O Papa Francisco afirmou na segunda-feira que o celibato não é um “dogma de fé” na Igreja Católica, que há sacerdotes casados nos ritos orientais e que “a porta está sempre aberta” para tratar o tema.
“Eu não posso concordar mais com o papa Francisco. De facto, não é dogma de fé, não é uma tradição que a Igreja não possa refletir e alterar”, disse Ilídio Leandro durante um encontro com jornalistas, explicando que “dogma de fé é apenas aquilo que está na escritura”.
Para D. Ilídio Leandro, “tudo o resto que a Igreja foi introduzindo ao longo dos tempos e não com caráter de dogma de fé, por não estar alicerçado e fundamentado na escritura, pode ser mudado pela mesma Igreja em qualquer tempo”.
Questionado se aceitaria que homens casados se pudessem tornar padres, o bispo de Viseu não hesitou na resposta: “hoje, aceitaria hoje, já”.
Deu o exemplo de um homem casado, diácono, que estava sentado ao seu lado, considerando que “se a vocação dele fosse ser padre, pelo facto de ser casado não se deveria impedir”.
No entanto, o prelado mostrou-se convencido de que a falta de padres da Igreja Católica não é tanto um problema “do casamento, é mais da fé”.
“É mais de uma vontade de servir a Igreja, de viver um caminho, um carisma, uma doação e uma entrega ao serviço de uma Igreja, seja a Católica, sejam as outras, porque as outras estão a ter talvez mais falta de pastores – e podem casar – do que a Católica”, frisou.
Segundo Ilídio Leandro, “o que tem sido dito pelos responsáveis das igrejas onde é possível os pastores casarem não tem sido muito de que tenham muitos pastores, muitos sacerdotes”.
“Portanto, eu acho que não passa tanto por uma questão de lei, mas por uma questão de fé, de integridade de opção de vida”, frisou.
Admitiu, no entanto, que poderia haver “mais padres na Igreja Católica se se pudessem ordenar homens casados”, até porque alguns já lhe disseram “que seriam com toda alegria, com todo o gosto, sacerdotes”.
“Já não direi tanto que pudesse haver muito mais homens a quererem ser padres se se pudessem casar”, acrescentou.
Agência Lusa | 30 Maio 2014

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