«A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!», leitura orante do Domingo da Santíssima Trindade
Nicodemos dialoga
com Jesus para nos fazer compreender a todos esta certeza basilar: a caridade e
o amor de Deus pelo mundo, a criação e todas as criaturas. A missão profética
de Jesus, aquela que o evangelista recorda aos seus leitores, a Nicodemos e a
cada um de nós é evidenciar a maneira concreta como Deus se manifestou
ultimamente e como manifestou o seu amor ao mundo e aos homens. Através de um
dom sem igual: o Seu próprio Filho, redentor e salvador de todos.
Depois do Domingo
do Pentecostes, a Igreja celebra a solenidade da Santíssima Trindade. A vida
divina na sua plenitude comunica-se a nós na Eucaristia, dom sublime do amor do
Pai, do Filho e do Espírito Santo e recorda-nos que o Deus dos cristãos não é
um Deus solitário, mas um Deus imerso numa infinita circulação de amor, que
comunica, dialoga e revela a comunhão trinitária. A linguagem usada é o Amor
(Ágape) e Deus, que é amor, segue a sua linha de amor e procura o bem do homem.
A comunhão entre Pai e Filho torna-se comunhão entre Deus e a humanidade.
SEGUNDA-FEIRA
Palavra – «Naquele
tempo, disse Jesus a Nicodemos»
Trata-se de um
diálogo tu a tu, entre Jesus e Nicodemos. É noite e este fariseu dirige-se a
Jesus para compreender quem é Ele de verdade e que mensagem tem para si, para a
sua vida. Jesus fala-lhe personalizadamente pois deseja levar a luz às trevas
que obscurecem o seu coração. Já anteriormente Ele lhe falara da necessidade de
nascer do Alto para ver no Reino de Deus. Agora reforça a ideia, dizendo-lhe
que para entrar no Reino de Deus deve deixar-se envolver radicalmente no plano
do amor de Deus que passa pelo dom do seu Filho.
Meditação – Jesus
não conseguirá tocar o coração daqueles que não se abrem à sua Presença, que
não desejam conhecê-lo e, como tal, mantêm-se bem distantes. Nicodemos, passo a
passo, entre a noite que vive e o desejo que o impulsiona a conhecer Jesus,
deixa-se fascinar por Jesus que lhe revela o grande mistério da Incarnação.
Jesus falou com Nicodemos, hoje fala contigo, revela-te algo de Si, do Pai, do
seu plano salvífico. Que possa contar com a abertura de mente e de coração.
Oração – A
invocação do santo Nome de Jesus é o caminho mais simples da oraçãocontínua.
Muitas vezes repetida por um coração humildemente atento, não se dispersa num
«mar de palavras» mas «guarda a Palavra e produz fruto pela constância». Invoco
hoje, repetidamente, o nome de Jesus no silêncio do meu coração, seja nos momentos
em que estou a experienciar uma profunda alegria, seja em momentos de noite
como Nicodemos.
Ação
Não devo dar por
adquirido que já conheço tudo sobre Jesus; seria pobre demais a minha relação
com Ele. Passo hoje por uma igreja, entro, coloco-me diante do Santíssimo, com
calma, até que nada mais me inquiete. Deixo que Jesus me fale e que seja luz na
minha vida. Falo com alguém sobre este encontro.
TERÇA-FEIRA
Palavra – «Deus
amou…»
Existe um único
Deus que sai de si mesmo, cria o mundo e o Homem, coloca-se a caminho com o Seu
povo, não fica indiferente perante as injustiças e opressões. A salvação da
humanidade depende sobretudo do amor de Deus, não tanto das nossas obras. É
tudo uma questão de AMOR! Jesus faz-nos refletir, abrir os olhos, revelar-nos a
justiça de Deus sobre as escolhas que o homem faz. É um Deus que ama e, por
este motivo, só pode ser “fecundo”.
Meditação – A
salvação é um ato generoso do Amor de Deus, manifestado na entrega total de
Jesus Cristo, no dom da sua vida. É Jesus que, ao longo do evangelho, continua
a dizer-nos que existe uma coisa preciosa para cada pessoa: o amor aos irmãos.
Dado que isto foi sempre difícil de viver, Jesus humanamente mostrou-nos o
caminho para realizar esse amor de modo concreto, que no limite significa dar a
vida.
Oração
Louvai o SENHOR,
todas as nações!
Exaltai-o, todos os
povos!
Porque o seu amor
para connosco não tem limites
e a fidelidade do
SENHOR é eterna! Aleluia! (Sl 117)
Ação – Hoje
agradeço a Deus o dom da salvação, peço-lhe que me ajude a dar passos decisivos
no caminho de santidade. Invoco o Espírito Santo que dá a vida. Peço ao Senhor
que me dê a luz do seu Espírito, para que eu veja melhor o caminho a seguir e a
clareza da sua Palavra, para que eu a tome como alimento e força para caminhar.
QUARTA FEIRA
Palavra – «Amou
tanto o mundo, que entregou o seu Filho Unigénito»
Encontramos 78
vezes a palavra "mundo" no evangelho de João, embora com diversos
significados. Neste texto, "mundo" significa a humanidade, amada por
Deus. É por ela que Deus dá o seu Filho Unigénito (cf. Jo 1,9; 4,42; 6,14;
8,12). Poderia contudo significar aquela parte da humanidade que se opõe a
Jesus, à sua prática libertadora, criando uma situação de injustiça. A
esperança do evangelho de João é que Jesus venceu o mundo.
Meditação – O
evangelho apresenta Deus que ama o mundo a tal ponto que para o salvar lhe
entrega o seu filho único. O Filho único é toda a vida do Pai: o Deus que dá o
Filho é o Deus que se move unicamente no plano do Amor. O dom excessivo do amor
de Deus é o próprio Filho, Jesus Cristo.
Oração – Não me
move, Senhor para Te amar
O Céu que me
prometestes
Nem me move o
inferno tão temido
Para deixar por
isso de Te ofender.
Tu moves-me,
Senhor,
Move-me ver-Te
Pregado numa Cruz e
escarnecido
move-me ver o teu
Corpo tão ferido,
Movem-me as tuas
afrontas e a tua morte.
Move-me enfim o teu
amor,
E de tal maneira,
Que ainda que não
houvesse Céu eu Te amaria,
E ainda que não
houvesse inferno Te temeria.
Nada tens que me
dar para que eu Te queira,
Pois mesmo que eu
não esperasse o que espero,
O mesmo que Te
quero
Eu te
quereria. (Santa Teresa de Ávila)
Ação – Deus por mim
entregou o seu Filho, por amor… o que dou com amor pela vida dos outros, ou até
mesmo pela sua salvação? Não sou chamado a dar coisas mas o melhor que existe
em mim: o amor que Deus derramou no meu coração. Este amor traduz-se em gestos
concretos que hoje vou por em prática, por exemplo, em relação à minha família.
QUINTA FEIRA
Palavra – «…para
que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque
Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o
mundo seja salvo por Ele»
A vida é um dom de
Deus, um sopro do hálito divino (Gn 2, 7). Deus está sempre disposto a
conceder-nos essa vida. A missão do Filho é salvar. É o dom da salvação que nos
liberta do pecado e das suas consequências.
Meditação – Deus é
grande para connosco! Foi bom demais! Não só nos revelou coisas, mas revelou-se
a si mesmo e deu-se a nós: o Pai, pelo Filho, no Espírito deu-nos a própria
vida divina! Deus veio a nós, quis fazer história na nossa história, quis viver
a nossa vida para nos elevar à vida dele, vida feliz, vida plena, vida eterna!
Deu-se gratuitamente para nos salvar, fazendo-nos participar da sua vida!
Oração
Pai de bondade, que
és fonte de todos bens,
derrama sobre mim o
teu Espírito
para poder
progredir na santidade.
Ilumina a minha
mente
para saber
discernir os caminhos do Espírito
que me conduzam ao
homem novo,
atento aos sinais
dos tempos
liberto da
indiferença
e pronto a dar
respostas de amor.
Ação – Oriento hoje
os meus passos pelos passos de Jesus. Em cada pequena ou grande decisão
recordo-me dos critérios que Jesus usaria para decidir, dos gestos que seriam
os seus, das palavras ou das atitudes que tomaria. No final do dia, agradeço a
Jesus ter-me acompanhado ao longo do dia.
SEXTA FEIRA
Palavra – «Quem
acredita...»
Para poder “viver”
a realidade trinitária e, assim, fazer esperiência do amor de Deus, é
necessária a fé. É necessário acreditar que Deus é Pai e que na sua
misericórdia revela-se ao ser humano através da sua vida e do sacrifício do
Filho unigénito por meio da vida do Espírito Santo. As três pessoas agem em
sintonia para salvar o mundo, mas a salvação pede um coração dócil, que se
deixe plasmar pela ação do Espírito.
Meditação – A fé
move-te em ordem à tua salvação e não a uma vida alinhada pelos mínimos. É
certo que a Sua proposta é uma medida alta, mas é a medida da santidade. Se
achas que seguir Jesus te exige muito, te tira tempo para outras coisas, limita
os teus horizontes ou te impede de fazer certas coisas que tantos outros
fazem...bem, é fundamental perceberes que a escolha de liberdade está nas tuas
mãos... Deus nunca se impõe!
Oração – Tomai,
Senhor e recebei,
toda a minha
liberdade
A minha memória e o
meu entendimento,
Toda a minha
vontade,
E tudo o que eu
possuo.
Vós mo destes,
A Vós o restituo.
Tudo é Vosso,
disponde.
Pela Vossa bondade.
Dai-me apenas
Senhor.
O Vosso Amor e
Graça,
Que isso me basta.
(Oração de Santo Inácio)
Ação
Ao longo deste dia
procuro renovar em mim o desejo de seguir Jesus com liberdade e autenticidade.
Identifico e assumo alguma(s) prioridade(s) para a minha vida de discípulo de
Jesus para este tempo de férias que se avizinha.
SÁBADO
Palavra – Glória ao
Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
A origem de tudo é
o amor do Pai. A Trindade confirma que Deus em si mesmo não é solidão ou
autosuficiência, mas relação e comunhão plena, da qual nos faz participantes. É
o Filho enviado do Pai, a viver entre os homens e a ser Caminho da humanidade,
que nos revela e possibilita o acesso a esta comunhão.
Meditação – Como é
fundamental tomarmos consciência de quem somos. Deus interessa-se por nós,
fita-nos com o seu olhar e chama-nos a uma relação com Ele, que é comunhão de
amor. Aceitar essa relação é a base da vocação de qualquer cristão. E se o
centro é Cristo, a nossa comunhão no Seu amor aproxima-nos cada vez mais uns
dos outros. Onde existe união e verdade, harmonia e concórdia, aí habita Deus. Eis
os critérios de discernimento que o Senhor te dá e nos dá para viver como
verdadeiros filhos do Pai, em dócil acolhimento dos dons do Espírito Santo.
Oração – O sinal da
cruz ou a recitação do Glória tornam-se expressões quotidianas de um estilo de
vida que nos torna mais próximos de Deus e nos guia por esta luz que é a
comunhão do amor divino. Ao longo do dia repetirei várias vezes: Glória ao Pai
e ao Filho e ao Espírito Santo.
Ação – Vou tomar
como empenho deste dia partilhar com alguém o que fui meditando esta semana
sobre a Santíssima Trindade como modelo de vida em comunidade e de comunhão com
os irmãos. Em alternativa, identificarei alguém (uma criança, um colega da
escola ou do trabalho) a quem falarei sobre o amor que Deus Pai, que nos enviou
o seu Filho único e nos concede o dom do seu espírito Santo.
Ir. Alzira
Sousa,fma

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