselho para os Leigos, para este encontro extraordinário, que nos
projecta para o Grande Jubileu do Ano 2000.
O evento de hoje é deveras inédito: pela
primeira vez os movimentos e as novas comunidades eclesiais encontram-se, todos
juntos, com o Papa. É o grande «testemunho comum» por mim desejado para o ano
que, no caminho da Igreja rumo ao Grande Jubileu, é dedicado ao Espírito Santo.
O Espírito Santo está aqui connosco! É Ele a alma deste admirável acontecimento
de comunhão eclesial. Na verdade, «este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos
e nele exultemos» (Sl 117, 24).
3. Em Jerusalém, há quase dois mil anos, no
dia de Pentecostes, diante de uma multidão estupefacta e zombeteira por causa
da inexplicável mudança notada nos Apóstolos, Pedro proclama com coragem:
«Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós... a Este matastes,
cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O» (Act 2,
22-24). Nas palavras de Pedro manifesta-se a autoconsciência da Igreja, fundada
sobre a certeza de que Jesus Cristo está vivo, actua no presente e transforma a
vida.
O Espírito Santo, já operante na criação do
mundo e na Antiga Aliança, revela-Se na Encarnação e na Páscoa do Filho de
Deus, e como que «explode» no Pentecostes para prolongar, no tempo e no espaço,
a missão de Cristo Senhor. O Espírito constitui assim a Igreja como fluxo de
vida nova, que circula dentro da história dos homens.
4. À Igreja que, segundo os Padres, é o lugar
«onde floresce o Espírito» (Catecismo da Igreja Católica, n. 749), o Consolador
deu recentemente com o Concílio Ecuménico Vaticano II um renovado Pentecostes,
suscitando um dinamismo novo e imprevisto.
Sempre, quando intervém, o Espírito nos deixa
maravilhados. Suscita eventos cuja novidade causa admiração; muda radicalmente
as pessoas e a história. Esta foi a experiência inesquecível do Concílio
Ecuménico Vaticano II, durante o qual, sob a guia do mesmo Espírito, a Igreja
redescobriu como constitutiva de si mesma a dimensão carismática: «O Espírito
Santo não só santifica e conduz o Povo de Deus por meio dos sacramentos e
ministérios e o adorna com virtudes, mas “distribuindo a cada um os Seus dons
como Lhe apraz” (1 Cor 12, 11), distribui também graças especiais entre os
fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar
diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla
edificação da Igreja» (Lumen gentium, 12).
Os aspectos institucional e carismático são
como que co-essenciais à constituição da Igreja e concorrem, ainda que de modo
diverso, para a sua vida, a sua renovação e a santificação do Povo de Deus. É
desta providencial redescoberta da dimensão carismática da Igreja foi que,
antes e depois do Concílio, se consolidou uma singular linha de desenvolvimento
dos movimentos eclesiais e das novas comunidades.
5. Hoje, a Igreja alegra-se ao constatar o
renovado cumprimento das palavras do profeta Joel, que há pouco escutámos:
«Derramarei o Meu Espírito sobre toda a criatura...» (Act 2, 17). Vós aqui
presentes sois a prova palpável desta «efusão» do Espírito. Cada movimento
difere do outro, mas todos estão unidos na mesma comunhão e para a mesma
missão. Alguns carismas suscitados pelo Espírito irrompem como vento impetuoso,
que arrebata e atrai as pessoas para novos caminhos de empenho missionário ao
serviço radical do Evangelho, proclamando sem temor as verdades da fé,
acolhendo como dom o fluxo vivo da tradição e suscitando em cada um o ardente
desejo da santidade.
Hoje, a todos vós reunidos aqui na Praça de
São Pedro e a todos os cristãos, quero bradar: Abri-vos com docilidade aos dons
do Espírito! Acolhei com gratidão e obediência os carismas que o Espírito não
cessa de dispensar! Não esqueçais que cada carisma é dado para o bem comum,
isto é, em benefício de toda a Igreja!
6. Pela sua natureza, os carismas são
comunicativos e fazem nascer aquela «afinidade espiritual entre as pessoas» (cf.
Christifideles laici, 24) e aquela amizade em Cristo que dá origem aos
«movimentos». A passagem do carisma originário ao movimento acontece pela
misteriosa atracção exercida pelo Fundador sobre quantos se deixam envolver na
sua experiência espiritual. Desse modo, os movimentos reconhecidos oficialmente
pelas autoridades eclesiásticas propõem-se como formas de auto-realização e
reflexos da única Igreja.
O seu nascimento e a sua difusão trouxeram à
vida da Igreja uma novidade inesperada, e por vezes até explosiva. Isto não
deixou de suscitar interrogativos, dificuldades e tensões; às vezes comportou,
por um lado, presunções e intemperanças e, por outro, não poucos preconceitos e
reservas. Foi um período de prova para a sua fidelidade, uma ocasião importante
para verificar a genuinidade dos seus carismas.
Hoje, diante de vós, abre-se uma etapa nova, a
da maturidade eclesial. Isto não quer dizer que todos os problemas tenham sido
resolvidos. É, antes, um desafio. Uma via a percorrer. A Igreja espera de vós frutos
«maduros» de comunhão e de empenho.
7. No nosso mundo, com frequência dominado por
uma cultura secularizada que fomenta e difunde modelos de vida sem Deus, a fé
de muitos é posta à dura prova e, não raro, é sufocada e extinta. Percebe-se,
então, com urgência a necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e
aprofundada formação cristã. Como é grande, hoje, a necessidade de
personalidades cristãs amadurecidas, conscientes da própria identidade
baptismal, da própria vocação e missão na Igreja e no mundo! E eis, então, os
movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada
pelo Espírito Santo, a este dramático desafio do final de milénio. Vós sois
esta resposta providencial.
Os verdadeiros carismas não podem senão tender
para o encontro com Cristo nos Sacramentos. As verdades eclesiais a que aderis
ajudaram-vos a redescobrir a vocação baptismal, a valorizar os dons do Espírito
recebidos na Confirmação, a confiar-vos à misericórdia de Deus no Sacramento da
Reconciliação e a reconhecer na Eucaristia a fonte e o ápice da inteira vida
cristã. E de igual modo, graças a essa forte experiência eclesial, surgiram
esplêndidas famílias cristãs abertas à vida, verdadeiras «igrejas domésticas»,
desabrocharam muitas vocações ao sacerdócio ministerial e à vida religiosa,
assim como novas formas de vida laical inspiradas nos conselhos evangélicos.
Nos movimentos e nas novas comunidades aprendestes que a fé não é questão
abstracta, nem vago sentimento religioso, mas vida nova em Cristo, suscitada
pelo Espírito Santo.
8. Como conservar e garantir a autenticidade
do carisma? É fundamental, a respeito disso, que cada movimento se submeta ao
discernimento da Autoridade eclesiástica competente. Por esta razão, nenhum
carisma dispensa da referência e da submissão aos Pastores da Igreja. Com
palavras claras o Concílio escreve: «O juízo acerca da sua autenticidade e
recto uso pertence àqueles que presidem na Igreja e aos quais compete de modo
especial não extinguir o Espírito mas julgar tudo e conservar o que é bom (cf.
1 Ts 5, 12.19-21)» (Lumen gentium, 12). Esta é a necessária garantia de que a
estrada que percorreis é justa!
Assim, na confusão que reina no mundo de hoje
é fácil errar, ceder às ilusões. Na formação cristã cuidada pelos movimentos
jamais falte o elemento desta confiante obediência aos Bispos, sucessores dos
Apóstolos, em comunhão com o Sucessor de Pedro! Conheceis os critérios de
eclesialidade das agregações laicais, presentes na Exortação Apostólica
Christifideles laici (cf. n. 30). Peço-vos que lhes deis adesão sempre com
generosidade e humildade, inserindo as vossas experiências nas Igrejas locais e
nas paróquias, sempre permanecendo em comunhão com os Pastores e atentos às
suas indicações.
9. Jesus disse: «Vim lançar fogo sobre a terra;
e que quero Eu senão que ele já se tenha ateado?» (Lc 12, 49); enquanto a
Igreja se prepara para cruzar o limiar do terceiro milénio, acolhamos o convite
do Senhor, para que o Seu fogo se propague no nosso coração e no dos irmãos.
Hoje, deste cenáculo da Praça de São Pedro,
eleva-se uma grande oração: Vinde Espírito Santo, vinde e renovai a face da
terra! Vinde com os vossos sete dons! Vinde Espírito de vida, Espírito de
verdade, Espírito de comunhão e de amor! A Igreja e o mundo têm necessidade de
Vós. Vinde Espírito Santo e tornai sempre mais fecundos os carismas que
concedeis. Dai nova força e impulso missionário a estes vossos filhos e filhas
aqui reunidos. Dilatai o coração deles, reavivai o seu empenho cristão no
mundo. Tornai-os corajosos mensageiros do Evangelho, testemunhas de Jesus
Cristo ressuscitado, Redentor e Salvador do homem. Fortalecei o seu amor e a
sua fidelidade à Igreja.
A Maria, primeira discípula de Cristo, Esposa
do Espírito Santo e Mãe da Igreja, que acompanhou os Apóstolos no primeiro
Pentecostes, dirigimos o nosso olhar para que nos ajude a aprender do seu Fiat
a docilidade à voz do Espírito.
Hoje, desta Praça, Cristo repete a cada um de
vós: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a todas as criaturas» (Mc
16, 15). Ele conta com cada um de vós, a Igreja conta convosco. «Eis — assegura
o Senhor — Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).
Estou convosco.
Amém!
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