Carta de Jesus a todas as pessoas: «EU SOU A VIDA NA VOSSA VIDA!»


'Olá, meus amigos! Sou o JC! Se há poucos meses vocês festejavam comigo o meu aniversário, agora convido-vos a recordar os últimos dias da minha vida. O Natal é uma época muito bonita e especial mas acreditem que o mistério pascal é bem mais importante. E não é só por causa das amêndoas, dos coelhinhos e do folar… Na verdade, a Páscoa sou eu que, sendo Deus, encarnei na forma humana para dar a vida por vós e divinizar a vossa existência. Nasci para morrer e voltaria a fazê-lo hoje, novamente por todos e cada um de vós.

Como a festa da Páscoa é o principal acontecimento cristão do ano, vós costumais prepará-lo adequadamente durante quarenta dias, a que chamais Quaresma. A Páscoa é de tal forma essencial para mim e para vós que, para além dos quarenta dias da Quaresma, na semana anterior ao dia da minha ressurreição, celebrais a Semana Santa e, ainda mais intensamente, relembrais alguns momentos decisivos, no Tríduo Pascal.

Andei durante três anos, naquilo a que designaram a minha vida pública. Nesses anos e depois de ter deixado a minha casa em Nazaré, anunciei a Boa Nova por todas as regiões vizinhas e somente na minha última semana de vida fui para a capital: Jerusalém.

As pessoas já tinham ouvido falar de mim e esperavam que eu fosse aquele que os libertasse da opressão do Império Romano. Falavam dos meus milagres, como se fosse um curandeiro quando eram sinais de que o Reino de Deus chegara. Falavam da minha sabedoria e das histórias que eu contava como se fosse um filósofo mas eram parábolas para falar do meu Pai e do seu projecto de amor e salvação.

Receberam-me apoteoticamente ao som de melodias festivas e aclamaram-me com ramos. No entanto, eu chegava sem exército e sem séquito real. Vinha em cima de um burrinho e acompanhado pelos meus amigos mais próximos. Eu era o Messias e Rei anunciado pelos profetas mas não à maneira mundana como imaginavam quase todos.

Numa Quinta-feira, quis juntar os meus discípulos num jantar. Foi a minha última ceia com eles e nela instituí a Eucaristia. Os judeus celebravam a Páscoa no contexto da comemoração da libertação da escravatura do Egipto e da passagem do Mar Vermelho. Mas, comigo, a nova Páscoa havia chegado. Eles comiam e ainda comem o cordeiro na Páscoa mas eu era o verdadeiro e definitivo Cordeiro Pascal.

Nesta refeição especial converti o pão e o vinho no meu próprio corpo e sangue e disse aos meus apóstolos que fizessem o mesmo, tornando-os participantes no meu sacerdócio. Aproveitei para fazer a proclamação solene do Mandamento do Amor e lavei os pés aos meus discípulos como sinal de entrega e serviço humilde.

Ainda durante a ceia, um dos meus doze amigos, traiu-me e entregou-me aos romanos. Muitas vezes os judeus quiseram arranjar-me ciladas para conseguirem a minha condenação à morte. Na verdade, eu incomodava certos poderes religiosos instalados, mais preocupados com as aparências dos ritualismos do que com o essencial da fé e com a sinceridade do coração. Por outro lado, os romanos, ao verem a multidão que me seguia, temeram que lhes tirasse o trono pois acreditavam que se eu quisesse podia liderar uma rebelião contra eles. Devem lembrar-se que já Herodes me tentara matar, em pequenino.

Fui julgado pelos representantes da religião judaica e como só o poder romano podia condenar à morte, levaram-me a Pôncio Pilatos. Nada encontrou de mal na minha pessoa ou nos meus comportamentos, mas preferiu deixar-se levar e lavou as suas mãos.
Naquela Sexta-feira, fui violentamente torturado e tive que transportar a cruz na qual iria morrer. Os soldados romanos gozaram comigo e colocaram-me uma coroa de espinhos, simbolizando a minha realeza. O meu nome e a razão da minha condenação foi escrita num tabuleta e cravada na cruz: JNRJ, “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”.

Caí algumas vezes e tive que continuar a ouvir as calúnias e ofensas de muita gente. Chegado ao monte Calvário, cravaram pregos para me suspender. Ao meu lado, estavam mais dois homens condenados à morte. Ser crucificado era um costume dos romanos para os condenados por crimes graves.

Sofri muito e, humanamente falando, preferia que o Pai me afastasse daquele suplício. Mas a minha morte era o grande sinal do Amor de Deus e o meu sangue era a prova da salvação e da redenção da humanidade.

Seriam umas três horas da tarde, quando eu dei o último suspiro. Quando comprovaram a minha morte física, fui levado para um sepulcro. Ali permaneci até à manhã de Domingo. Maria Madalena e depois Pedro e João foram ao sepulcro e eu já lá não estava. Foram as primeiras testemunhas da minha ressurreição. Até voltar para o meu Pai, ainda apareci algumas vezes aos meus discípulos.

Eu que sou a Vida não podia ser vencido pela morte. Morri com 33 anos como homem mas não podia a morte derrotar a Deus que vive eternamente. Não fugi pois isso seria contradizer o que acreditava. Caminhei na minha via-sacra não como um fracassado ou um derrotado, mas em liberdade total e por amor, pois não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos.

A minha felicidade é ser caminho, verdade e vida para vós! Estou vivo e convosco para sempre e espero que sejais também vida para os outros. Quero ser Vida na vossa vida. E já agora, boa Páscoa!'

(alunos do Colégio de Lamas)

Paulo Costa, in Jornal 'ENTRELINHAS', Colégio de Lamas

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