Papa Francisco critica católicos uniformistas, que levam ideologias para a Igreja e que se aproveitam dela
O papa Francisco sublinhou, no Vaticano, a importância da unidade dentro da Igreja e censurou as pessoas que dizem pertencer a ela mas «estão com um pé dentro» e «outro fora».
«Para estas pessoas, a Igreja não é a sua casa, não a sentem como própria. Para elas é um aluguer», vincou Francisco na homilia da missa a que presidiu em Santa Marta no dia 5 de junho, revela a Rádio Vaticano.
Francisco mencionou três grupos de pessoas que se reservam a possibilidade de estar «dentro e fora», começando por «aqueles que querem que tudo seja igual na Igreja», ou seja, os «uniformistas».
«A uniformidade. A rigidez. São rígidos. Não têm aquela liberdade que o Espírito Santo dá. E fazem confusão entre aquilo que Jesus pregou no Evangelho com a sua doutrina, a sua doutrina de igualdade. E Jesus nunca quis que a sua Igreja fosse assim rígida. Nunca», acentuou.
As críticas de Francisco estenderam-se depois aos «“alternativistas”», que querem impor as suas ideias: «Eu entro na Igreja, mas com esta ideia, com esta ideologia. E assim a sua pertença à Igreja é parcial».
«Pensemos nos gnósticos, em quem o apóstolo João batia fortemente. “Somos, sim, sim, somos católicos, mas com estas ideias”. Uma alternativa. Não partilham o sentir próprio da Igreja», apontou.
O terceiro grupo é composto pelos «“vantagistas”», pessoas que «se dizem cristãs mas não entram de coração na Igreja»: «Procuram as vantagens e vão à Igreja, mas por vantagem pessoal, e acabam a fazer negócios na Igreja».
«Conhecemo-los bem. Mas já existiam desde o princípio. Pensemos no mago Simão, pensemos em Ananias e Safira, que se aproveitavam da Igreja para o próprio lucro. E vimo-los nas comunidades paroquiais ou diocesanas, nas congregações religiosas, alguns benfeitores da Igreja, tantos», assinalou.
Este grupo, prosseguiu o papa, é composto por pessoas «pavoneiam-se» por serem benfeitoras, «e no fim, por baixo da mesa, fazem os seus negócios. E estes, também, não sentem a Igreja como mãe, como própria».
Depois de realçar que «a Igreja é livre», Francisco lembrou que ela é dotada de «muitos carismas», havendo «grande diversidade de pessoas e de dons do Espírito».
«Se queres entrar na Igreja, que seja por amor», para dar «todo o teu coração, e não para fazeres negócios em teu favor», disse o papa, que reconheceu a dificuldade desta atitude desprendia: «As tentações são muitas».
A unidade na Igreja não significa uniformidade: «[Todos] somos diferentes, não somos iguais, graças a Deus», porque de outra forma «seria um inferno», realçou o papa, antes de afirmar que os católicos são «chamados à docilidade ao Espírito Santo».
É esta docilidade, continuou Francisco, que evitará que os crentes sejam «rígidos», «“alternativistas”» e «“vantagistas”», é ela que «transforma a Igreja de uma casa para alugar numa casa própria».
«Que o Senhor nos envie o Espírito Santo e faça esta harmonia nas nossas comunidades – comunidades paroquiais, diocesanas, comunidades dos movimentos; que seja o Espírito a fazer esta harmonia, porque, como dizia um Padre da Igreja, «o Espírito, Ele próprio, é harmonia», concluiu Francisco.
Rádio Vaticano | Trad./redação: SNPC/rjm

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