(no Cristo Rei, Almada)
Basílio de
Oliveira, in Terras de Vagos
1.ª Estação
– A condenação à morte
A
condenação do Senhor à morte faz-me lembrar o triste destino do fechar de uma
empresa. Acabou o projeto de uma vida. Quantos investiram e deram o seu melhor,
o que tinham e o que não tinham, na esperança de uma vida melhor para si e para
os seus… A crise acabou com uma vida e um sonho lindo!...
2.ª Estação
– A cruz é pesada
Nesta
estação vem-me ao pensamento alguém que tem um filho que não vê, não fala, não
anda. Quantas famílias se encontram nesta situação?! E os apoios capazes, por
vezes escasseiam. Situação difícil para os pais e para a criança! Enfim! A
verdadeira fraternidade tem aqui um bom campo de ação.
3.ª Estação
– A primeira queda
Estou a
lembrar-me da situação dos nossos estudantes licenciados, com duas e mais
licenciaturas, que não encontram mão amiga que lhes faculte exercerem a
atividade para a qual se prepararam e na qual tanto seus pais e avós
investiram! Então, para não caírem, emigram…
4.ª Estação
– Voltar para casa da mãe
A
perspetiva de uma vida independente leva os casais a adquirir ou construir casa
própria. Recorre-se ao banco, que apoia sem reservas. Veio o desemprego e não
há outro remédio senão entregar a casa ao banco e voltar para casa do pai ou da
mãe. Jesus, no meio do sofrimento, também voltou a encontrar-se com sua Mãe!...
A quem pediu apoio e coragem para seguir em frente.
5.ª Estação
– Dar de comer a quem tem fome
Tal como
Simão de Cirene, vendo o Mestre sem forças para levar a cruz, se disponibilizou
para o ajudar, também muitos voluntários seguem o seu exemplo, com entusiasmo e
com gosto. Se não fossem as instituições humanitárias e sociais, a Igreja e
iniciativas solidárias, o que seria de milhares e milhares de famílias sem nada
com que sobreviver?! Há sempre um cireneu que aparece para ajudar. Ainda bem.
6.ª Estação
– Dar apoio aos sem-abrigo
Tal como
Verónica, enternecida, limpa o rosto de Jesus, cheio de sangue, pó e lágrimas,
quantos, sobretudo os sem-abrigo, recorrem aos balneários públicos para lavar a
cara! Quantos fazem isto, porque lhe cortaram a água por falta de pagamento.
Há que
devolver a dignidade às pessoas porque a isso têm direito.
7.ª Estação
– Apoio aos desempregados
Estranho
que a nossa Administração Púbica (Governo) se preocupe mais em estudar e
aprovar a Lei dos Despedimentos do que em dar apoio aos desempregados. Pelo
contrário, devia pensar numa lei que apoie a admissão do trabalhador e a sus
estabilidade no emprego. Perto de um milhão de desempregados é preocupante. E
mais preocupante é quando a desgraça atinge o casal! Governantes e entidades
patronais, pensem nisto!
8.ª Estação
– a preocupação de uma mulher grávida e sem emprego
Mulheres de
Jerusalém procuraram encontrar-se com Jesus e animá-lo. Nós, todos, conhecemos
a cena: «Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós e
pelos vossos filhos! Porque dias virão em que se dirá: Bem-aventuradas as
estéreis e os ventres que não geraram»!... Que futuro espera uma mulher casada,
grávida ou prestes a ser mãe? É que dificilmente arranja trabalho, e a
Segurança Social vê-se e deseja-se para acudir a tudo e a todos. Haja
moralidade. Zonas do país estão a ficar sem ninguém. Cuidado!
9.ª Estação
– O encerramento de uma fábrica ou empresa preocupa muita gente
Assim como
o Senhor caiu várias vezes, esta é a 3ª, também há empresas que, devido a
várias circunstâncias, caiem definitivamente. Ao fechar-se uma fábrica, uma das
alternativas é a emigração. Encontrar-se uma vida melhor? Nem sempre acontece.
A separação da família poderá trazer muitos inconvenientes…
10.ª
Estação – Nesta estação, a Jesus até a roupa lhe tiraram!
Estou a
lembrar-me, devido à crise e às dificuldades económicas, de quantas famílias
são obrigadas a devolver a casa e o carro ao banco! Ficam sem nada… era a coisa
mais precisa, além da vida! Triste sina!
11.ª
Estação – Finalmente a crucifixão
Quantas
pessoas não vão morrendo aos poucos pregadas numa cruz! Algumas, não suportando
a tristeza e as agruras da vida, pela doença ou carências de vária ordem,
abreviam a própria vida… O suicídio é uma praga que tem de ser banida da face
da terra. A violência doméstica está via, mas não se recomenda.
12.ª
Estação – Cristo morre entre o céu e a terra
Estou a
lembrar-me, sobretudo, dos sem-abrigo, dos que dormem nas ruas das nossas
cidades. Há crianças a implorar uma malga de sopa. Até gente formada, com
filhos ao colo, sem casa, vem para a rua pedir apoio, quando não morre de
fome!...
13.ª
Estação – O Filho é colocado nos braços da sua mãe
Estou a
lembrar-me de tantos que morrem, sem ter uma mãe que chore a sua morte. Ninguém
para chorar, para sentir a sua falta, ninguém para se despedir, no derradeiro
momento. É preciso que haja alguém que esteja ao lado dos que morrem sós.
14.ª
Estação – A sepultura não é o fim
A seguir à
morte, vem a Ressurreição. Assim prega a Igreja Católica. E bem. Depois de
tanto sofrimento, a esperança é a última coisa a morrer. Resta saber se em
Portugal, depois da via-sacra que muitos portugueses estão a percorrer, haverá
ainda lugar para a ressurreição. Espero que sim.
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